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Entre a Tradição e a Pista: Vacaria transforma o Cavalo Crioulo em espetáculo, cultura e negócio

A força de uma tradição que atravessa décadas, movimenta economias locais e mantém viva a identidade do campo ganha novos contornos em Vacaria. Entre os dias 16 e 19 de abril, o Parque de Exposições Nicanor Kramer da Luz se transforma em palco de um dos encontros mais significativos para os amantes do Cavalo Crioulo, reunindo provas técnicas, competição, genética e cultura em um mesmo espaço.

O evento, que ocorre em paralelo à Exposição Nacional Angus, evidencia a integração entre diferentes cadeias produtivas do agronegócio, e coloca o Cavalo Crioulo no centro das atenções.

Mais do que competições, o que se vê é um movimento crescente de valorização da atividade, com novos criadores, maior público e uma organização cada vez mais profissional.

Durante participação no podcast do Diário de Vacaria, o presidente do Núcleo Serrano da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), Fábio Camargo, e o ginete Paulinho Branco compartilharam bastidores, expectativas e reflexões sobre o momento vivido pelo setor.

Crescimento pós-pandemia e fortalecimento do núcleo

O cenário atual é resultado de um trabalho de reconstrução iniciado após a pandemia. Segundo Fábio, houve uma reorganização importante do núcleo serrano, que resultou em crescimento expressivo.

“Olha, a gente vem trabalhando muito, principalmente depois da pandemia, a gente reagrupou o núcleo novamente e teve um crescimento muito grande”, afirmou.

Esse crescimento não se limita à quantidade de eventos, mas também à qualidade e à diversidade das provas realizadas. Tradicionalmente conhecido pelas credenciadoras e exposições, o núcleo decidiu inovar em 2026 ao incluir a prova de Doma de Ouro em sua programação.

A iniciativa, ainda em fase inicial, já demonstra potencial de expansão. “Tivemos uma boa aceitação e acreditamos que dando continuidade nessa prova nos próximos anos, a gente vai ter uma evolução grande”, explicou Fábio.

Paleteada: técnica, emoção e integração regional

Outro destaque da programação é a prova de paleteada, uma das mais tradicionais e emocionantes do universo crioulista. A competição exige sintonia entre cavalo e cavaleiro, além de habilidade técnica para conduzir o bovino ao longo da pista.

Fábio detalhou a dinâmica da prova, explicando que os animais precisam conduzir o novilho entre estruturas semelhantes a porteiras, mantendo controle, força e precisão durante todo o percurso.

A avaliação considera diversos fatores, como comportamento do cavalo, pressão aplicada ao animal e ausência de reações indesejadas. “O animal tem que correr apoiado no novilho, fazendo força e sem reação nenhuma de boca”, explicou.

A relação entre cavalo e cavaleiro

Para além da técnica, a conexão entre cavalo e cavaleiro é determinante para o desempenho. Paulinho Branco, com experiência no Freio de Ouro, destacou que essa relação pode ser decisiva, especialmente para competidores amadores.

“Mesmo assim a conexão do cavalo e cavaleiro tem que ser boa para poder transcorrer uma prova boa”, afirmou.

Ele explica que, enquanto profissionais podem se adaptar com mais facilidade, amadores dependem de uma relação construída ao longo do tempo com o animal.

A pista também exerce influência direta nos resultados. Estruturas bem preparadas garantem melhores condições para a execução das provas e contribuem para o espetáculo.

“A pista é o que te dá condições de fazer prova boa”, ressaltou Paulinho.

Vacaria como referência na criação

Vacaria já é reconhecida como um dos principais polos de criação de cavalos crioulos. Com tradição consolidada, a região acumula resultados expressivos em competições nacionais.

Fábio Camargo é um exemplo dessa trajetória. Com 32 anos de experiência, ele soma conquistas relevantes. – “Já obtive 11 freios, ganhei 10 Copas dos Criadores”, contou.

Os números refletem não apenas talento individual, mas também o avanço genético e técnico da criação local. A competitividade com criadores tradicionais da fronteira, muitos com mais de um século de história, reforça o nível alcançado.

Novos criadores e expansão do setor

Um dos sinais mais claros do crescimento é a entrada de novos criadores. Segundo Fábio, a procura por participação no núcleo superou expectativas. “Mais de 20 novos criadores que vão botar a marca lá no mural do núcleo”, destacou.

