Skip to main content
CSG

Como um programa do PROADI-SUS implantado no HNSO em Vacaria pode ter salvado 27 vidas

Protocolos adotados na UTI reduziram infecções, evitaram complicações e impediram quase R$ 1 milhão em despesas adicionais

Um programa nacional de qualificação da assistência, implantado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Nossa Senhora da Oliveira (HNSO), em Vacaria, pode ter contribuído para salvar 27 vidas. A estimativa foi apresentada pela direção técnica do hospital a partir da redução das infecções relacionadas aos cuidados de saúde durante o ciclo 2024–2026.

O trabalho faz parte do Saúde em Nossas Mãos, projeto do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, o PROADI-SUS. Na prática, a iniciativa leva conhecimento, protocolos e métodos utilizados por hospitais de excelência para instituições públicas e filantrópicas que atendem pacientes do SUS.

No HNSO, a UTI passou a revisar procedimentos, capacitar profissionais, acompanhar indicadores e corrigir pontos de risco. Essa sequência de ações permitiu zerar, desde 2025, as infecções da corrente sanguínea associadas ao uso de cateter venoso central e reduzir em 81% as pneumonias relacionadas à ventilação mecânica.

Os resultados locais são coletados pela equipe do HNSO e, conforme informou a instituição, validados pelo Hospital Moinhos de Vento, responsável pelo acompanhamento técnico de Vacaria neste ciclo do programa.

Como as ações podem ter preservado vidas

Pacientes internados em uma UTI frequentemente precisam de procedimentos invasivos. Entre eles estão o cateter venoso central, utilizado para administrar medicamentos e outras substâncias diretamente na corrente sanguínea; a ventilação mecânica, que auxilia a respiração; e a sonda urinária.

Esses dispositivos são fundamentais ao tratamento, mas também podem elevar o risco de infecção. Por isso, o Saúde em Nossas Mãos trabalha sobre três frentes: infecção da corrente sanguínea associada a cateter, pneumonia associada à ventilação mecânica e infecção do trato urinário relacionada ao uso de sonda.

A lógica do programa conecta cada ação ao resultado: a equipe identifica os riscos, padroniza os cuidados, recebe treinamento, aplica os protocolos, acompanha os indicadores e modifica os processos que ainda apresentam fragilidades. Com menos contaminações, diminuem as infecções graves, as complicações e o risco de morte.

É dentro dessa cadeia de prevenção que o HNSO calcula ter evitado 27 mortes. O número não significa que 27 pacientes específicos tenham sido identificados como pessoas que certamente morreriam. Trata-se de uma estimativa técnica produzida a partir da quantidade de infecções que potencialmente deixaram de ocorrer e do risco de morte associado a essas complicações.

Infecção sanguínea associada a cateter foi zerada

Quando o projeto começou, a UTI do HNSO apresentava índice de 3,47 para infecções da corrente sanguínea associadas ao cateter. A meta era reduzir o indicador pela metade, chegando a 1,7.

Segundo os dados apresentados pelo hospital, a unidade não registra nenhum caso desde 2025. Com isso, a redução chegou a 100% e superou a meta inicialmente estabelecida.

Outro avanço ocorreu nas pneumonias associadas à ventilação mecânica. O indicador inicial era de 13,8 e a meta era chegar a 6,5. A redução alcançada pelo hospital foi de 81%.

O terceiro indicador, relacionado às infecções urinárias associadas à sonda, ainda exige atenção. O HNSO começou com índice de 1,5, abaixo da média nacional apresentada pelo projeto, e deveria chegar a 0,7.

Nos dados consolidados até março de 2026, a meta ainda não havia sido alcançada. A direção técnica informou, porém, que os registros posteriores apresentavam redução e já se aproximavam do objetivo, embora ainda não estivessem consolidados.

Quase R$ 1 milhão em despesas adicionais evitadas

Além de colocar a vida do paciente em risco, uma infecção adquirida durante a internação pode prolongar o tratamento e exigir novos medicamentos, exames e procedimentos.

Conforme os valores apresentados pelo HNSO, uma infecção urinária associada à sonda pode acrescentar aproximadamente R$ 34 mil ao custo da internação. Uma infecção respiratória relacionada à ventilação mecânica representa cerca de R$ 40 mil, enquanto uma infecção da corrente sanguínea associada a cateter pode gerar R$ 26 mil em despesas adicionais.

Considerando os casos potencialmente evitados, o hospital estima que R$ 958.227,72 deixaram de ser acrescentados aos custos das internações ao longo do projeto.

O valor não representa dinheiro recebido ou acumulado pelo HNSO. Ele corresponde às despesas que poderiam ter ocorrido caso os pacientes desenvolvessem as infecções prevenidas pelos novos protocolos.

Projeto alcança 276 UTIs no Brasil

Os resultados de Vacaria fazem parte de um trabalho de alcance nacional. De acordo com os números apresentados pelo HNSO, o ciclo 2024–2026 do Saúde em Nossas Mãos está presente em 26 unidades da Federação, 194 cidades, 275 hospitais e 276 UTIs. Ao todo, 3.473 leitos de terapia intensiva são avaliados.

