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João e Kika: o casal que moveu Vacaria para mais uma inesquecível Festa dos Motoristas

Casal da AMV transforma dedicação silenciosa em força motriz para mobilizar centenas de pessoas na 26ª Festa dos Motoristas

A cena se repete há 26 anos, mas nunca da mesma forma. Entre os dias 9 e 11 de janeiro de 2026, Vacaria viveu mais uma edição da Festa dos Motoristas. Foi uma celebração que une fé, música, tradição, gastronomia e, acima de tudo, pessoas.

O evento cresceu, ganhou pavimentação, estrutura, reconhecimento. Mas o que realmente sustenta a engrenagem está nos bastidores: o trabalho incansável e apaixonado de João Carlos Dal Zotto e sua esposa, Gislaine “Kika” Dal Zotto, casal à frente da Associação dos Motoristas de Vacaria (AMV), que mais uma vez transformou esforço em emoção coletiva e merece esse grande destaque.

Quando muitos estão sobrecarregados com suas próprias rotinas e urgências, João e Kika seguem escolhendo o caminho mais difícil: o da entrega voluntária. Não há cachê, não há salário, não há garantias. Há uma fé obstinada, um propósito de que vale a pena unir pessoas, reunir histórias e celebrar quem move o Brasil.

A vitória do asfalto, a conquista de vínculos

Nesta edição, a festa celebrou uma conquista material que há décadas era aguardada: o asfaltamento do acesso à Chácara das Palmeiras, um compromisso firmado pelo Governo Municipal durante a edição de 2025 da festa.

Para João, que acompanha o evento desde o início, foi mais do que uma obra. Foi justiça. “Hoje a realidade é outra. A mudança impacta diretamente a nossa qualidade de vida e a organização do evento”, disse ele.

Mas ao lado dessa vitória concreta, houve outra — menos visível, mais delicada, mas ainda mais rara: a capacidade de reunir voluntários, patrocinadores, famílias e amigos em torno de um mesmo ideal. Isso, em uma época marcada pelo individualismo, é uma façanha que poucos líderes conseguem realizar.

A força de quem insiste: “Se a gente largar, termina tudo”

Em um episódio especial do podcast Diário na Estrada, produzido pelo Diário de Vacaria, João e Kika abriram o coração sobre o que significa organizar uma festa como essa. “A gente termina uma e já começa a pensar na outra”, contou Kika. “Ninguém é remunerado. A gente faz porque acredita.”

Confira o Podcast gravado no Estúdio do Diário de Vacaria

É essa crença — firme, silenciosa e persistente — que mantém a roda girando. E foi ela que possibilitou, mais uma vez, transformar a sede da AMV em um palco de reencontros, diversão e fé.

Procissão de fé: uma cidade parada para agradecer

No domingo, como de costume, a procissão motorizada tomou conta das ruas da cidade. Mais de 600 caminhões participaram do desfile que saiu da Avenida Samuel Guazzelli, levando as imagens de São Cristóvão e Nossa Senhora da Oliveira. Um verdadeiro cortejo de gratidão, orgulho e pertencimento.

João contou que há quem durma na frente da empresa para garantir lugar no comboio. Isso não se explica com planilhas ou projetos. É o tipo de devoção que nasce do exemplo. O mesmo exemplo que eles, o casal da AMV, seguem dando ano após ano.

Mini Truck, adoção de animais e o olhar além do caminhão

Nesta edição, a festa também ganhou novos significados. Um dos destaques foi a parceria com o grupo Anjinhos de Rua, que levou ao evento uma ação de adoção consciente de animais.

A proposta, como explicou Kika, era usar o Mini Truck da Cavalinho como ponto de encantamento para as crianças — e incentivo à adoção responsável.

Foi um gesto pequeno no tamanho, mas enorme no simbolismo. Mostra que a festa se conecta com causas atuais, vai além da boleia, e oferece um espaço de cuidado, empatia e construção de valores.

Comida, esporte e tradição: o corpo da festa está vivo

A programação oficial misturou esporte, cultura, música e gastronomia. Na sexta-feira, o jantar dançante com tortéi e galeto lotou a sede da AMV com 900 ingressos esgotados. No sábado, os torneios de futebol movimentaram o dia. À noite, o tradicional carreteiro reuniu todos em volta do fogo e da comida compartilhada.

No domingo, após a procissão e a missa campal, as finais dos torneios e os shows com Fole Gaúcho e Banda Hellige fecharam o ciclo. Três dias intensos, carregados de significado.

Empresas e voluntários: o apoio que sustenta a engrenagem

Nenhuma festa como essa se faz sozinha. Ao longo da jornada, empresas locais, parceiros e dezenas de voluntários foram somando forças com a AMV. Muitos trabalham nos bastidores, longe das fotos, mas essenciais para que tudo funcione.

“É uma engrenagem. Quem cozinha, quem serve, quem limpa… Sozinhos a gente não dá conta”, contou Kika. E é essa engrenagem, movida pelo exemplo do casal, que inspira tantos a colaborarem, mesmo com agendas cheias e múltiplas demandas.

Sorteios, reconhecimento e o “obrigado” aos caminhoneiros

Durante os shows de domingo, a organização realizou sorteios com prêmios de peso: geladeira, caixas de cozinha, cestas, coolers.

A mecânica foi simples: quem participou da procissão recebeu um número — e concorreu. Mas o gesto tem valor simbólico: é o “obrigado” da festa a quem acorda cedo, enfrenta estrada, cuida do caminhão, e ainda separa o domingo para celebrar a profissão.

A AMV e sua missão além da festa

A Associação dos Motoristas de Vacaria é também um espaço de serviços e convivência. Com uma taxa simbólica de adesão e mensalidade acessível, oferece descontos em plano de saúde, convênios com empresas, e uso da sede para festas e encontros. Qualquer pessoa pode se associar. É um jeito de manter o espaço vivo — e ampliar seu impacto.

Vacaria que representa e é representada

A AMV também leva o nome de Vacaria para outras festas de motoristas pelo estado. Lagoa Vermelha, Sananduva, São Marcos… Em cada lugar, a presença das rainhas, do casal organizador e dos membros da associação é um gesto de reciprocidade. “Se você vem na minha casa e me convida, eu tenho que retribuir”, diz Kika. Um raciocínio simples, mas que sustenta a rede de apoio entre cidades.

Fé, união e um convite para continuar

A fala de João, no fim do podcast, resume o espírito que move essa festa: “Sem caminhão o Brasil para. Mas sem comunidade, sem gente junto, a festa também para.” E é essa gente — os vizinhos, os amigos, os jovens que ajudam, os músicos, os que doam, os que cozinham — que o casal Dal Zotto conseguiu, mais uma vez, reunir.

A Festa dos Motoristas de Vacaria não é só uma celebração de estrada. É uma declaração de resistência amorosa. Em tempos em que todo mundo anda apressado, individualizado e sobrecarregado, João e Kika reúnem. Acolhem. Persistem. E vencem.

Foto: Gabriel Furlanetto – O Retrato

Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul, Vacaria

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