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10° Episódio do Mulher de Fases: Quando liderar é aprender a ouvir – Gestão de RH na prática

No 10° episódio do podcast Mulher de Fases, do Núcleo da Mulher Empreendedora da CIC Vacaria, a conversa sobre liderança e gestão de RH nas empresas saiu do campo das fórmulas prontas e entrou na realidade de quem empreende.

10° Episódio do Mulher de Fases: Quando liderar é aprender a ouvir – Gestão de RH na prática

Com mediação de Marcia Fett, o programa reuniu Dienifer Sutil e Raquel Sechinato, para um debate sobre pessoas, cultura, equipes e desafios de liderança. O resultado foi um retrato direto de como empresas de diferentes setores enfrentam dilemas muito parecidos no dia a dia.

Dienifer Sutil participou como médica veterinária, empresária e integrante do Núcleo. Raquel Sechinato trouxe a experiência de contadora e líder na empresa Boff Industria de Autopeças, onde gerencia mais de 140 funcionários. Marcia Fett, arquiteta, contribuiu com a vivência da construção civil e da rotina de gestão em seu escritório e em obra.

Desde o início, a proposta foi falar de liderança a partir da prática. Nada foi tratado de forma distante ou teórica. As três participantes falaram de erros, aprendizados, dificuldades e decisões que fazem parte da vida real de quem lidera pessoas.

Lidar com pessoas continua sendo o maior desafio

Dienifer abriu o tema lembrando que a gestão de pessoas segue como um dos pontos mais difíceis para empresários.

Segundo ela, “lidar com pessoas é um dos pontos de gestão mais desafiadores, que a maioria dos empresários têm mais dificuldade”. A fala resume bem o clima do episódio e dá o tom do que viria pela frente.

Ela explicou que sua formação inicial era técnica, como a de tantas profissionais que acabam empreendendo sem preparo específico para liderar equipes.

Além de médica veterinária, contou que fez MBA em gestão do mercado pet e também iniciou atuação em mentoria para veterinários. Para ela, esse conhecimento teria feito muita diferença se tivesse chegado mais cedo em sua trajetória.

Raquel Sechinato reforçou a mesma percepção logo ao começar sua fala.

“Todo dia é um desafio. Lidar com pessoas é um desafio, mas a gente tem que gostar. Eu amo pessoas”, afirmou. Na sequência, definiu a base da sua visão de liderança: “a gente tem que ter uma gestão humanizada, ver o ser humano”.

A gestão antiga já não funciona mais

Um dos pontos mais fortes do episódio foi a percepção de que o modelo antigo de liderança perdeu força. Raquel foi direta ao dizer que “essa gestão antiga, vamos se dizer assim, não funciona mais”.
Na leitura dela, o ambiente de trabalho mudou e os vínculos também mudaram.

Ela lembrou que, antigamente, muitas pessoas queriam ficar anos na mesma empresa e construir uma carreira longa ali. Hoje, segundo Raquel, as pessoas estão muito mais atentas à experiência vivida no trabalho e à forma como se sentem naquele ambiente. – “Eles têm que se sentir importante”, resumiu.

Dienifer concordou ao dizer que o salário, sozinho, não explica permanência nem compromisso.
Ela observou que muita gente troca facilmente de trabalho até por pequenas diferenças financeiras.
Na prática, o que pesa é o sentimento de pertencimento e de valorização dentro da empresa.

Raquel sintetizou essa ideia em uma frase que se destacou ao longo de toda a conversa.
“Pior do que tu ser mal pago é tu ser mal tratado.” A afirmação ajuda a explicar por que tantas equipes se rompem mesmo quando a remuneração não é o único problema.

Cultura não é enfeite

Outro eixo importante do episódio foi a discussão sobre cultura organizacional.
Dienifer criticou a ideia de cultura como algo decorativo, feito só para aparecer em parede de empresa.
Para ela, “a cultura não é aquele quadro bonitinho que as empresas penduram nas paredes”.

Na visão da empresária, cultura é o que realmente acontece no dia a dia.
É o que o líder tolera, o que ele corrige e aquilo que ele não aceita dentro da rotina da equipe.
Não adianta ter visão, missão e valores escritos se nada daquilo é vivido de verdade.

Raquel levou essa ideia para exemplos concretos da empresa em que atua. Ela explicou que não é aceito desrespeitar colegas, xingar ou gritar com alguém. Ao citar o diretor da empresa, disse que ele tem 83 anos e “tu nunca vai ver ele xingar alguém, tu nunca vai ver ele gritar com alguém”.

Por isso, segundo ela, seria inadmissível permitir que qualquer outro colaborador se comportasse dessa forma. A regra vale para todos e nasce do exemplo de quem está no topo. É aí que a cultura deixa de ser discurso e passa a ser prática.

O óbvio precisa ser dito

Um ponto interessante da conversa foi a constatação de que, hoje, muitos comportamentos precisam ser explicados com clareza. Raquel falou sobre faltas, atrasos, convivência com colegas e até o uso do celular no trabalho. Em sua visão, até o óbvio precisa ser comunicado de forma direta.

