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Do lado de fora e de dentro do presídio: operação da DRACO de Vacaria mostra mais uma face do combate ao crime organizado

Investigação da DRACO levou ao cumprimento de mandados, à revista completa da Penitenciária Estadual de Vacaria e à transferência de três lideranças

Crimes executados nas ruas podem ter sido planejados ou ordenados de dentro de uma prisão. Para identificar essa ligação, a investigação precisa avançar sobre toda a estrutura criminosa: de quem executa as ações do lado de fora até quem exerce liderança, organiza funções ou transmite ordens de dentro do sistema prisional.

Foi nesse contexto que uma investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Vacaria levou à realização de uma operação na Penitenciária Estadual de Vacaria, a partir das 5h30 da última segunda-feira, 15 de junho.

A ação resultou em uma revista completa no estabelecimento prisional e no cumprimento de mandados de busca solicitados pela DRACO e deferidos pela Justiça.

As medidas fazem parte de uma investigação sobre crimes que estariam sendo ordenados por lideranças recolhidas na penitenciária, entre eles roubos e outras práticas criminosas.

Realidade agora: Conforme consulta realizada nesta quarta-feira, 17 de junho, às 10h08, a Penitenciária Estadual de Vacaria abrigava 272 pessoas privadas de liberdade, sendo 249 homens e 23 mulheres.

A investigação procura alcançar toda a estrutura criminosa

A DRACO é uma unidade especializada da Polícia Civil voltada à investigação e à repressão de organizações criminosas e de crimes que exigem apurações mais complexas.

Em Vacaria, a delegacia é comandada pelo delegado Gustavo Costa do Amaral. A unidade integra a estrutura da 25ª Delegacia de Polícia Regional do Interior, que tem como titular o delegado Carlos Alberto Defaveri.

O trabalho procura identificar não apenas quem pratica diretamente um crime, mas também quem exerce liderança, transmite as ordens, fornece apoio, movimenta valores ou desempenha outras funções dentro da organização investigada.

A apuração começa com os fatos registrados fora do sistema prisional. A partir das informações, provas e vínculos encontrados, os investigadores buscam compreender como os crimes foram planejados e qual foi a participação de cada envolvido.

Quando surgem indícios de que pessoas privadas de liberdade continuam comandando ou articulando ações criminosas, a investigação passa a alcançar também o interior do presídio.

Foi dessa forma que o trabalho da DRACO chegou à Penitenciária Estadual de Vacaria e resultou no pedido dos mandados de busca posteriormente autorizados pela Justiça.

Da investigação nas ruas à busca dentro do presídio

A operação mostra uma parte da engrenagem utilizada pela segurança pública no enfrentamento ao crime organizado.

Do lado de fora, a Polícia Civil investiga os crimes, analisa as ligações entre os envolvidos, identifica possíveis lideranças e reúne os elementos necessários para solicitar medidas judiciais.

Dentro do sistema prisional, o cumprimento dessas medidas exige equipes preparadas para trabalhar em um ambiente controlado, com regras e riscos próprios.

Participaram da ação além da DRACO, integrantes do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) e do Canil da 7ª Região Penitenciária, além de servidores da própria Penitenciária Estadual de Vacaria.

Essas equipes realizaram a intervenção e deram suporte à revista completa das dependências do estabelecimento prisional.

A presença do Canil acrescentou à operação o trabalho dos cães treinados para auxiliar nas buscas, enquanto o GIR atuou na segurança e no controle do ambiente. Os servidores da unidade participaram com o conhecimento da estrutura e da rotina da penitenciária.

Revista completa na unidade

A revista foi realizada para cumprir as medidas determinadas pela Justiça e localizar possíveis elementos relacionados à investigação conduzida pela DRACO.

O Grupo de Intervenção Rápida é preparado para atuar em revistas, intervenções, escoltas e situações que exigem maior controle dentro dos estabelecimentos prisionais.

A operação ocorreu em uma unidade que abrigava 272 pessoas privadas de liberdade no momento da consulta feita pelo Diário de Vacaria. A dimensão da população prisional ajuda a demonstrar a estrutura necessária para realizar uma busca completa, mantendo o controle e a segurança do estabelecimento.

A atuação dentro da penitenciária não representa o início isolado de uma ação, mas uma etapa de uma investigação que já vinha sendo desenvolvida pela Polícia Civil.

Três lideranças foram transferidas

As investigações da DRACO também resultaram na transferência de três presos apontados como lideranças para estabelecimentos prisionais localizados na região central do Rio Grande do Sul.

A mudança retira essas pessoas do ambiente em que exerciam influência e busca dificultar e inibir a continuidade das ordens criminosas apuradas durante a investigação.

Outros três presos também foram transferidos, mas por atos de indisciplina registrados dentro do estabelecimento prisional.

Ao todo, seis presos deixaram a Penitenciária Estadual de Vacaria. Três transferências estão diretamente relacionadas às investigações da DRACO, enquanto as outras três ocorreram por questões disciplinares.

O crime organizado é enfrentado em diferentes frentes

A operação ajuda a compreender que o combate ao crime organizado não acontece apenas no momento de uma prisão ou no cumprimento de um mandado. Antes da entrada das equipes na penitenciária, houve o trabalho de investigação, identificação das relações entre os envolvidos, reunião de provas, solicitação das medidas e análise da Justiça.

Depois da autorização judicial, foi necessário mobilizar estruturas especializadas da Polícia Penal para que as buscas fossem realizadas dentro da unidade. Cada etapa cumpre uma função.

A investigação procura revelar como a organização atua. A Justiça analisa e autoriza as medidas. As equipes operacionais executam as buscas no ambiente prisional. As transferências, por sua vez, procuram reduzir a capacidade de influência das lideranças investigadas.

É essa sequência que permite à segurança pública atuar nos dois lados dos muros: investigando os crimes cometidos nas ruas e alcançando também as pessoas que, mesmo privadas de liberdade, continuariam participando de sua organização.

DRACO, Polícia Civil, Polícia Penal

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