Nos dados nacionais consolidados até março de 2026, o índice de infecção da corrente sanguínea associada a cateter caiu de 4,4 para 2,8, uma redução de 36,4%. Nas infecções urinárias associadas à sonda, o indicador passou de 2,8 para 1,3, diminuição de 54%. Nas pneumonias relacionadas à ventilação mecânica, houve queda de 11,8 para 7,2, equivalente a 37,9%.

Somados os três tipos de infecção, o índice geral recuou de 5,4 para 3,3, redução de 38,9%. A meta nacional era diminuir os indicadores pela metade. Ela foi superada nas infecções urinárias, enquanto os outros dois grupos apresentaram avanços, mas ainda não haviam alcançado os objetivos definidos.

Segundo a apresentação feita pelo hospital, o projeto havia evitado uma estimativa de 2.872 infecções no país. A prevenção representaria aproximadamente R$ 230,3 milhões em despesas hospitalares adicionais evitadas.

O que é o PROADI-SUS

Criado em 2009, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde reúne o Ministério da Saúde e hospitais de referência sem fins lucrativos.

Participam do programa o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Hcor, o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Moinhos de Vento e o Hospital Sírio-Libanês.

Os projetos são desenvolvidos em áreas como capacitação de profissionais, pesquisa, avaliação e incorporação de tecnologias, gestão, segurança do paciente e assistência especializada.

O PROADI-SUS não funciona, neste caso, como um repasse convencional de dinheiro diretamente ao HNSO. Os hospitais de excelência aplicam em projetos aprovados pelo Ministério da Saúde valores correspondentes à imunidade tributária de contribuições como PIS, Cofins e cota patronal do INSS.

O benefício chega ao hospital participante principalmente por meio da transferência de conhecimento, capacitação das equipes, acompanhamento técnico, implantação de metodologias e validação dos resultados.

Segundo o portal dos hospitais participantes, entre 2009 e 2022 foram aplicados aproximadamente R$ 7,9 bilhões em cerca de 750 projetos voltados ao fortalecimento do SUS.

O HNSO dentro do programa

O Hospital Nossa Senhora da Oliveira está participando pela terceira vez de um projeto do PROADI-SUS. Nas duas experiências anteriores, recebeu acompanhamento do Hospital Israelita Albert Einstein. No ciclo atual, a instituição é acompanhada pelo Hospital Moinhos de Vento.

A coordenação local do Saúde em Nossas Mãos é formada pelo diretor técnico do HNSO, médico Flávio Luiz Neri; pelo enfermeiro Juliano, responsável pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar; e pela enfermeira Sheila, responsável pela UTI.

A unidade possui dez leitos e registra aproximadamente 600 internações por ano, média de 50 pacientes por mês. Por meio da regulação de leitos, recebe moradores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Durante a apresentação, o hospital informou que havia pacientes de municípios como Lagoa Vermelha, Nova Prata e Canela. Em um dos dias citados, seis dos dez leitos eram ocupados por pessoas de outras cidades.

Isso faz com que o resultado alcançado na prevenção de infecções ultrapasse os limites de Vacaria e beneficie famílias de diferentes municípios atendidos pelo HNSO.

Da UTI para outros setores do hospital

O ciclo atual do Saúde em Nossas Mãos termina em 2026, mas os protocolos e o conhecimento adquirido deverão permanecer na instituição.

A UTI funcionou como um projeto-piloto, onde os métodos puderam ser implantados, avaliados e corrigidos. Agora, o HNSO começou a levar uma experiência semelhante para a emergência, considerada outro setor crítico devido ao volume e à complexidade dos atendimentos.

A intenção é ampliar gradualmente o aprendizado para outras áreas. Essa expansão exige tempo, treinamento e adaptação, especialmente em uma instituição com aproximadamente 500 funcionários e setores com características diferentes.

Os resultados mostram que a estimativa de 27 vidas salvas não surgiu de uma medida isolada. Ela está ligada a uma sequência permanente de trabalho: qualificar profissionais, padronizar procedimentos, utilizar materiais adequados, acompanhar os dados, reconhecer fragilidades e corrigir os processos.

Ao transformar conhecimento em cuidados realizados todos os dias, o programa demonstra como uma política pública nacional pode produzir resultados concretos dentro de um hospital do interior: menos infecções, menos despesas adicionais e mais possibilidades de os pacientes voltarem para casa.

Fontes: dados apresentados pelo Hospital Nossa Senhora da Oliveira e informações institucionais dos hospitais participantes do PROADI-SUS.

Flash Diário

  • O programa do PROADI-SUS no HNSO reduziu infecções e complicações, salvando 27 vidas estimadas entre 2024 e 2026.
  • Na UTI, protocolos bem estruturados eliminaram infecções na corrente sanguínea e reduziram pneumonia em 81%.
  • A iniciativa evitou quase R$ 1 milhão em despesas hospitalares adicionais ao prevenir infecções graves.
  • O projeto está presente em 276 UTIs no Brasil, com resultados nacionais mostrando reduções significativas nas infecções.
  • A experiência bem-sucedida na UTI será expandida para outros setores do hospital, melhorando ainda mais a qualidade da assistência.

HNSO, Nossas Mãos, PROADI-SUS, saúde, UTI

Anúncios
Estudio

– O Diário de Vacaria é Nosso! Participe enviando pelo WhatsApp sua notícia –

Seja bem vindo(a) ao Diário de Vacaria - Acompanhe nossas publicações diariamente.