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CSG

Como a Prefeitura pretende dividir R$ 458 milhões em 2027 e o que mudou em relação a 2026

Proposta aumenta em 13,11% a previsão do orçamento de Vacaria. Obras e Habitação ganham espaço, Educação praticamente mantém o valor e quatro áreas têm redução.

A Prefeitura de Vacaria estima que terá R$ 458.035.167,22 para manter os serviços públicos, pagar servidores, realizar obras e executar programas em 2027.

A previsão é R$ 53,1 milhões maior do que a apresentada para 2026, quando o orçamento projetado era de R$ 404,9 milhões. O crescimento corresponde a 13,11%.

O aumento, porém, não será dividido igualmente. Obras e Habitação ganham participação, enquanto Educação praticamente mantém o mesmo valor. Assistência Social, Agricultura e Meio Ambiente, Cultura e Turismo e Desenvolvimento Econômico apresentam redução.

Os números fazem parte da proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias, a LDO, apresentada em audiência pública. É esse documento que começa a mostrar quanto a Prefeitura espera arrecadar e quais áreas deverão ser priorizadas no ano seguinte.

O que esses números significam

Popularmente, a LDO pode ser entendida como uma primeira organização do orçamento do próximo ano.

A Prefeitura calcula quanto poderá arrecadar e indica como pretende distribuir os recursos. Depois, esses números serão detalhados na Lei Orçamentária Anual, a LOA, que autoriza os gastos de cada programa e ação.

Portanto, os R$ 458 milhões ainda não estão disponíveis no caixa. Trata-se de uma previsão que precisa passar pela Câmara de Vereadores e que dependerá da arrecadação efetiva durante 2027.

A proposta está organizada em 16 órgãos e 43 programas.

Quanto cada área deverá receber em 2027

A comparação mostra que Saúde terá o maior valor entre as 14 áreas analisadas, seguida por Educação e Obras.

ÁreaPrevisão para 2026Previsão para 2027DiferençaVariação
1SaúdeR$ 117.017.000,00R$ 128.443.700,15+R$ 11.426.700,15+9,76%
2EducaçãoR$ 124.411.000,00R$ 124.550.292,52+R$ 139.292,52+0,11%
3ObrasR$ 44.062.000,00R$ 68.733.187,06+R$ 24.671.187,06+55,99%
4Gestão e FinançasR$ 31.462.000,00R$ 35.738.010,35+R$ 4.276.010,35+13,59%
5Segurança PúblicaR$ 20.804.000,00R$ 21.767.164,82+R$ 963.164,82+4,63%
6HabitaçãoR$ 5.768.000,00R$ 16.512.686,13+R$ 10.744.686,13+186,28%
7Assistência SocialR$ 15.843.000,00R$ 15.226.540,75−R$ 616.459,25−3,89%
8Agricultura e Meio AmbienteR$ 7.231.000,00R$ 6.940.731,01−R$ 290.268,99−4,01%
9Esporte e LazerR$ 4.647.000,00R$ 5.159.655,35+R$ 512.655,35+11,03%
10Cultura e TurismoR$ 5.366.453,00R$ 3.913.915,27−R$ 1.452.537,73−27,07%
11PlanejamentoR$ 2.826.000,00R$ 2.840.443,89+R$ 14.443,89+0,51%
12Procuradoria-GeralR$ 2.524.000,00R$ 2.709.203,95+R$ 185.203,95+7,34%
13Desenvolvimento EconômicoR$ 2.610.000,00R$ 2.550.742,05−R$ 59.257,95−2,27%
14GovernoR$ 1.307.000,00R$ 1.757.284,95+R$ 450.284,95+34,45%
Total do orçamentoR$ 404.935.366,00R$ 458.035.167,22+R$ 53.099.801,22+13,11%

Os valores de 2026 apresentados por área foram arredondados. O total corresponde ao orçamento municipal completo. Além das 14 áreas comparadas na tabela, ele também inclui a Câmara Municipal e o Gabinete do Prefeito.

Obras apresenta o maior aumento em dinheiro

A área de Obras passa de R$ 44,06 milhões para R$ 68,73 milhões. São R$ 24,67 milhões a mais, o maior aumento em valores absolutos entre as áreas comparadas.

Com isso, a participação de Obras no orçamento municipal sobe de 10,88% para 15%.

Habitação apresenta o maior crescimento proporcional. O valor passa de R$ 5,76 milhões para R$ 16,51 milhões, uma alta de 186,28%.

A participação da área aumenta de 1,42% para 3,60% do orçamento.

Financiamento ajuda a explicar o crescimento

Parte dos aumentos de Obras e Habitação está relacionada a uma operação de crédito planejada em R$ 35 milhões.

Conforme a apresentação, a intenção é destinar R$ 20 milhões para Obras e R$ 15 milhões para Habitação. Entre os projetos mencionados está a Perimetral Norte.

Operação de crédito significa financiamento. O recurso não é uma arrecadação comum do município e foi aprovado pela Câmara de Vereadores em 2026.

Como mudou o peso de cada área

Além de comparar os valores, é necessário observar quanto cada área representa dentro de todo o orçamento.

