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CSG

UCS Vacaria perde alunos e cursos, mas comunidade pede uma Universidade novamente forte na região

Abaixo-assinado resgata uma história de formação e sinaliza que ainda existe apoio regional para construir um novo momento para o Campus

O abaixo-assinado em defesa da graduação da Universidade de Caxias do Sul em Vacaria não representa apenas uma reação ao possível encerramento de cursos. Ele revela que a comunidade percebeu a redução da presença universitária e deseja participar da construção de um novo futuro para o Campus. (Link do Abaixo Assinado)

A UCS continua em Vacaria. As aulas, os serviços e as atividades acadêmicas permanecem em funcionamento. Mas aquela Universidade marcada por mais cursos, circulação de estudantes, professores, projetos e oportunidades como na foto desta matéria, já não possui a mesma dimensão que alcançou em outros momentos.

É essa força que a comunidade deseja recuperar.

O movimento não se coloca contra a Universidade. Pelo contrário, nasce do reconhecimento do que ela representa. Continua sendo a UCS onde tantos estudantes foram bem formados, onde professores se tornaram mestres de diferentes gerações e onde milhares de famílias encontraram uma oportunidade de transformação pela educação.

Ao reunir estudantes, egressos, professores, profissionais e moradores, o abaixo-assinado sinaliza algo importante: a UCS ainda possui uma comunidade disposta a caminhar ao seu lado.

Comunidade não quer apenas impedir uma perda

O texto do abaixo-assinado manifesta posicionamento contrário ao encerramento de qualquer uma das graduações, mas não se limita a pedir que a estrutura atual seja mantida.

A mobilização defende uma UCS mais forte, moderna e presente em Vacaria. Reivindica novos cursos, investimentos, projetos de extensão, aproximação com empresas e diálogo com os municípios dos Campos de Cima da Serra.

Não é somente uma manifestação para impedir que algo termine. É um pedido para que um novo projeto comece.

A comunidade reconhece que o ensino superior mudou, que as universidades enfrentam dificuldades e que não é possível simplesmente repetir os modelos do passado. O que o movimento propõe é que as alternativas sejam estudadas antes de qualquer decisão definitiva.

Esse sentimento aparece em uma das principais afirmações do documento:

“A comunidade não quer perder a UCS. Queremos uma UCS mais forte, mais moderna e mais presente em Vacaria.”

UCS afirma que as atividades continuam

Procurada pelo Diário de Vacaria, a Universidade encaminhou a seguinte manifestação:

“No momento a reitoria não irá se posicionar sobre o campus de Vacaria. No entanto, informa que todas as atividades do campus seguem normalmente, tanto as pedagógicas quanto às de prestação de serviço à comunidade. Agradecemos a compreensão.”

A resposta assegura a continuidade das atividades atuais, mas não apresenta o planejamento para a graduação presencial nos próximos anos.

Também não informa se haverá novos vestibulares, ingresso de estudantes ou abertura de novas turmas.

Nas fontes públicas consultadas, não foi localizada uma resolução, ata ou manifestação institucional confirmando formalmente o encerramento definitivo da graduação no Campus Vacaria.

Por isso, o cenário ainda exige cuidado. Existe uma preocupação concreta, sustentada pela redução de cursos e alunos, mas a Universidade não esclareceu publicamente qual será o futuro da graduação.

Uma história iniciada em 1969

A presença da UCS em Vacaria começou em 1969, inicialmente com o curso de Letras.

Em 1993, o processo de regionalização foi reconhecido e a unidade passou oficialmente à condição de Campus Universitário. Em 1996, a Universidade recebeu uma área de 20 hectares destinada ao Campus. O atual prédio foi inaugurado em junho de 1999.

Ao longo dessa trajetória, a instituição passou a atender estudantes de Vacaria, Campestre da Serra, Bom Jesus, Esmeralda, Muitos Capões, Pinhal da Serra, São José dos Ausentes, Monte Alegre dos Campos e de outras localidades.

Durante as comemorações dos 30 anos da regionalização, a própria Universidade destacou que sua chegada a Vacaria aconteceu a partir de uma demanda comunitária.

A UCS não veio para a região apenas por uma decisão administrativa de expansão. Sua presença foi construída porque a comunidade desejava ensino superior, formação profissional e desenvolvimento regional.

