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Operação Haridade: investigação da Polícia Civil revela organização criminosa que aplicava golpes em todo o Brasil a partir de Vacaria

Imagine acordar pela manhã e descobrir que seu cartão de crédito foi usado para comprar um celular de alto valor em outro estado. Ou perceber que uma passagem aérea, uma hospedagem em hotel ou até mesmo um boleto foi pago em seu nome sem sua autorização.

Para muitas vítimas, a história começa assim.

Primeiro vem o susto. Depois a corrida para bloquear cartões, ligar para o banco, registrar protocolos, trocar senhas e tentar evitar que o prejuízo aumente. Em muitos casos, a vítima passa dias ou semanas tentando resolver uma situação que nunca causou.

O que pouca gente imagina é que, por trás dessas fraudes, pode existir uma estrutura criminosa organizada, com divisão de tarefas, movimentação de milhões de reais e atuação em diferentes regiões do país.

É justamente isso que a Polícia Civil investiga na Operação Haridade, desencadeada nesta quinta-feira em Vacaria.

Uma investigação que começou meses atrás

As investigações são conduzidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Vacaria e tiveram início em outubro do ano passado. Ao longo de meses, policiais civis reuniram informações, analisaram movimentações financeiras, identificaram conexões entre suspeitos e acompanharam a atuação do grupo investigado.

O resultado desse trabalho chegou às ruas nesta quinta-feira. A operação mobilizou 60 agentes e 20 viaturas, envolvendo policiais civis da 25ª Região Policial, com apoio de equipes de Lagoa Vermelha, São Marcos e da Força Tática do 10º Batalhão de Polícia Militar.

Acompanhe aqui:

Live do Diário de Vacaria – Primeiras informações na DP

Registro do Diário – Vídeo com as imagens da Operação

Além de mandados de prisão e de busca e apreensão, a Justiça autorizou o sequestro de um veículo de luxo, de um imóvel e o bloqueio de R$ 8 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados.

O que a Polícia Civil descobriu

Segundo a investigação, a organização criminosa atuava há pelo menos três anos. A base operacional ficava em Vacaria, mas os golpes atingiam vítimas e empresas em todo o Brasil. O principal investigado é um homem de 26 anos, apontado como líder do grupo e conhecido no meio virtual pelo apelido de “Haridade”, nome que deu origem à operação.

De acordo com a Polícia Civil, ele atuava como hacker profissional e coordenava parte das atividades criminosas. Outras seis pessoas também são investigadas. Conforme a apuração, a maioria prestava apoio operacional para a execução das fraudes.

Como funcionavam os golpes

A investigação aponta que o grupo utilizava diferentes métodos para obter dinheiro de forma ilegal. Um dos principais envolvia a compra de dados bancários e de cartões de crédito obtidos em grupos de fraudadores espalhados pelo país.

Com essas informações, eram realizadas compras de produtos de alto valor, como iPhones, eletrônicos e artigos de luxo. Depois, esses produtos eram revendidos.

Na prática, alguém comprava um produto usando um cartão fraudado e outra pessoa adquiria o item por um valor muito abaixo do mercado, sem muitas vezes saber da origem criminosa da mercadoria. Os prejuízos atingiam consumidores, comerciantes, operadoras de cartão e instituições financeiras.

Mas esse não era o único golpe.

Segundo a Polícia Civil, a organização também burlava sistemas financeiros para gerar limites fictícios em contas bancárias. Os investigados ainda pagavam boletos com dinheiro obtido por meio de fraudes e cobravam dos devedores apenas parte do valor, ficando com a diferença.

A investigação também identificou fraudes envolvendo hospedagens, pacotes turísticos e passagens aéreas. Os serviços eram comprados com cartões fraudados e posteriormente revendidos em redes sociais por valores muito abaixo dos praticados no mercado.

O dinheiro desaparecia rapidamente

Um dos maiores desafios para os investigadores era rastrear o caminho do dinheiro. Conforme a Polícia Civil, os valores obtidos por meio dos golpes eram rapidamente distribuídos para diversas contas bancárias. Parte era sacada em dinheiro. Parte convertida em dólar. Parte transformada em criptomoedas, como bitcoin.

O objetivo era dificultar o rastreamento e ocultar a origem dos recursos.

Segundo a investigação, o valor de R$ 8 milhões bloqueado pela Justiça não representa o lucro do grupo, mas a movimentação financeira identificada nos últimos dois anos.

Uma realidade pouco conhecida pela população

A investigação também revelou a existência de uma rede nacional de fraudadores digitais. Segundo a Polícia Civil, há grupos especializados em diferentes etapas do crime. Alguns obtêm dados vazados. Outros invadem contas. Há quem venda documentos, quem comercialize acessos ilegais e quem transforme as informações furtadas em dinheiro.

Durante a apuração, foram identificadas conexões com criminosos de outros estados e até mesmo pessoas já presas em operações semelhantes pelo país.

Por que essa operação é importante para Vacaria

Muitas vezes a população imagina que golpes virtuais são crimes distantes, praticados apenas em grandes centros. A Operação Haridade mostra uma realidade diferente.

As fraudes acontecem pela internet, mas seus efeitos chegam à vida real. Atingem trabalhadores, aposentados, comerciantes, empresas e famílias que acabam enfrentando transtornos financeiros e emocionais.

Ao mesmo tempo, a operação demonstra a importância do trabalho de investigação realizado pela Polícia Civil.

Enquanto a maioria dos golpes acontece em poucos minutos, a identificação dos responsáveis exige meses de apuração, cruzamento de informações, análise de movimentações financeiras e coleta de provas.

O que a comunidade viu nesta quinta-feira nas ruas de Vacaria é o resultado de um trabalho silencioso iniciado há vários meses.

O que fazer para se proteger

A Polícia Civil orienta que qualquer movimentação suspeita em contas bancárias ou cartões seja comunicada imediatamente ao banco. Também é importante registrar ocorrência policial, guardar comprovantes e acompanhar regularmente as movimentações financeiras.

Ferramentas disponibilizadas pelo Banco Central, como o sistema Meu BC, permitem ao cidadão consultar informações relacionadas ao seu CPF e verificar relacionamentos bancários cadastrados em seu nome.

Quanto mais rápido a fraude é identificada, maiores são as chances de reduzir os prejuízos e auxiliar as investigações.

Investigação continua

A Operação Haridade segue em andamento. Segundo a Polícia Civil, outros envolvidos continuam sendo investigados e novas informações poderão surgir a partir da análise dos materiais apreendidos.

O caso chama a atenção pela estrutura identificada, pela abrangência nacional das fraudes e pelo trabalho desenvolvido pela DRACO de Vacaria, que conseguiu reunir provas para desarticular uma organização suspeita de movimentar milhões de reais por meio de crimes eletrônicos praticados em todo o país.

Brigada Militar, DRACO, Polícia Civil, Vacaria

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