Uma secretaria pode receber mais dinheiro e, mesmo assim, perder participação. Isso ocorre quando seu aumento é menor do que o crescimento do orçamento municipal.

1Saúde28,90%28,00%−0,90 ponto percentual
2Educação30,72%27,20%−3,52 pontos percentuais
3Obras10,88%15,00%+4,12 pontos percentuais
4Gestão e Finanças7,77%7,80%+0,03 ponto percentual
5Segurança Pública5,14%4,80%−0,34 ponto percentual
6Habitação1,42%3,60%+2,18 pontos percentuais
7Assistência Social3,91%3,30%−0,61 ponto percentual
8Agricultura e Meio Ambiente1,79%1,50%−0,29 ponto percentual
9Esporte e Lazer1,15%1,10%−0,05 ponto percentual
10Cultura e Turismo1,33%0,90%−0,43 ponto percentual
11Planejamento0,70%0,60%−0,10 ponto percentual
12Procuradoria-Geral0,62%0,60%−0,02 ponto percentual
13Desenvolvimento Econômico0,64%0,60%−0,04 ponto percentual
14Governo0,32%0,40%+0,08 ponto percentual

Câmara Municipal e Gabinete do Prefeito não integram esse recorte. Por isso, os percentuais das 14 áreas não somam 100%.

Educação quase repete o valor de 2026

A Educação tinha previsão de R$ 124,41 milhões em 2026 e aparece com R$ 124,55 milhões para 2027.

O aumento é de apenas R$ 139,2 mil, equivalente a 0,11%. Como o orçamento total cresce 13,11%, a participação da Educação cai de 30,72% para 27,20%.

É a maior perda de participação entre as áreas analisadas.

Os 27,20% não devem ser confundidos com o mínimo constitucional de 25% para a Educação. O limite constitucional é calculado sobre uma base específica de impostos e transferências, e não sobre todo o orçamento municipal.

Saúde possui a maior previsão para 2027

A Saúde aparece com R$ 128.443.700,15 para 2027. São R$ 11,42 milhões a mais do que a previsão de 2026, crescimento de 9,76%.

Entre os valores apresentados estão R$ 56.131.713,73 para o hospital, R$ 12.501.013,85 para a UPA e R$ 12.200.779,43 para as unidades de saúde.

Mesmo recebendo mais recursos, a participação da Saúde recua de 28,90% para 28%, porque o orçamento municipal cresce em uma proporção maior.

Quatro áreas aparecem com previsão menor

Cultura e Turismo apresenta a maior redução. A previsão cai de R$ 5,36 milhões para R$ 3,91 milhões, diferença de R$ 1,45 milhão.

Assistência Social tem redução de R$ 616,4 mil. Agricultura e Meio Ambiente perde R$ 290,2 mil, enquanto Desenvolvimento Econômico apresenta R$ 59,2 mil a menos.

A redução na proposta não confirma, por si só, que determinado serviço será encerrado. O detalhamento dos programas, projetos e atividades deverá aparecer na Lei Orçamentária Anual.

Proposta reserva R$ 13 milhões para a Câmara

A Câmara Municipal não integra o recorte das 14 áreas porque pertence ao Poder Legislativo.

Para 2027, a previsão apresentada é de R$ 13.004.384,43, aproximadamente 2,8% do orçamento municipal.

O valor é formado por R$ 11.004.384,43 para a manutenção das atividades do Legislativo e R$ 2 milhões para ampliação ou reforma do prédio da Câmara.

Na Lei Orçamentária de 2026, o orçamento efetivamente aprovado para a Câmara foi de R$ 11.025.132,72. A diferença mostra por que a previsão inicial da LDO não deve ser tratada como valor definitivo.

A previsão aponta déficit ou sobra de dinheiro?

No documento apresentado, não há previsão de déficit nem de sobra. A receita líquida estimada e a despesa planejada possuem o mesmo valor: R$ 458.035.167,22.

Isso significa que o orçamento está equilibrado no papel.

O resultado real dependerá da arrecadação durante 2027. Se entrar menos dinheiro do que o previsto, a Prefeitura poderá precisar reduzir ou adiar despesas. Se a arrecadação superar a estimativa, o resultado poderá ser positivo.

De onde devem vir os R$ 458 milhões

A Prefeitura estima R$ 483.610.711,51 em receitas correntes, como impostos, taxas e transferências.

Também estão previstos R$ 25.561.937,09 em receitas de capital, categoria que pode incluir financiamentos, transferências para investimentos e venda de bens.

Desse conjunto são descontados R$ 51.137.481,38 em deduções legais, incluindo valores relacionados às transferências e à formação do Fundeb.

Após essas deduções, a receita líquida estimada fica em R$ 458.035.167,22.

O que acontece agora

A proposta seguirá para análise da Câmara. Os vereadores poderão discutir as prioridades, solicitar esclarecimentos e apresentar alterações dentro dos limites legais.

Depois da aprovação da LDO, a Prefeitura deverá apresentar a LOA de 2027. Esse será o documento responsável por detalhar quanto poderá ser gasto em cada programa, obra e serviço.

Somente durante a execução do orçamento será possível acompanhar quanto o município realmente arrecadou e quanto foi efetivamente aplicado em cada área.

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