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Do Pasto ao Prato: Fórum da Carne une todos os elos da cadeia e aponta o futuro da pecuária nos Campos de Cima da Serra

Evento realizado em Vacaria reuniu produtores, especialistas, frigorífico, varejo e gastronomia em um mesmo debate, fortalecendo a conexão entre quem produz, quem comercializa e quem leva a carne até a mesa do consumidor.

Enquanto grande parte dos eventos do agronegócio concentra as discussões dentro da propriedade rural, o Fórum da Carne, realizado no último sábado (1º), no Parque de Exposições Nicanor Kramer da Luz (Associação Rural de Vacaria), propôs um olhar diferente sobre a pecuária.

O encontro mostrou que produzir carne de qualidade continua sendo fundamental, mas que agregar valor ao produto depende, cada vez mais, da integração entre todos os elos da cadeia produtiva.

Promovido dentro do Circuito da Carne Hereford, o evento reuniu representantes da genética, produtores rurais, indústria frigorífica, varejo especializado e gastronomia em um mesmo ambiente.

Mais do que apresentar palestras, o Fórum abriu espaço para um diálogo direto entre setores que normalmente atuam de forma independente, mas que influenciam o resultado final entregue ao consumidor.

Um encontro inédito para a realidade regional

Para Luis Della Giustina, integrante do Núcleo Serrano de Hereford e Braford e também representante da Fazenda São Pedro, o principal legado do Fórum foi justamente reunir, em uma mesma mesa, todos os participantes da cadeia da carne.

Segundo ele, poucas iniciativas conseguiram promover esse tipo de aproximação.

“Foi o único evento que eu vi na região com esse formato. Conseguimos colocar na mesma mesa todos os elos que compõem a cadeia da carne. Exatamente do pasto ao prato.”

A afirmação resume o conceito que norteou toda a programação.

No mesmo espaço estavam produtores responsáveis pela cria, recria e terminação dos animais, representantes da indústria frigorífica, do varejo especializado e da gastronomia. Cada segmento pôde apresentar sua realidade, suas dificuldades e suas expectativas, permitindo que todos compreendessem melhor o funcionamento da cadeia como um todo.

Cada convidado representava uma etapa da carne que chega ao consumidor

A escolha dos painelistas não aconteceu por acaso. O Fórum foi estruturado para representar cada uma das etapas percorridas pela carne desde a seleção genética até a mesa do consumidor.

Participaram da programação Ana Doralina, consultora Carne Hereford; Daniel Echevenguá, representando a Associação Excelencia Pecuária; Felipe Azambuja, gerente executivo da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB); Guilherme Bauer, do Agropampa Frigorífico; Leandro Morando, do restaurante Puerto Del Toro; Luis Della Giustina, representando o Núcleo Serrano de Hereford e Braford e da Fazenda São Pedro; e Luiz Barea, da Bareinha Cortes Especiais.

Cada um levou para o debate a visão do setor que representa, demonstrando que a qualidade da carne depende de uma sequência de decisões tomadas em diferentes momentos da cadeia produtiva.

Da genética ao manejo, do frigorífico ao açougue, do restaurante ao consumidor, todas as etapas estão diretamente ligadas.

Quando cada elo passa a entender o outro

Ao longo das discussões, um tema apareceu de forma recorrente: durante muitos anos, cada segmento da cadeia enxergou apenas seus próprios desafios.

Segundo Luis Della Giustina, era comum que produtores, indústria e comércio atribuíssem uns aos outros as dificuldades relacionadas à valorização da carne.

Hoje, essa percepção começa a mudar.

“A gente sempre teve o costume de criticar um ao outro quando o assunto era valorização do nosso produto. Agora ficou claro que todos os processos têm suas dificuldades.”

Mais do que identificar problemas, o Fórum mostrou que compreender a realidade do elo seguinte permite construir soluções em conjunto.

Na avaliação dele, esse entendimento torna toda a cadeia mais eficiente e fortalece a produção regional.

O diálogo que começa no restaurante e termina na fazenda

Uma das reflexões mais importantes apresentadas durante o evento foi a de que as decisões tomadas dentro da propriedade rural são influenciadas, cada vez mais, pelo comportamento do consumidor.

O produtor precisa saber quais características o mercado procura.

O frigorífico precisa entender as exigências do varejo.

Os açougues acompanham as preferências dos clientes.

Os restaurantes identificam mudanças no consumo e conseguem transmitir essas informações para quem produz.

Esse fluxo de informações permite que decisões importantes sejam tomadas ainda no início da cadeia.

“O fundamental foi essa aproximação entre os elos. Entender melhor o que o próximo precisa e o que a gente consegue fazer lá no início para atender essa necessidade”, destacou Luis..