Marcia Fett reforçou esse sentimento ao comparar sua trajetória com a realidade atual. Ela disse que, no começo da carreira, muitos comportamentos eram subentendidos dentro de uma empresa. – “Agora, as coisas têm que serem faladas e explicadas detalhadamente”. O comentário apareceu sem saudosismo exagerado.

O que a conversa mostrou é que o líder atual precisa se adaptar a novas formas de comunicação.
Explicar bem deixou de ser excesso e passou a ser parte da própria liderança.

Liderança é exemplo

Dienifer defendeu que liderança exige regra, coerência e exemplo. “A liderança ela tem que ter as regras, seguir as regras e dar o exemplo”, afirmou. Na mesma linha, alertou que um líder cansado e desmotivado não consegue motivar ninguém.

Marcia concordou e lembrou que o exemplo vem sempre de cima. As pessoas observam o comportamento de quem lidera e tendem a seguir esse padrão. Quem cobra aquilo que não vive perde força diante da equipe.

Ouvir mais para engajar melhor

A escuta apareceu como uma das ferramentas mais importantes do episódio. Marcia reconheceu que ouvir mais e falar menos nem sempre é simples na rotina acelerada. Ainda assim, destacou que esse exercício é necessário para qualquer gestor.

Dienifer contou que passou a ouvir muito mais seus colaboradores dentro da clínica. Ela citou recepcionistas, secretárias e auxiliares como pessoas que conhecem a rotina prática e sabem apontar o que funciona e o que pode melhorar. – “Eu realmente quero aprender”, afirmou ao falar sobre essa mudança na sua gestão.

Segundo ela, quando a equipe percebe que está sendo ouvida de verdade, o engajamento cresce.
Mais do que escutar, é preciso usar essas contribuições na prática. Foi por isso que Dienifer disse que falta a muitos líderes baixar a guarda e trazer mais humildade para a liderança.

Raquel também defendeu esse caminho. Na sua visão, o líder precisa entender, escutar, cobrar e ao mesmo tempo reconhecer o outro como pessoa. Ela ressaltou que ajudar o colaborador, sempre que isso não prejudicar a empresa, costuma gerar resultados muito positivos.

A solidão de decidir

Em um dos momentos mais francos da conversa, Marcia Fett falou sobre a solidão da liderança.
Sem sócio, muitas decisões acabam sendo tomadas de forma solitária, com todo o peso da responsabilidade. A pergunta abriu espaço para um dos relatos mais marcantes do episódio.

Dienifer respondeu dizendo que já cometeu erros importantes nesse caminho. Um deles foi achar que sua liderança não era boa o suficiente. Outro foi trazer alguém de fora para ocupar um papel semelhante ao de CEO dentro da empresa.

Segundo ela, isso não funcionou porque seu próprio jeito de liderar era parte do que fazia o negócio dar certo. Ao tentar substituir isso por outro perfil, ela enfraqueceu algo essencial na identidade da empresa.
O aprendizado foi perceber que não precisava copiar outro modelo para liderar bem.

O erro de demitir sem feedback

Dienifer também fez uma autocrítica importante ao falar de demissão. Ela admitiu já ter desligado colaboradora sem ter feito antes o trabalho necessário de orientação e feedback.
A decisão foi brusca, e o mal-estar que veio depois serviu como aprendizado.

Raquel respondeu com uma observação decisiva. “Não é numa demissão que você vai dar feedback pro funcionário.” Na visão dela, esse é um erro muito comum nas empresas.

Quando o colaborador não recebe retorno ao longo do processo, ele perde a chance de corrigir rumos.
O feedback, segundo Raquel, deve vir antes, quando ainda existe espaço para melhorar.
Dar retorno apenas no desligamento é transformar desenvolvimento em sentença final.

Ela contou que já viu bons funcionários serem perdidos justamente por falta de conversa no momento certo. Também relatou situações em que preferiu chamar o colaborador para conversar antes de aceitar uma ruptura. Em alguns casos, o problema nem era profissional, mas pessoal, e tinha sido levado para dentro da empresa.

Raquel ainda chamou atenção para outro ponto delicado. Segundo ela, muitos líderes pioram conflitos quando alimentam fofoca ou deixam a conversa virar disputa entre colegas.
Para a líder, esse tipo de postura não leva ninguém a lugar algum.

Empatia também na hora de demitir

Ao falar sobre desligamento, Raquel foi taxativa ao defender empatia. Ela disse que ninguém entra na justiça apenas por dinheiro, mas muitas vezes por ter sido maltratado ou mal interpretado.
Por isso, recomendou cuidado na forma de encerrar relações de trabalho.

“Procure ter empatia na hora da demissão”, afirmou. Segundo ela, a demissão não é boa para ninguém.
Nem para quem sai, nem para quem precisa tomar a decisão.

O episódio mostra que a maneira como a empresa conduz esse momento fala muito sobre sua cultura.
Desligar alguém com respeito não elimina a dor, mas evita humilhação e reduz marcas desnecessárias.
É nesse tipo de detalhe que a liderança revela de fato quem é.

Confira o podcast completo:

CIC, Mulher de Fases, Núcleo de Mulheres Empreendedoras da CIC

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