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CSG

Violência contra a mulher: o que revelam os registros policiais de Vacaria?

Especial Diário de Vacaria | Parte 03 de 10 — Suas cores. Sua liberdade.

Dados oficiais revelam ameaças, agressões, perseguições e descumprimentos de medidas protetivas. Saiba como a Polícia Civil atua no acolhimento e na investigação.

A violência contra a mulher nem sempre deixa marcas visíveis. Pode começar com uma ameaça, uma perseguição ou uma tentativa de controlar a vida de alguém.

Em Vacaria, o Diário de Vacaria analisou os dados abertos da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul para compreender melhor a dimensão dos registros policiais envolvendo vítimas femininas. E estes dados nos próximos dias serão ainda mais ampliados com apoio da DPGV – Delegacia de Proteção a Grupos Vulneráveis de Vacaria que faz um excelente trabalho mesmo com muitas demandas.

Entre janeiro e agosto de 2026, foram identificadas 4.200 ocorrências de todas as naturezas no município.

Em 1.793 delas havia pelo menos uma vítima do sexo feminino.

A partir desse conjunto, selecionamos dez tipos de ocorrências relacionadas a ameaças, agressões, perseguições e outras situações que merecem atenção.

O resultado foi de 905 registros.

Esses números não significam 905 mulheres diferentes nem comprovam que todos os fatos tenham ocorrido em contexto doméstico.

Quais ocorrências aparecem com maior frequência?

Tipo de ocorrênciaRegistros
Ameaça309
Lesão corporal157
Vias de fato108
Descumprimento de medida protetiva90
Perturbação do sossego60
Perseguição59
Violência psicológica contra mulher49
Injúria31
Dano25
Difamação17
Total selecionado905

As ameaças aparecem em primeiro lugar na seleção, seguidas das lesões corporais e das vias de fato.

Vias de fato são situações de agressão física que não necessariamente deixam lesões corporais constatadas, como certos empurrões ou tapas.

Já perseguição, injúria e violência psicológica podem atingir a segurança, a liberdade e a dignidade da mulher sem produzir marcas no corpo.

Uma outra perspectiva ainda mais monitorada

A SSP-RS monitora dentro destes 905 registros, com atenção redobrada 265 registros em cinco indicadores específicos de violência contra a mulher em Vacaria, entre janeiro e setembro de 2026.

Nesse recorte foram contabilizados 152 registros de ameaça, 102 de lesão corporal, seis de estupro, cinco tentativas de feminicídio e nenhum feminicídio consumado.

O que acontece quando uma mulher procura a delegacia?

Em Vacaria, a Polícia Civil conta com a Sala das Margaridas, inaugurada em 2021 na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento.

O espaço busca proporcionar atendimento reservado às mulheres em situação de violência. No entanto, existem também 3 outras salas onde os inspetores diariamente realizam essa atividade, registrando dados, informações que se consolidam em inquéritos.

Em 13/10/2026, a realidade de Vacaria no ano atual demonstrava o quanto o trabalho é intenso: até o mês de setembro estavam instaurados 595 inquéritos. Destes, 559 remetidos.

Ou seja, mesmo havendo um alto volume de registros em Vacaria o trabalho de apuração se mantém próximo ao volume de registros realizados evidenciando a resposta da Polícia Civil que investiga os fatos, reúne provas e apura as responsabilidades.

A mulher vítima de violência pode relatar o que aconteceu, apresentar informações, registrar a ocorrência e vai assim receber orientações sobre os encaminhamentos necessários.

Conforme a situação, também podem ser encaminhados pedidos de medidas protetivas à Justiça.

Não é necessário que a violência tenha ocorrido entre marido e esposa. Situações de violência familiar ou outros crimes contra mulheres também podem exigir investigação, observadas as regras legais aplicáveis.

A denúncia é uma porta de entrada

Registrar a violência permite documentar os fatos e iniciar providências policiais.

Mas a proteção pode exigir o trabalho conjunto de outras instituições: Justiça, Ministério Público, Brigada Militar e serviços municipais de acolhimento.

Uma ameaça não deve ser ignorada apenas porque ainda não houve agressão física.

Cinco informações úteis sobre a Polícia Civil

  1. Atendimento em Vacaria: a Sala das Margaridas integra a estrutura da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento.
  2. Registro: mulheres podem comunicar ameaças, agressões, perseguição e outras situações de violência.
  3. Provas: mensagens, imagens, documentos e relatos podem ajudar a investigação.
  4. Atendimento digital: o Estado possui a Delegacia Online, conforme as modalidades disponíveis.
  5. Emergência: quando a violência estiver acontecendo ou houver perigo imediato, acione 190.

Fontes

Leia a Série Especial:

Especial Diário de Vacaria – A informação é uma forma de proteção

O Diário de Vacaria criou a série especial sobre violência contra a mulher para informar, conscientizar e mostrar como funciona a rede de proteção. Nossa identidade visual reúne diversas cores, cada uma representando uma voz que contribui para prevenir a violência, acolher, proteger e ajudar as mulheres a reconstruir suas vidas. Juntas, essas cores formam um guarda-chuva, símbolo do amparo oferecido por pessoas e instituições quando chegam as tempestades da vida.

A frase “Toda vez que choveu, parou” representa uma mensagem de esperança: por mais difícil que seja a situação, existe a possibilidade de superar o sofrimento e recomeçar. Mas ninguém precisa esperar a tempestade passar sozinho. A proteção deve estar presente enquanto ela acontece, porque toda mulher merece respeito, segurança e liberdade.

Campos de Cima da Serra, Vacaria


Lucas Barp

Lucas Barp é fundador e diretor do Jornal On-line Diário de Vacaria. Atua na produção e apresentação de conteúdos sobre Vacaria e os Campos de Cima da Serra, com foco em notícias locais, serviços, estradas e histórias da região. Tem formação em Gestão de Empresas pela UCS e MBA em Gestão da Saúde pela Feevale. Fundou o Diário de Vacaria em 2003 e liderou a retomada do projeto em 2023.

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