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Paisagismo – Jardins bem planejados: Drenagem, Iluminação e as decisões que vêm antes da obra

O 12º episódio do podcast Diário de Arquitetura e Construção, teve a presença da arquiteta Márcia Fett e do fundador da Floricultura Benedet, Edson Benedet. Eles falaram sobre paisagismo, jardinagem e a integração desses elementos com a arquitetura.

A conversa revelou que a construção de um espaço verdadeiramente harmonioso vai muito além do cimento e dos tijolos. Ela exige planejamento, sensibilidade estética e, principalmente, conhecimento técnico sobre a natureza.

Paisagismo como extensão da arquitetura

Márcia iniciou explicando que o paisagismo já faz parte da formação dos arquitetos e está presente como um elemento essencial desde os primeiros esboços de um projeto. Para ela, a construção de um ambiente, seja ele um jardim, uma casa ou uma combinação dos dois, só atinge seu máximo potencial quando essas áreas se comunicam visualmente, criando valor tanto estético quanto econômico.

“Os volumes das plantas e os caminhos vão criando uma comunicação visual. Isso agrega valor ao imóvel, ao negócio. O paisagismo só valoriza.” explicou Márcia.

A trajetória de quem vive o verde todos os dias

Edson compartilhou sua experiência de mais de 12 anos no mercado. Pós-graduado em botânica de plantas ornamentais, ele destacou que desde o início buscou inovação. Viajar a São Paulo, referência no setor, era parte da rotina para trazer lançamentos em plantas e ferramentas de projeto.

“Iniciamos com um software exclusivo, que nos permite montar um projeto paisagístico a partir de uma foto do cliente. Isso não existia aqui na região na época.” comentou Edson.

Além disso, ele explicou que sua floricultura não é um espaço comum, mas sim um garden especializado, com insumos e produtos específicos para cada tipo de planta, de fungicidas até substratos para cactos e suculentas.

Vacaria e os desafios do clima

Edson reforçou a necessidade de conhecer profundamente o que se está fazendo, como por exemplo na cidade de Vacaria, o clima impacta no cuidado e na manutenção dos jardins.

“Trabalhamos com linhas específicas. Outono-inverno e primavera-verão têm plantas próprias. Nosso frio intenso embeleza algumas espécies, como as hortênsias.” destacou.

Para ele, a compreensão climática é o primeiro passo na escolha das espécies certas, adaptando beleza e viabilidade ao cenário local.

Baixa manutenção também é possível

Edson e Márcia ressaltaram a importância de pensar o paisagismo desde o início da obra. Um erro comum é deixar para o final. Quando isso acontece, faltam torneiras para irrigação, iluminação específica e, em alguns casos, o próprio solo não está preparado.

“Se a gente pensa junto desde o início, o cliente ganha muito. Se for uma área de piscina, por exemplo, já se evita árvores que soltem muitas folhas ou que tenham raízes agressivas.” explicou Edson.

E Márcia completou: “No papel tudo é possível, mas a realidade exige técnica. O projeto precisa se preocupar também com pets, com crianças, com toxicidade de algumas espécies. É arte com responsabilidade.”

Erros que se repetem

Edson contou situações recorrentes em que projetos foram mal pensados, gerando dores de cabeça futuras:

  • Calçadas levantadas por raízes mal posicionadas.
  • Trepadeiras invadindo calhas e tubulações.
  • Gramados plantados em locais inadequados para sua espécie.
  • Plantas internas colocadas ao ar livre, fora do contexto visual e funcional.

“Às vezes as pessoas veem uma planta na praia e querem trazer pra cá. Mas aqui ela não sobrevive ao inverno. Isso gera frustração e afasta as pessoas das plantas.” Alerta ele.

A energia viva das plantas no dia a dia

Mais que estética, as plantas são também elementos de bem-estar. Márcia e Edson refletiram sobre os efeitos positivos de se conviver com o verde. Desde o Feng shui até as propriedades místicas atribuídas ao lírio-da-paz e à espada de São Jorge, tudo colabora para criar uma casa mais viva.

“Cada planta tem sua energia. E mesmo que a pessoa não acredite nisso, ela sente. As fragrâncias, as texturas, as cores, tudo comunica.” afirmou Edson.

Márcia destacou que as plantas também têm função prática: “Elas ajudam a esconder o que não queremos mostrar, valorizam o que é bonito, criam foco, criam sombra. São funcionais e decorativas.”

Jardins internos: espaço pequeno, efeito grande

Embora o famoso “jardim de inverno” esteja menos comum devido à redução das áreas construídas, Márcia observa que o uso de plantas em espaços estratégicos continua em alta, seja com temperos na cozinha ou orquídeas na sala.

“Planta é ser vivo. Ela dá vida ao ambiente. Dá prazer e é fácil de manter se você souber cuidar. As orquídeas, por exemplo, são lindas e muito resistentes.” disse Márcia.

A manutenção e o calendário das flores

A rotina de um jardim bem cuidado inclui muito mais que cortar grama. Segundo Edson, o ideal são ao menos duas visitas mensais de um profissional capacitado.

“No inverno se faz podas, trocas, adubação, controle de pragas. No verão, a rega precisa ser constante. Cada estação tem suas flores: boca-de-leão, amor-perfeito, calêndulas no frio; salvia, petúnias e dipladênias no calor.” exemplificou.

A troca de flores entre estações, principalmente em canteiros públicos ou de condomínios, precisa seguir esse calendário natural, respeitando os ciclos das espécies.

Tecnologia a favor do verde

A irrigação automatizada também é realidade por aqui. Sistemas modernos permitem acionar a água via aplicativo de celular, com sensores que evitam desperdício quando chove.

“Hoje você pode programar tudo. A irrigação é essencial, mas também é um momento terapêutico para quem gosta de cuidar. É um tempo para si mesmo.” disse Edson.

Beleza que transcende o dia

Iluminar bem um jardim é outra etapa importante que precisa estar no projeto desde o início. Márcia reforçou que isso valoriza o espaço e dá um charme especial às noites. “Iluminação bem feita transforma. Mas precisa passar infraestrutura antes de plantar. Tudo tem seu momento na obra.”

Tendências para o verão: praticidade e cor

Edson compartilhou o que está em alta para a estação mais quente do ano. A busca por plantas de fácil manutenção e com cores vibrantes tem crescido. Entre as tendências estão:

  • Rosas arbustivas e trepadeiras mescladas.
  • Petúnias coloridas.
  • Isálvias, tagetes e dipladênias.

“O jardim pode ser adaptado a qualquer orçamento. Vai do tempo que o cliente está disposto a esperar. Se quer um jardim maduro e pronto, vai investir mais. Mas também pode começar pequeno e ver florescer.” concluiu Edson.

Investimento e estilo de vida

Investir em paisagismo não é apenas uma questão estética. É uma escolha por bem-estar, por valorizar o imóvel, por viver com mais qualidade. Márcia e Edson demonstram que a arquitetura e o paisagismo, quando caminhando juntos, podem transformar lares, ruas e cidades.

Com conhecimento, cuidado e planejamento, o verde se torna parte da vida, dentro e fora de casa.

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