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CSG

Rompimentos, calor e consumo elevado desafiam sistema de água e afetam população de Vacaria

O abastecimento de água em Vacaria enfrenta uma das semanas mais difíceis dos últimos anos.

Desde segunda-feira, uma sequência de rompimentos em redes de distribuição, somada ao alto consumo provocado pelas temperaturas elevadas, tem dificultado a normalização completa do sistema de abastecimento no município.

As equipes de manutenção trabalham de forma contínua desde o primeiro incidente, ocorrido durante uma obra de ampliação da rede nas proximidades da Estação de Tratamento de Água (ETA).

Apesar dos reparos realizados, novos problemas surgiram ao longo dos dias seguintes, prolongando os transtornos para a população.

Primeiro rompimento ocorreu durante obra de ampliação da rede

O episódio que deu início à sequência de problemas aconteceu na tarde de segunda-feira, por volta das 15h30, durante a execução de uma obra de ampliação da rede de água nas proximidades da ETA.

Durante a instalação de uma nova tubulação de maior capacidade, 500 mm, a adutora principal que abastece a cidade foi atingida.

O conserto da estrutura danificada foi concluído ainda na noite de segunda-feira, por volta das 23h. Com o reparo finalizado, iniciou-se o processo de elevação da pressão na rede para retomar o abastecimento.

No entanto, durante a madrugada, ocorreu uma movimentação em uma junta variável da tubulação recém-reparada. A alteração na estrutura exigiu que o local fosse reaberto para um novo reparo, o que acabou interrompendo novamente o processo de distribuição de água para a cidade.

Novo reparo foi concluído na noite de terça-feira

As equipes permaneceram trabalhando durante toda a terça-feira para estabilizar o sistema. O reparo definitivo foi concluído no início da noite, permitindo que o sistema voltasse gradualmente a enviar água para os reservatórios e redes de distribuição.

Esse processo, no entanto, não é imediato. Após um período prolongado de interrupção, é necessário recompor os níveis de reservatórios, retirar o ar das tubulações, (processo chamado de expurgo) e restabelecer a pressão em toda a rede, o que exige várias horas de operação contínua.

Calor intenso e consumo elevado dificultaram recuperação

Na quarta-feira o abastecimento começou a retornar gradualmente para diferentes regiões da cidade. Apesar da melhora no sistema, o dia foi marcado por temperaturas elevadas e alto consumo de água, o que dificultou a recuperação completa dos níveis de reservação.

Quando o consumo é muito alto durante o processo de recuperação, parte da água que deveria recompor os reservatórios acaba sendo consumida imediatamente, prolongando o tempo necessário para que o sistema volte ao equilíbrio.

Essa situação é comum em sistemas de abastecimento quando ocorre uma paralisação prolongada.

Prefeitura notifica concessionária e aplica multa

Também na quarta-feira, a Prefeitura de Vacaria, por meio do PROCON Municipal, notificou oficialmente a concessionária responsável pelo abastecimento de água após os transtornos registrados na cidade.

A autuação aplicada prevê multa correspondente a 50 mil VRMs, valor aproximado de R$ 250 mil, podendo ser acrescida em 5 mil VRMs por dia enquanto persistir a situação considerada irregular.

Além da multa, a empresa foi notificada a apresentar, no prazo de cinco dias úteis, um plano de ressarcimento aos consumidores afetados pela interrupção do serviço.

Segundo o município, os valores arrecadados com eventuais multas serão revertidos na aquisição de caixas d’água para a população, como forma de ampliar a segurança hídrica nas residências.

A notificação cita dispositivos da legislação municipal que determinam que, em casos de interrupção superior a 24 horas, a concessionária deve oferecer alternativas de abastecimento, como caminhões-pipa, ao maior número possível de moradores.

O prefeito de Vacaria, André Luiz Rokoski, manifestou-se sobre o episódio afirmando que o município irá cobrar responsabilidades diante dos transtornos registrados. Segundo ele, a população não pode ficar desassistida diante de falhas na prestação de um serviço considerado essencial.

Corsan informa apoio com caminhões-pipa

Em nota enviada ao Diário de Vacaria na quarta-feira, a Corsan informou que seis caminhões-pipa estavam atuando no município para auxiliar no abastecimento.

De acordo com a companhia, os veículos estavam sendo utilizados principalmente para o enchimento de reservatórios que atendem as regiões mais altas da cidade, consideradas mais sensíveis durante períodos de recuperação do sistema.

