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CSG

Integração Regional da Polícia Civil mostra resultados em Caxias do Sul e deixa 7 estelionatários off-line na prisão

A Polícia Civil prendeu sete pessoas na manhã desta quarta-feira, 5 de agosto, durante uma operação contra um grupo investigado por aplicar golpes na compra e revenda de veículos anunciados em plataformas digitais. A ação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Vacaria e mobilizou 48 policiais civis em sete locais de Caxias do Sul.

Ao todo, a Justiça decretou oito prisões preventivas. Um dos investigados não foi localizado durante o cumprimento das ordens judiciais e passou a ser considerado foragido.

Investigação começou na Delegacia de Polícia de Vacaria

As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Polícia de Vacaria, sob responsabilidade do delegado Anderson Silveira de Lima, que também presidiu os trabalhos da operação.

Dos 48 policiais civis mobilizados, 21 são de Vacaria. Outros 27 agentes de Caxias do Sul participaram da ação em apoio às equipes responsáveis pelo cumprimento dos mandados.

Além das oito ordens de prisão preventiva, os policiais cumpriram mandados de busca em sete endereços. Todos os investigados são de Caxias do Sul, conforme as informações fornecidas pela Polícia Civil.

Até o momento, sete pessoas foram presas. As buscas pelo oitavo investigado continuam.

Golpistas procuravam veículos anunciados na internet

Segundo a investigação, os suspeitos procuravam carros e outros veículos anunciados em plataformas digitais de vendas, como a OLX. Em seguida, entravam em contato com os proprietários e demonstravam interesse na compra.

Para convencer o vendedor de que o pagamento havia sido realizado, os integrantes do grupo faziam depósitos bancários fraudulentos. Uma das estratégias consistia na utilização de envelopes em terminais bancários.

Depois do suposto depósito, os criminosos encaminhavam o comprovante ao proprietário do veículo. O documento fazia a vítima acreditar que o dinheiro estava disponível ou seria compensado pela instituição financeira.

Em muitos casos, o vendedor precisava receber o valor com rapidez e acabava confiando no comprovante apresentado. A fraude somente era percebida mais tarde, quando o depósito não era confirmado ou o envelope não continha o valor informado.

Documentos eram entregues antes da confirmação do pagamento

A investigação aponta que, após apresentar o comprovante fraudulento, um integrante do grupo recebia o Certificado de Registro do Veículo, o CRV, e uma procuração assinada em tabelionato.

O CRV é o documento utilizado nos procedimentos de transferência de propriedade. Já a procuração permite que outra pessoa pratique determinados atos em nome do proprietário, conforme os poderes concedidos no documento.

Com os papéis em mãos, o grupo ganhava condições para negociar o veículo com uma nova pessoa. Enquanto isso, os suspeitos mantinham contato com o vendedor original e apresentavam justificativas para o atraso na liberação do dinheiro.

Essa tentativa de ganhar tempo podia durar um ou dois dias. Durante esse período, o veículo já era oferecido a outro comprador.

Preço abaixo do mercado atraía novos compradores

A segunda etapa do golpe envolvia a revenda do automóvel para uma pessoa que, segundo as informações da investigação, podia desconhecer a fraude anterior.

O grupo oferecia o veículo por um preço considerado atrativo. A diferença em relação ao valor de mercado aumentava o interesse e acelerava a negociação.

O novo comprador recebia o veículo e a procuração. Em troca, fazia o pagamento aos golpistas, que ficavam com o dinheiro e deixavam de participar diretamente da disputa.

Quando o proprietário original descobria que não havia recebido o valor combinado, procurava a polícia e tentava bloquear a transferência junto ao Departamento Estadual de Trânsito, o Detran.

A partir desse momento, o vendedor lesado e o terceiro que havia comprado o veículo passavam a discutir na Justiça quem deveria permanecer com o bem.

Vendedor e comprador acabavam disputando o veículo na Justiça

A fraude criava duas vítimas com interesses opostos. De um lado, estava o proprietário que entregou o automóvel, os documentos e a procuração sem receber o pagamento verdadeiro.

Do outro, aparecia a pessoa que pagou pelo veículo e acreditava estar participando de uma negociação regular. Enquanto os dois buscavam recuperar o prejuízo, os integrantes do grupo permaneciam com o dinheiro recebido na revenda.

Segundo as informações disponíveis, já houve decisões judiciais favoráveis ao comprador considerado de boa-fé. Também foram registradas decisões que determinaram a devolução do veículo ao vendedor originalmente lesado.

Os resultados podem variar de acordo com as circunstâncias de cada negociação e com as provas apresentadas no processo. Entre os elementos analisados estão a documentação, a forma como ocorreu a entrega e os cuidados adotados pelas partes antes da conclusão do negócio.

Caminhão vendido por R$ 50 mil exemplifica o prejuízo

Um dos casos citados durante a investigação envolve um transportador de Vacaria que comprou um caminhão por R$ 50 mil. O valor indicado pela tabela Fipe para o veículo era de aproximadamente R$ 80 mil.

A diferença de R$ 30 mil tornou a proposta especialmente atraente. O comprador recebeu o caminhão e uma procuração, acreditando que a negociação estava regular.

Entretanto, o vendedor original procurou a Polícia Civil em São Leopoldo após perceber que havia sido vítima do golpe. O veículo foi bloqueado junto ao Detran.

Posteriormente, a Justiça na área cível determinou que o caminhão fosse devolvido ao proprietário lesado. Com isso, o transportador que havia pago R$ 50 mil também ficou exposto ao prejuízo causado pelos golpistas.

O caso mostra como o crime pode atingir várias pessoas em uma única negociação. Além de perder dinheiro ou o veículo, as vítimas ainda podem enfrentar processos judiciais demorados para tentar recuperar os bens.

Confirmação bancária pode impedir a fraude

A operação também serve de alerta para quem anuncia veículos em sites, aplicativos ou redes sociais. O comprovante apresentado pelo comprador, isoladamente, não confirma que o pagamento foi efetivamente realizado.

Antes de entregar o veículo, as chaves, o CRV ou uma procuração, o vendedor deve verificar se o valor está disponível e definitivamente confirmado em sua conta bancária.

Depósitos realizados por envelope exigem atenção ainda maior. A informação exibida inicialmente pelo terminal pode representar apenas o registro da operação, pois o conteúdo ainda precisará ser conferido pelo banco.

Também é importante desconfiar de compradores que pressionam pela entrega imediata dos documentos ou apresentam justificativas para atrasos na compensação do pagamento.

Para quem está comprando, preços muito abaixo do valor de mercado devem ser avaliados com cautela. A origem do veículo, a identidade do proprietário e os poderes concedidos por uma procuração precisam ser conferidos antes da transferência do dinheiro.

Polícia procura investigado que não foi localizado

Com sete prisões realizadas, a Polícia Civil segue procurando o oitavo alvo da operação. Ele teve a prisão preventiva decretada, mas não foi encontrado nos endereços vistoriados e é considerado foragido.

As investigações da Delegacia de Polícia de Vacaria devem continuar para esclarecer a participação de cada suspeito e identificar outros possíveis casos relacionados ao grupo.

A ação desta quarta-feira reforça o alerta sobre golpes praticados em negociações digitais. Embora o contato comece em uma plataforma de vendas, a fraude se concretiza principalmente quando a vítima entrega o veículo e os documentos antes de confirmar o recebimento do dinheiro.

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