Esse vínculo ajuda a compreender a mobilização atual. A comunidade que participou do nascimento e do crescimento do Campus volta a se manifestar quando percebe a redução de sua força.

Mais de quatro mil profissionais formados

O abaixo-assinado informa que o Campus formou 4.133 alunos na graduação entre 1993 e 2026. O levantamento não inclui os concluintes de especializações, mestrados e doutorados.

O número exato ainda precisa ser confirmado oficialmente pela Universidade, mas é compatível com as informações divulgadas ao longo dos últimos anos.

Em 2018, a própria UCS informava que aproximadamente três mil profissionais já haviam concluído suas graduações no Campus Vacaria. Posteriormente, a instituição ultrapassou a marca de quatro mil formados.

Esse resultado não pode ser visto apenas como uma estatística.

São administradores, advogados, contadores, professores, profissionais ligados ao agronegócio e pessoas formadas em diferentes áreas. Muitos permaneceram na região e passaram a atuar em escolas, empresas, propriedades rurais, escritórios, hospitais, instituições públicas e entidades comunitárias.

A importância de uma universidade também é medida pelo conhecimento que permanece no lugar onde ela está inserida.

Cada profissional formado representa uma parte da UCS presente na sociedade.

O Campus já viveu uma realidade diferente

A UCS em Vacaria já chegou a oferecer 19 cursos de graduação. Em 2025, a oferta presencial estava concentrada em quatro formações:

  • Administração;
  • Agronomia;
  • Ciências Contábeis;
  • Direito.

Também não houve vestibular presencial no inverno daquele ano.

Em manifestações públicas realizadas em 2025, a própria direção do Campus reconheceu a redução do número de alunos e as dificuldades provocadas pelas transformações no ensino superior.

Posteriormente, a administração da Universidade informou que os novos ingressos presenciais haviam sido interrompidos enquanto a instituição analisava sua atuação no município. Aos estudantes já matriculados foi assegurada a continuidade da formação.

A redução não foi percebida apenas dentro das salas de aula.

Com menos cursos, novos ingressos e estudantes, diminuem também a circulação acadêmica, o contato com as escolas, a presença em projetos e o número de pessoas que mantêm uma relação diária com a Universidade.

O abaixo-assinado mostra que esse movimento passou a ser percebido para além do Campus.

A procura por ensino superior continua existindo

A redução das matrículas na UCS não significa que os jovens da região tenham deixado de buscar formação universitária.

Em junho de 2025, a Câmara de Vereadores informou que aproximadamente 290 estudantes se deslocavam diariamente de Vacaria para frequentar instituições de ensino superior em Lages.

O Município e o Legislativo destinaram cerca de R$ 500 mil para subsidiar o transporte desses universitários.

Lages é apenas um dos destinos procurados pelos estudantes. Outros jovens ingressam em instituições de diferentes cidades ou escolhem cursos a distância.

Isso não significa que todos ocupariam imediatamente as graduações existentes na UCS. Muitos buscam formações que não são oferecidas em Vacaria.

O movimento demonstra, porém, que existe demanda por ensino superior. O desafio é compreender quais cursos, modelos, valores e oportunidades podem aproximar novamente esses estudantes da Universidade.

A falta de alunos não pode ser analisada separadamente da oferta de cursos, das mensalidades, das bolsas disponíveis e das novas escolhas profissionais da juventude.

Um Campus que continua servindo à população

A atuação da UCS em Vacaria vai além das graduações.

Um dos exemplos destacados no abaixo-assinado é o SAJU, Serviço de Assistência Jurídica, que oferece atendimento gratuito às pessoas que necessitam de orientação e acesso à Justiça.

Segundo as informações apresentadas pelo movimento, são mais de 400 processos em andamento, além de atendimentos presenciais e on-line.

Entre as demandas estão processos de Direito de Família e ações relacionadas ao fornecimento de medicamentos. São situações que envolvem pessoas que dependem da assistência jurídica para buscar direitos essenciais.

O SAJU também possui uma função acadêmica. Ele permite que os estudantes conheçam situações reais, acompanhados por profissionais e professores, enquanto prestam um serviço de interesse social.