A empresa também informou que o abastecimento estava em recuperação desde a noite de terça-feira, quando foi concluído o conserto de uma das principais adutoras de água tratada do município.

Sobre a manifestação do PROCON municipal, a companhia declarou que, até aquele momento, não havia recebido notificação formal, e que a demanda seria analisada e respondida dentro dos prazos legais assim que fosse oficialmente comunicada.

A empresa orientou ainda que consumidores utilizem seus canais de atendimento para informações e solicitações, incluindo aplicativo, agência virtual, WhatsApp e atendimento telefônico.

Novo rompimento registrado na madrugada desta quinta-feira

Quando a rede começava a apresentar sinais mais consistentes de normalização, um novo problema surgiu na madrugada desta quinta-feira. Entre 05h e 06h da manhã, após uma noite importante para a recuperação dos níveis do sistema, foi registrado um novo rompimento na Rua Júlio de Castilhos.

Neste caso, o problema ocorreu em uma rede de fibrocimento de 200 milímetros, uma tubulação mais antiga do sistema de distribuição.

O rompimento voltou a prejudicar os trabalhos de estabilização do abastecimento na cidade, exigindo novamente a mobilização das equipes para realizar o reparo e recompor o sistema.

Bolsões de ar: um dos inimigos do reabastecimento do sistema

Após grandes interrupções no abastecimento, um dos desafios técnicos mais difíceis de controlar dentro da rede é a formação dos chamados bolsões de ar. Quando a tubulação permanece vazia por muitas horas, o ar ocupa parte do espaço interno dos canos.

No momento em que a água volta a circular e a pressão do sistema é elevada para restabelecer o abastecimento da cidade, esse ar fica comprimido em determinados pontos da rede, provocando variações bruscas de pressão.

Essas oscilações funcionam como impactos hidráulicos dentro das tubulações. Em redes mais antigas, especialmente nas construídas com fibrocimento, que já apresentam desgaste ao longo dos anos, essas variações podem abrir fissuras, provocar vazamentos e até desencadear novos rompimentos.

Por isso, a presença desses bolsões de ar é considerada um dos principais obstáculos técnicos na fase de recuperação do sistema após grandes interrupções no abastecimento.

Rede antiga e obras de modernização

Os episódios desta semana também evidenciam uma realidade presente em muitos sistemas de abastecimento no Brasil: a convivência entre redes antigas e novas estruturas em processo de modernização.

Parte da rede mais antiga de Vacaria foi construída com tubulações de fibrocimento, material bastante utilizado entre as décadas de 1960 e 1990. Com o passar do tempo, esse tipo de estrutura pode perder resistência, tornando-se mais sensível a variações de pressão, movimentações do solo e intervenções na rede.

Tubulação antiga de fibrocimento e a nova tubulação PVC DeFoFo

AspectoFibrocimento (rede antiga)PVC DeFoFo com junta elástica (rede nova)
ResistênciaMais frágil com o passar dos anos e pode quebrar com vibrações ou pressãoMais resistente e preparado para suportar pressão e movimentação do solo
FlexibilidadeMaterial rígido que não absorve movimentações do terrenoMaterial mais flexível que acompanha pequenas movimentações sem romper
Sistema de juntasConexões mais rígidas, com menor capacidade de adaptaçãoJunta elástica com anel de borracha que absorve variações e reduz vazamentos
DurabilidadeVida útil média entre 40 e 60 anosPode durar entre 50 e 100 anos
Segurança no abastecimentoRedes antigas têm maior risco de rompimentos e manutençãoRedes modernas são mais estáveis e reduzem interrupções no abastecimento

Sistema precisa recuperar reservatórios e estabilizar pressão

Após reparos em redes principais, a normalização do abastecimento ocorre em etapas. Primeiro é necessário recompor os níveis de água nos reservatórios. Em seguida, a pressão é restabelecida gradualmente para evitar novos rompimentos em tubulações mais antigas.

Além disso, parte do processo envolve a retirada do ar acumulado nas tubulações e a estabilização do fluxo em toda a rede de distribuição. Dependendo da extensão da interrupção e do consumo da população, esse processo pode levar várias horas ou até mais de um dia para que todo o sistema volte ao equilíbrio.

Situação exige cautela até completa estabilização

Com os reparos realizados ao longo da semana e as intervenções emergenciais após o novo rompimento desta quinta-feira, o sistema segue em processo de recuperação.

Enquanto os níveis de reservação e a pressão da rede não estiverem totalmente estabilizados, podem ocorrer variações no abastecimento em diferentes regiões da cidade.

Água, Corsan, Corsan Aegea

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