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CSG

Tornozeleiras, celulares e alertas: como o RS busca proteger mulheres

Especial Diário de Vacaria | Parte 08 de 10 — Suas cores. Sua liberdade.

Um celular sobre uma mesa pode parecer um objeto comum.

Mas, para algumas mulheres, esse aparelho representa uma possibilidade de receber um alerta quando um agressor proibido de se aproximar entra em uma área de risco.

Essa tecnologia faz parte do Programa de Monitoramento de Agressores do Rio Grande do Sul.

O Diário de Vacaria procurou a Secretaria da Segurança Pública para compreender como funciona a estrutura estadual.

A resposta oficial trouxe informações sobre tornozeleiras eletrônicas, celulares destinados às mulheres, funcionamento da central e investimentos previstos. Entenda a realidade:

Quantas pessoas são acompanhadas pelo sistema?

A SSP-RS informou os seguintes números estaduais em outubro de 2026:

IndicadorQuantidade
Agressores monitorados com tornozeleira1.621
Mulheres protegidas na posição divulgada1.676
Mulheres atendidas pelo programa em 2026, até 15/10Mais de 2.278
Mulheres atendidas desde a implantação em 2023Mais de 3.800

Os números representam informações diferentes. A quantidade de mulheres atendidas durante o ano não é igual à quantidade protegida na data da divulgação. Os dados apresentados são estaduais.

Como funciona a tornozeleira eletrônica?

  • Quando o monitoramento é determinado judicialmente, o agressor pode passar a utilizar uma tornozeleira eletrônica.
  • A mulher protegida, mediante autorização judicial e se concordar, pode receber um smartphone com aplicativo ligado ao sistema.
  • O equipamento acompanha informações de localização e permite verificar situações incompatíveis com as restrições estabelecidas.
  • O objetivo é identificar aproximações proibidas e apoiar uma resposta de proteção.
  • O sistema não substitui a decisão judicial nem o atendimento policial.

O que acontece quando há uma aproximação proibida?

Segundo a SSP, o sistema emite um alerta para a central e para o aparelho da mulher.

A vítima também recebe uma ligação telefônica.

A central estadual funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

A operação envolve a participação da Brigada Militar.

O Diário de Vacaria solicitou esclarecimentos adicionais sobre o procedimento específico de comunicação entre a central estadual e as guarnições responsáveis por atender ocorrências em Vacaria. A resposta da SSP do Governo do RS merece destaque. A reportagem obteve um vídeo exclusivo registrando o alerta em funcionamento que está publicado em nosso instagram.

Mais de quatro milhões de acionamentos

A SSP informou que os equipamentos produziram mais de quatro milhões de acionamentos que vão desde alertas relacionados à bateria, perda de sinal, rompimento da cinta e outros eventos técnicos até tentativas de aproximação do agressor.

O Governo do Estado informou a contratação de 3 mil conjuntos de tornozeleiras e celulares, com investimento previsto de aproximadamente R$ 26 milhões.

Na comparação apresentada pela SSP, o número de agressores monitorados passou de 564 em 2025 para 1.621 na posição divulgada em 2026.

Isso representa aumento de aproximadamente 187% na quantidade monitorada.

Um ponto importante apurado junto ao Delegado Juliano Brasil Ferreira, titular do DPGV – Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis é sobre a disponibilidade das tornozeleiras.

O estado possui as tornolezeiras necessárias, entretanto, pelo alto custo do equipamento, delegacias do interior de Vacaria por exemplo, contam com a Delegacia Regional de Policia de Vacaria como referência para acessar as mesmas.

Caso Vacaria não possua disponibilidade imediata a disponibilidade é encontrada em outra regional. Evitando assim custos desnecessários ao estado.

Tecnologia para tentar antecipar riscos

O Rio Grande do Sul também utiliza um modelo de análise preditiva para violência doméstica, desenvolvido em parceria com a London School of Economics e o programa RS Seguro.

Segundo a SSP, a ferramenta está disponível desde 2023. Ela utiliza informações policiais e outros dados para estimar o risco de uma nova agressão grave nos seis meses seguintes.

Os níveis apresentados são médio, alto, muito alto, altíssimo e crítico. O objetivo é ajudar as autoridades a definir prioridades de proteção.

Uma classificação de risco não é uma previsão infalível. Ela deve apoiar a avaliação profissional e as decisões das instituições.

O que o Estado informa sobre os resultados?

Na resposta encaminhada ao Diário, a SSP declarou que nenhuma mulher atendida pelo Programa de Monitoramento de Agressores sofreu feminicídio ou tentativa desde a implantação da iniciativa, em 2023.

Esse resultado é atribuído à própria Secretaria e diz respeito ao universo acompanhado pelo programa.

Não significa que toda mulher esteja livre de risco nem substitui a necessidade de investigação de cada ocorrência.

A tecnologia representa uma ferramenta de proteção.

Por trás de cada equipamento, porém, continua existindo uma mulher que precisa de segurança e uma rede de pessoas responsáveis por agir.

Cinco informações úteis sobre o monitoramento eletrônico

  1. Tornozeleira: acompanha o agressor quando houver determinação judicial.
  2. Smartphone: pode ser disponibilizado à mulher protegida, conforme as condições do programa.
  3. Alertas: o sistema identifica possíveis violações e envia informações à central.
  4. Central: funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
  5. Emergência: em risco imediato, ligue 190. Não dependa exclusivamente de alertas do equipamento.

Fontes

  • Secretaria da Segurança Pública do RS — resposta oficial “SSP amplia medidas de proteção às mulheres e vítimas de violência doméstica e familiar”, encaminhada ao Diário de Vacaria, com informações até 15/10/2026.
  • Delegado Juliano Brasil Ferreira — entrevista telefônica ao Diário sobre a disponibilidade de tornozeleiras na estrutura da Polícia Civil.
  • Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul.

Leia a Série Especial:

Especial Diário de Vacaria – A informação é uma forma de proteção

O Diário de Vacaria criou a série especial sobre violência contra a mulher para informar, conscientizar e mostrar como funciona a rede de proteção. Nossa identidade visual reúne diversas cores, cada uma representando uma voz que contribui para prevenir a violência, acolher, proteger e ajudar as mulheres a reconstruir suas vidas. Juntas, essas cores formam um guarda-chuva, símbolo do amparo oferecido por pessoas e instituições quando chegam as tempestades da vida.

A frase “Toda vez que choveu, parou” representa uma mensagem de esperança: por mais difícil que seja a situação, existe a possibilidade de superar o sofrimento e recomeçar. Mas ninguém precisa esperar a tempestade passar sozinho. A proteção deve estar presente enquanto ela acontece, porque toda mulher merece respeito, segurança e liberdade.


Lucas Barp

Lucas Barp é fundador e diretor do Jornal On-line Diário de Vacaria. Atua na produção e apresentação de conteúdos sobre Vacaria e os Campos de Cima da Serra, com foco em notícias locais, serviços, estradas e histórias da região. Tem formação em Gestão de Empresas pela UCS e MBA em Gestão da Saúde pela Feevale. Fundou o Diário de Vacaria em 2003 e liderou a retomada do projeto em 2023.

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