Outro exemplo é o Laboratório de Análises e Serviços em Fitopatologia, o LASFI. A estrutura atende produtores, empresas e profissionais ligados ao agronegócio, uma das principais atividades econômicas dos Campos de Cima da Serra.

A expansão do laboratório demonstra que o Campus possui capacidade para desenvolver serviços especializados, pesquisa e conhecimento voltados às necessidades regionais.

A permanência dessas atividades é importante. Ao mesmo tempo, elas não substituem completamente o papel exercido pela graduação na formação de profissionais, na renovação do ambiente universitário e na aproximação contínua com a comunidade.

Fundação encerrou 2025 com resultado positivo

A discussão sobre o Campus precisa considerar também a realidade econômica da Fundação Universidade de Caxias do Sul.

As demonstrações financeiras consolidadas referentes a 2025 registraram receita total de aproximadamente R$ 696,6 milhões. A receita relacionada ao ensino superior foi de cerca de R$ 344 milhões.

A Fundação encerrou o período com superávit de aproximadamente R$ 54,9 milhões, diante de R$ 16,3 milhões registrados no exercício anterior. O caixa e os equivalentes de caixa somavam cerca de R$ 111,6 milhões.

O resultado mostra uma evolução financeira no conjunto das atividades mantidas pela Fundação.

Entretanto, o balanço é consolidado. Ele reúne diferentes estruturas e atividades, como a Universidade, o Hospital Geral, o CETEC e outros serviços.

O documento não apresenta separadamente as receitas e despesas do Campus Vacaria ou de cada graduação.

Dessa forma, o resultado geral positivo não permite conhecer a realidade financeira dos cursos locais. Também não revela quantos estudantes seriam necessários para manter cada turma ou quais alternativas poderiam melhorar a sustentabilidade da graduação.

Uma decisão sobre o futuro do Campus precisa considerar os números, mas também a possibilidade de construir novas receitas, parcerias e formas de ocupação da estrutura.

Ensino superior passa por uma transformação

A redução de estudantes não é uma dificuldade exclusiva da UCS em Vacaria.

O crescimento do ensino a distância modificou profundamente o mercado educacional. Dados referentes a 2024 mostram que o EAD já representava 58,3% das matrículas de graduação no Rio Grande do Sul.

Entre os novos estudantes do Estado, 73,1% ingressaram em cursos a distância. Ao mesmo tempo, o ingresso em graduações presenciais apresentou redução. Instituto Semesp

As universidades comunitárias enfrentam cursos mais baratos, plataformas digitais, mudanças demográficas e novas escolhas dos estudantes.

Esse cenário exige mais do que redução de estruturas. Exige capacidade de compreender o mercado, renovar cursos, estabelecer parcerias e transformar a identidade regional em uma vantagem.

A UCS possui uma história, uma estrutura física e um reconhecimento que muitas instituições concorrentes não possuem em Vacaria. O desafio é transformar esse patrimônio em uma proposta novamente atrativa.

O que o plano apresentado pela nova gestão diz sobre Vacaria

Um dos documentos mais importantes para compreender os possíveis rumos da instituição é o plano elaborado por Asdrubal Falavigna e Terciane Ângela Luchese para o período de 2026 a 2030.

O documento foi concluído em dezembro de 2025, quando ambos ainda eram candidatos aos cargos de reitor e vice-reitora. Portanto, foi apresentado como proposta da candidatura, antes da eleição e da posse.

A chapa foi posteriormente eleita. Asdrubal Falavigna e Terciane Luchese assumiram a Reitoria em maio de 2026.

Com isso, as propostas apresentadas durante a candidatura passaram a representar compromissos importantes para a avaliação dos rumos da Universidade.

Entre as ações previstas, existe uma menção específica a Vacaria:

“Otimizar, no campus de Vacaria, as atividades de prestação de serviços e a pós-graduação autossustentável, com abrangência microrregional.”

A graduação não aparece nessa ação específica.

O plano também prevê a eliminação de atividades deficitárias que não estejam alinhadas aos propósitos institucionais, a racionalização dos espaços físicos, a revisão de preços e descontos e mudanças no modelo de distribuição das horas docentes.

A menção aos serviços e à pós-graduação autossustentável não comprova, isoladamente, uma decisão de encerrar a graduação.

