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Turismo em Vacaria: O que está no seu prato pode ser o maior cartão de visitas da região?

Os Campos de Cima da Serra sempre foram sinônimo de frio, araucárias, campo aberto e horizonte que parece não ter fim. Quem mora aqui sabe: o tempo é diferente. A luz é diferente. E o sabor também.

Mas, em meio a tanta beleza, uma pergunta começou a ganhar força: será que a gente está enxergando tudo o que tem nas próprias mãos?

Foi com essa provocação que o Festival Mesa Gaúcha apresentou, em Vacaria, o estudo que coloca a gastronomia da região no centro da conversa sobre turismo, identidade e futuro.

À frente da apresentação estiveram Lela Zaniol e Diogo Carvalho, embaixadores do Festival Mesa Gaúcha. Com uma condução leve e envolvente, Lela trouxe sensibilidade à conversa, provocando o público a enxergar o valor do que já faz parte do cotidiano da região.

Para pensar… Antes de confiar em alguém, a gente aceita um café.
Antes de entender uma cultura, a gente prova um prato.
Antes de sentir-se em casa, a gente senta à mesa.

O mundo está viajando para comer — e isso muda tudo

Hoje, viajar não é só tirar foto. É experimentar. É provar. É sentir.

Dados apresentados pelo projeto mostram que 87% das pessoas querem viver ao menos uma experiência gastronômica quando viajam. Outros 66% planejam ao menos uma viagem por ano motivada exclusivamente pela comida. E 34% escolhem o destino pela força da culinária local.

O Brasil fechou 2025 com quase 9,3 milhões de turistas estrangeiros. O Rio Grande do Sul foi o terceiro estado que mais recebeu visitantes internacionais, com 1,4 milhão de pessoas e crescimento de 86,4%.

Esses números ajudam a explicar por que a conversa mudou de tom. O crescimento do turismo no Estado abre espaço real para que Campos de Cima da Serra seja lembrada não só pela paisagem, mas pelo sabor.

Se a comida virou critério de escolha, nossa região tem tudo para entrar nessa disputa. A comida deixou de ser complemento. Virou critério de decisão.

Quem vive aqui sabe, mas pode valorizar ainda mais

O estudo parte de algo simples: ouvir quem vive aqui. Produtores, cozinheiros, empreendedores e moradores participaram de entrevistas para falar de rotina, tradição, orgulho e visão de futuro.

A partir dessa escuta, surgiu uma constatação clara: a região tem identidade forte. O que faltava era organizar essa identidade como narrativa.

Porque quando o visitante chega, ele encontra o frio, o campo, a hospitalidade. Mas agora a proposta é que ele também encontre uma história contada à mesa.

Para Pensar… Nenhum território se torna desejado sem identidade.
E nenhum pertencimento se constrói mais rápido do que pelo sabor.

Não é só paisagem. É experiência.

A apresentação reforçou três ideias centrais sobre Campos de Cima da Serra.

  • Primeiro: a natureza convida à aventura. – O maior conjunto de cânions da América
  • Latina não é apenas uma moldura, é um convite para viver em movimento.
  • Segundo: lá do alto a vista é diferente. Do alto dos cânions, a vista alcança horizontes que reconfiguram o olhar. Quando a paisagem se amplia, o pensamento também.
  • Terceiro: a beleza da simplicidade é o verdadeiro luxo. Aqui, o espaço respira, o tempo desacelera e o luxo não está no excesso.

Enquanto outros destinos apostam em luzes, parques e grandes estruturas, nossa região oferece silêncio, fogo de chão e tempo desacelerado. A força da região está na união entre natureza preservada e cultura campeira viva. Isso não é tendência criada. É o que já existe.

O que pode ser valorizado:

  • Ecoturismo
  • Turismo de Colheita
  • Vistas Cinematográficas
  • Contemplação
  • Vida Campeira

Para Pensar… Proposta de Valor: Entre alturas e silêncios,
a natureza muda a perspectiva e faz da simplicidade o verdadeiro luxo.

A altitude muda o clima. O clima muda o cultivo. O cultivo muda o sabor.

Um dos conceitos apresentados foi o da “Geografia do Sabor”. Parece sofisticado, mas a ideia é simples: o que nasce aqui tem gosto daqui.