A carne de qualidade começa muito antes do abate

Entre os exemplos apresentados durante o Fórum está uma característica cada vez mais valorizada pelos consumidores: o marmoreio. O termo identifica a gordura distribuída entre as fibras musculares da carne, responsável por proporcionar mais maciez, sabor e suculência durante o preparo.

Segundo Luis, quando o consumidor passa a procurar esse diferencial, a informação precisa chegar até quem seleciona os animais.

“Se o consumidor final está pedindo marmoreio, o produtor lá no início tem que começar a selecionar essa característica.”

Isso significa que a valorização da carne começa muito antes do frigorífico. Ela nasce na escolha da genética, passa pelo manejo dos animais, pelo sistema de produção, pelo processamento industrial, pelo varejo e chega aos restaurantes antes de alcançar o consumidor.

Um encontro que aproximou quem raramente conversa

Outro aspecto destacado por Luis foi a oportunidade de promover conversas que dificilmente aconteceriam no dia a dia.

Durante o evento, empresários da gastronomia puderam explicar diretamente aos produtores quais características procuram na carne servida aos clientes.

Da mesma forma, produtores apresentaram como acontece a seleção genética e o trabalho desenvolvido nas propriedades.

Segundo ele, um dos proprietários de um restaurante de referência em Caxias do Sul conversou diretamente com criadores sobre as características desejadas nos animais, permitindo uma troca de informações que beneficia toda a cadeia.

Esse tipo de contato reduz distâncias entre campo e mercado e facilita a construção de relações comerciais mais próximas e eficientes.

Consumidores mais exigentes impulsionam toda a cadeia

Outro ponto defendido durante o Fórum é que a valorização da carne passa também pela informação.

Na medida em que o consumidor conhece melhor as diferenças entre genética, qualidade e características dos cortes, aumenta sua capacidade de reconhecer produtos diferenciados.

Para Luis Della Giustina, esse processo cria um ciclo positivo.

“O consumidor vai ficando mais exigente para essa qualidade. Se a gente educar o consumidor para buscar o que é melhor, ele vai querer mais.”

Segundo ele, quando a procura por carnes de maior qualidade cresce, toda a cadeia é beneficiada.

O aumento da demanda incentiva investimentos em genética, seleção e manejo, agregando valor ao produto desde sua origem.

A nova pecuária olha além da porteira

O Fórum da Carne também deixou evidente uma mudança que vem ganhando força nos Campos de Cima da Serra.

Cada vez mais produtores compreendem que o sucesso da atividade depende não apenas da eficiência dentro da propriedade, mas também da capacidade de entender o mercado, dialogar com a indústria, ouvir o varejo e acompanhar as tendências de consumo.

Essa nova geração de produtores participa cada vez mais de eventos técnicos, busca conhecimento, acompanha a evolução da genética e entende que produzir carne de qualidade é apenas parte do processo.

É preciso conhecer quem compra, quem vende e quem transforma o produto em experiência gastronômica.

Essa visão amplia o papel do produtor rural e fortalece toda a cadeia da carne.

Opinião do Diário: o maior legado ficou nas conexões criadas

Mais do que reunir especialistas, o Fórum da Carne comprovou que o futuro da pecuária passa pela integração entre todos os seus participantes, todos os elos.

Ao colocar produtores, genética, frigorífico, varejo e gastronomia na mesma mesa, o evento aproximou setores que, durante muito tempo, trabalharam de forma isolada. O conhecimento deixou de percorrer apenas um caminho. Um verdadeiro ganha-ganha.

Foi justamente essa conexão: do pasto ao prato e do prato de volta à fazenda que transformou o encontro realizado em Vacaria em um marco para a pecuária dos Campos de Cima da Serra e em um exemplo de como a união entre os elos pode fortalecer toda a cadeia produtiva.

Flash do Diário

  • O Fórum da Carne em Vacaria promoveu a integração entre produtores, frigoríficos, varejo e gastronomia, destacando a importância da colaboração na cadeia produtiva.
  • O evento abriu espaço para um diálogo que permitiu que diferentes setores compartilhassem desafios e propostas, buscando soluções conjuntas.
  • Consumidores mais exigentes influenciam a qualidade da carne, levando toda a cadeia a buscar melhorias constantes desde a genética até a mesa do cliente.
  • A nova pecuária exige que os produtores compreendam o mercado e se comuniquem com todos os elos envolvidos, fortalecendo o setor como um todo.
  • O maior legado do Fórum foi a criação de conexões entre todos os participantes, transformando o encontro em um marco para a pecuária regional.

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