Ela demonstra, entretanto, quais atividades foram expressamente priorizadas para Vacaria no documento apresentado pelos então candidatos.

Plano também defende regionalização e participação

O mesmo documento contém compromissos que apontam para a importância do diálogo regional.

O plano propõe:

  • preservar a identidade regional da UCS;
  • integrar os campi com a sede;
  • revisar os fundamentos e as estratégias da regionalização;
  • elaborar um planejamento para cada Campus, considerando suas vocações e potencialidades;
  • ampliar parcerias com municípios, empresas e entidades;
  • fortalecer os canais de comunicação;
  • prestar contas de maneira sistemática;
  • valorizar a transparência em dados, processos e critérios;
  • promover a participação da comunidade nas decisões.

Esses compromissos se relacionam diretamente com o sentimento demonstrado no abaixo-assinado.

A comunidade não pede que a Universidade ignore as mudanças do mercado ou mantenha atividades sem planejamento. Ela demonstra que está disposta a participar da construção de soluções.

Essa disposição possui valor estratégico.

Uma universidade comunitária não precisa enfrentar sozinha as transformações do ensino superior. Ela pode mobilizar empresas, prefeituras, entidades, escolas, egressos e lideranças para identificar demandas, apoiar bolsas, estruturar novos cursos e ampliar a utilização dos espaços.

O abaixo-assinado mostra que esse apoio ainda pode ser reconstruído.

Mais do que estudantes, a UCS precisa de vínculos

A recuperação do número de alunos é essencial, mas dificilmente acontecerá apenas com a abertura de um vestibular. Antes de conquistar matrículas, a Universidade precisa estar presente nas conversas sobre o futuro da região.

Isso envolve ouvir escolas, compreender o que os jovens pretendem estudar, identificar as necessidades das empresas, conversar com os produtores rurais, aproximar os egressos e construir projetos com os municípios.

A UCS possui milhares de ex-alunos que conhecem a qualidade de sua formação. Muitos ocupam posições de liderança, administram empresas, trabalham no serviço público, atuam na educação ou desenvolvem atividades profissionais na região.

Essa rede pode ser uma das principais forças para um novo momento do Campus.

O abaixo-assinado começa a revelar essa possibilidade. Ele reúne pessoas que não querem apenas lamentar uma perda, mas contribuir para que a Universidade volte a crescer.

Uma oportunidade para reconstruir a presença regional

O debate não precisa ser limitado a duas alternativas: manter tudo como está ou encerrar a graduação.

Existe a possibilidade de construir um novo projeto.

Esse caminho pode envolver cursos ligados às vocações regionais, formações híbridas, bolsas, parcerias empresariais, apoio dos municípios, compartilhamento de laboratórios, extensão, pesquisa aplicada e maior utilização da estrutura.

Também exige que a Universidade volte a ser percebida nos espaços onde as decisões e os sonhos profissionais começam: nas escolas, nas famílias, nas empresas e nas comunidades dos Campos de Cima da Serra.

A UCS não perdeu sua história, sua estrutura ou a qualidade dos profissionais que formou. O que precisa ser reconstruído é a força da relação capaz de transformar tudo isso em novos alunos e oportunidades.

A comunidade volta a se colocar ao lado da UCS

O abaixo-assinado não procura diminuir a Universidade. Ele reconhece sua importância e demonstra que parte da comunidade ainda acredita em sua capacidade de renovação.

É uma manifestação feita por pessoas que conhecem a contribuição da UCS porque estudaram, ensinaram, trabalharam ou receberam algum serviço da instituição.

Vacaria continua vendo no Campus um espaço de conhecimento, formação e desenvolvimento. O que a mobilização pede é que a UCS volte a ocupar uma posição mais forte na vida da região.

A Universidade formou milhares de profissionais e contou com professores que marcaram gerações. Essa história continua viva nas pessoas que passaram por suas salas de aula.

Agora, quando o Campus precisa encontrar forças para reagir às mudanças do ensino superior, o abaixo-assinado sinaliza onde parte dessa força pode estar: na própria comunidade que ajudou a construir a UCS em Vacaria.

Mais do que pedir que a Universidade permaneça, o movimento mostra que ela não precisa reconstruir seu futuro sozinha.

Abaixo Assinado, EAD, UCS, UCS Vacaria

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