Esse movimento indica renovação e sustentabilidade da atividade, além de ampliar a base de participantes nos eventos. A estratégia do núcleo é justamente incentivar essa inclusão, tornando os eventos cada vez maiores e mais acessíveis.

Impacto econômico e visibilidade nacional

Os eventos não movimentam apenas o setor agropecuário, mas também a economia local como um todo. Hotéis, restaurantes e comércio sentem o impacto positivo da chegada de participantes de diferentes regiões.

“Os hotéis enchem quando tem esses eventos”, comentou Fábio.

A abrangência geográfica impressiona. Participantes de estados como Paraná, São Paulo, Santa Catarina e até Mato Grosso já marcaram presença nas competições realizadas em Vacaria.

Além disso, há um movimento crescente de divulgação da produção local para o restante do país.

“O nosso produtor ele é acostumado a trabalhar para dentro da propriedade”, foi lembrado durante a conversa, mas esse cenário começa a mudar com iniciativas de comunicação e eventos.

Hoje, a visibilidade nacional abre novas oportunidades comerciais, valorizando animais e genética produzidos na região.

Apoio institucional e parcerias

A realização de eventos dessa magnitude depende de uma rede de apoio sólida. Prefeitura, Câmara de Vereadores, Sindicato Rural e diversas empresas locais contribuem para viabilizar a estrutura e a premiação.

Entre os apoiadores citados estão Fazenda Guabiju, Trimédio Farmácia Veterinária, Comiotto Construções, Confiança Negócios Imobiliários, Ouro Fértil, Covibras Motos Honda e Cabanha da Bezinha.

Outro destaque é a Fazenda do Trevo, responsável por fornecer o gado utilizado na paleteada.

Esse conjunto de parcerias reforça o caráter coletivo do evento e a importância da colaboração entre diferentes setores.

Espaço para todas as raças e integração com a Expovac

O fortalecimento do cavalo crioulo acontece dentro de um contexto mais amplo, que envolve outras raças e segmentos do agronegócio. A realização da credenciadora junto à Expovac demonstra essa integração, ampliando o público e potencializando resultados.

A retomada do crescimento da feira também contribui para consolidar Vacaria como referência no setor.

Programação reúne técnica e espetáculo

A programação do evento combina atividades técnicas com momentos de grande apelo ao público, especialmente no sábado, considerado o ponto alto.

Confira os principais horários:

  • 16/04 (quinta-feira)
    08h | Abertura dos portões
    09h | Revisão coletiva
    14h | Concentração de machos
    17h | Admissão Doma de Ouro
  • 17/04 (sexta-feira)
    08h | Primeira fase Doma de Ouro
  • 18/04 (sábado)
    08h | Final Doma de Ouro
    13h | Paleteada Força A e B
    18h | Admissão Exposição Morfológica
  • 19/04 (domingo)
    09h | Exposição morfológica

A organização destaca que a programação pode sofrer alterações conforme o número de participantes.

Premiações e incentivo à participação

A premiação também é um atrativo importante, especialmente na Doma de Ouro, que oferece valores expressivos.

O primeiro lugar recebe R$ 5.000, seguido por R$ 3.000 para o segundo colocado e R$ 1.500 para o terceiro.

Além disso, há premiações individuais na primeira fase, valorizando aspectos técnicos como andaduras, destreza com o laço, figura e sujeição.

Na paleteada, a dupla vencedora recebe R$ 1.000, reforçando o caráter competitivo da prova.

Emoção do Freio de Ouro

Para quem vive o universo das competições, poucos momentos se comparam à entrada na pista do Freio de Ouro. Paulinho descreve a experiência como única.

“É uma emoção que não tem como descrever”, afirmou.

A comparação com estádios de futebol lotados ajuda a dimensionar a intensidade do momento. Mesmo com o público vibrando, a concentração precisa ser absoluta.

“Tu tem que entrar ali como se estivesse em um estádio lotado e manter o foco”, explicou.

Convite aberto ao público

Mais do que um evento técnico, a programação é um convite à comunidade. A entrada de visitantes gratuita reforça o caráter cultural da iniciativa. A proposta é aproximar o público, mostrando a importância econômica e histórica do cavalo crioulo.

Ao final, fica evidente que o evento vai além das provas. Ele representa uma cadeia produtiva em expansão, uma cultura viva e uma oportunidade de projeção nacional.

Agronegócio, Campos de Cima da Serra, Cavalo Crioulo, Expointer, Pecuária, Vacaria

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