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CSG

No meio da crise por falta de vagas nos presídios do RS um retrato dos presos de Vacaria

A realidade do sistema prisional no Rio Grande do Sul atravessa um momento desafiador.

Enquanto o Estado avança com obras e investimentos em novas estruturas penitenciárias desde 2019, o peso de décadas de falta de investimentos em casas penais ainda impacta diretamente o funcionamento da segurança pública.

Esse passivo histórico faz com que, em determinados momentos, policiais militares e civis precisem ser deslocados de suas funções tradicionais para atuar em tarefas ligadas à custódia de presos ou em unidades prisionais que eventualmente conseguem abrir novas vagas no sistema.

A situação evidencia um sistema que ainda busca equilíbrio entre a necessidade de ampliar a estrutura carcerária e a realidade cotidiana da segurança pública.

Nesse contexto, compreender quem são as pessoas que estão privadas de liberdade também ajuda a entender a dimensão social do problema.

É acompanhando esse cenário que o Diário de Vacaria monitora o tema e apresenta à população um retrato da população carcerária local.

Os dados revelam o perfil das 279 pessoas que atualmente cumprem pena no Presídio Estadual de Vacaria.

A predominância masculina dentro da unidade

O levantamento mostra que a população carcerária da unidade é formada majoritariamente por homens. Dos 279 presos registrados, 255 são do sexo masculino e 24 são mulheres.

Isso representa cerca de 91,4% de homens e 8,6% de mulheres. A predominância masculina é uma característica comum nas unidades prisionais brasileiras, refletindo também padrões observados em estatísticas nacionais.

Os números ajudam a contextualizar a dimensão do sistema carcerário local e oferecem uma visão mais concreta sobre quem são as pessoas que hoje estão privadas de liberdade no município.

Idade mostra concentração entre adultos jovens

Outro aspecto relevante identificado no levantamento é a faixa etária predominante entre os presos. A maior concentração está entre adultos.

A faixa entre 35 e 45 anos reúne o maior número de detentos, com 78 pessoas, o que representa 28% da população carcerária do presídio.

Logo depois aparece o grupo entre 25 e 29 anos, com 57 presos, equivalente a 20,4%. Já na faixa entre 30 e 34 anos estão 51 pessoas privadas de liberdade, correspondendo a 18,3%.

Entre os mais jovens, de 18 a 24 anos, o presídio registra 41 detentos, cerca de 14,7%. A faixa entre 46 e 60 anos soma 43 pessoas, o que representa 15,4% do total.

Acima dos 60 anos estão 9 detentos, representando 3,2% da população carcerária. Os dados indicam que a maior parte dos presos está concentrada entre os 25 e os 45 anos.

Raça e etnia dos presos

Os dados também apresentam a distribuição racial declarada pelos detentos. A maioria das pessoas privadas de liberdade no presídio de Vacaria se identifica como branca.

São 162 pessoas nessa categoria, o que representa 58,1% da população carcerária. Em seguida aparecem os detentos que se declaram pardos, com 88 pessoas, correspondendo a 31,5%.

Entre os que se identificam como pretos estão 24 presos, representando 8,6% do total.

Também aparecem registros menores de outras etnias. Dois detentos se declararam amarelos, o que representa 0,7%, e três se identificaram como indígenas, correspondendo a 1,1% da população prisional.

Mais da metade possui filhos

Outro dado importante diz respeito à presença de vínculos familiares. O levantamento mostra que 59,5% das pessoas privadas de liberdade possuem filhos.

Já 40,5% declararam não ter filhos. A presença de laços familiares costuma ser observada em estudos sobre sistema penitenciário, especialmente quando se discute políticas de reintegração social após o cumprimento da pena.

Esses vínculos indicam que o impacto da prisão muitas vezes se estende para além do indivíduo, alcançando também suas famílias.

Escolaridade revela predominância de ensino básico

O nível de instrução dos detentos também foi analisado. Entre os presos do Presídio Estadual de Vacaria, o maior grupo está entre aqueles que possuem ensino fundamental completo.

São 52 pessoas nessa condição, representando 18,6% do total. Outros 45 detentos possuem ensino médio incompleto, o que corresponde a 16,1%.

Entre os que concluíram o ensino médio estão 21 pessoas, representando 7,5% da população carcerária.

Também aparecem registros de escolaridade mais baixa. Sete presos são apenas alfabetizados, correspondendo a 2,5%, enquanto quatro se declararam analfabetos, representando 1,4%.

Entre os níveis de ensino superior, seis presos possuem graduação incompleta, equivalente a 2,2%, e dois concluíram o ensino superior, representando 0,7%.

Os dados mostram que a maior parte dos detentos possui escolaridade ligada ao ensino básico.

Religião aparece como referência entre os detentos

A religião também aparece como um elemento presente na vida dos presos. Entre os detentos do presídio de Vacaria, a maioria declarou ser católica.

São 161 pessoas nessa categoria. O segundo maior grupo é formado por evangélicos, com 47 presos.

Outros 34 detentos declararam não possuir religião. O levantamento também aponta 26 casos em que a religião não foi informada.

Também aparecem registros menores de outras crenças. Três presos declararam seguir a Umbanda, sete indicaram outras religiões e um se identificou como adventista.

Os crimes que mais aparecem entre os presos

Os dados sobre a tipificação penal das pessoas privadas de liberdade no Presídio Estadual de Vacaria mostram que os enquadramentos criminais mais recorrentes estão ligados principalmente ao tráfico de drogas e aos crimes contra o patrimônio. Entre as tipificações identificadas no levantamento aparecem:

  • Tráfico de drogas: 134
  • Roubo qualificado: 127
  • Furto qualificado: 73
  • Roubo simples: 37
  • Furto simples: 35
  • Associação para o tráfico: 27
  • Estupro de vulnerável: 13
  • Receptação: 13
  • Latrocínio: 11
  • Homicídio simples: 9
  • Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido: 8
  • Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito: 8
  • Estupro: 7
  • Violação a dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente: 5
  • Lesão corporal: 4
  • Quadrilha ou bando: 1

É importante destacar que um mesmo preso pode possuir mais de uma tipificação penal registrada. Por isso, os números representam a quantidade de enquadramentos criminais identificados no levantamento e não necessariamente o total de pessoas presas por cada tipo de crime.

Um retrato da realidade prisional local

Os dados apresentados não tratam das circunstâncias das prisões ou dos crimes cometidos. O objetivo do levantamento é mostrar o perfil social das pessoas que atualmente cumprem pena na unidade prisional do município.

A partir dessas informações, é possível observar características predominantes entre a população carcerária local, como a concentração de homens adultos, presença de vínculos familiares e níveis educacionais majoritariamente ligados ao ensino básico.

Em um cenário em que o sistema penitenciário ainda enfrenta desafios estruturais no Estado, conhecer esse perfil ajuda a ampliar o entendimento público sobre quem são as pessoas que hoje estão privadas de liberdade em Vacaria.

O acompanhamento desses dados também faz parte do trabalho de monitoramento realizado pelo Diário de Vacaria sobre a realidade do sistema prisional e seus impactos na sociedade.

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