  • O mel de bracatinga não é igual a outro mel. – Um mel de altitude, escuro e intenso, nascido da seiva das árvores e da tradição apícola da região.
  • O pinhão não é só um fruto — é inverno, é brasa, é encontro. – Fruto nativo da araucária, é a base rústica de diversos pratos, simbolizando o sabor do inverno e da tradição serrana.
  • O queijo serrano carrega a história do gado e da lida no campo. Um queijo de sabor forte e marcante, produzido de forma artesanal, refletindo a herança do gado e do modo de vida campeiro.
  • A truta ganhou espaço e virou prato símbolo. Consolidada como o prato da gastronomia local, é preparada com um toque regional, como o inusitado e saboroso molho de bergamota.

Quando esses ingredientes passam a ser reconhecidos como marca da região, nossos Campos de Cima da Serra deixam de ser só destino e viram referência. Não é invenção. É reconhecimento.

A Maçã e o ciclo da prosperidade

Se o pinhão representa o inverno e a araucária, a maçã simboliza o ciclo da colheita, o trabalho da terra e a prosperidade do campo. A maçã não é apenas fruto. É símbolo de renovação. Há colheita guiada, degustações, preparos com a fruta fresca e valorização dos produtores locais.

Para Pensar… Um lugar não é só um espaço, é o que as pessoas sentem quando estão lá.

Algumas Receitas que contam quem somos

  • Pastel de pinhão, Risoto de pinhão, Pizza de pinhão, Entrevero serrano, Assado de 12 horas, Carreteiro de charque, Feijão campeiro, Queijo serrano com mel.

A sapecada de pinhão, herança dos tropeiros, continua sendo um dos gestos mais fortes de identidade. É simples, é direta, é nossa. Durante o encontro, um participante lembrou em voz alta: “A paçoca de pinhão não pode faltar.”

A frase arrancou sorrisos e foi imediatamente incorporada à conversa. Porque é assim que a identidade aparece: quando alguém sente que algo seu pode ficar de fora. Ali ficou claro que o orgulho está vivo.

Quando a tendência do mundo encontra nossa tradição

O estudo também mostrou que o mundo está buscando autenticidade. Segundo dados apresentados, 73% dos turistas valorizam comida caseira de verdade. Outros 74% escolhem turismo rural pela proximidade com a natureza.

Mais da metade dos viajantes de lazer viaja pensando em comida. E 81% dizem que entendem melhor a cultura de um lugar quando experimentam seus sabores.

Os Campos de Cima da Serra já vive exatamente isso: Aqui, a fazenda é a mesa. O campo é cenário. O fogo é centro. O alimento tem nome, rosto e história. O que para nós é cotidiano, para o visitante pode ser experiência única.

O que vem agora

O projeto prevê que, ao final do percurso pelas oito regiões, o material se transforme em receitas tradicionais organizadas e em um guia de restaurantes. Na prática, significa facilitar para que quem venha de fora saiba onde ir, o que provar e por que aquilo é especial. Não se trata de mudar a Serra. Trata-se de contar melhor a história dela.

A assinatura construída resume a ideia: “No alto tudo muda: o sabor, a vista e a gente.”

E talvez essa seja a frase que melhor explica o momento: A paisagem continua linda. O pinhão continua na brasa. O queijo continua curando. O mel continua escorrendo escuro e forte.

O potencial gastronômico da Serra é de abrir o apetite — e não só para comer, mas para acreditar. Porque quando a gente se reconhece no próprio sabor, o mundo também começa a reconhecer.

Para Pensar… Quando a comida exige caminhada, espera, fogo, vento ou paisagem, ela deixa de ser consumo e vira conquista.

Afinal, As melhores memórias de uma viagem quase sempre acontecem em torno da mesa.

Degustar também é reconhecer

O evento contou com pop-ups gastronômicos que transformaram a conversa em prática.

A RAR Gastronomia apresentou degustações que reforçaram técnica e valorização de ingredientes regionais. A Dalaio Alimentos também participou, mostrando seus produtos e destacando a força da produção local.

Provar ajuda a entender. E entender ajuda a valorizar.

Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul, Vacaria

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