Princípio de incêndio em prédio abandonado expõe riscos do abandono de imóveis em Vacaria
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Um princípio de incêndio registrado na manhã desta sexta-feira (28) em um prédio abandonado na Rua XV de Novembro, no centro da cidade, trouxe novamente à tona a situação crítica dos imóveis desocupados na região.
O fogo, que estava em dois pontos distintos em andares diferentes, foi controlado sem maiores danos e não deixou feridos. No momento do incidente, havia moradores de rua dormindo no local, que após o trabalho do Corpo de Bombeiros permaneceram no prédio.
Moradores de rua relataram que sentiram cheiro de fumaça e, ao verificarem o que acontecia, encontraram um foco de chamas próximo a um dos cantos onde havia acúmulo de entulho e objetos descartados. Apesar do susto, não houve feridos.
Prédio abandonado serve de abrigo improvisado para moradores em situação de rua
O prédio atingido pelo princípio de incêndio é apenas um entre os diversos imóveis abandonados que se tornaram abrigo para pessoas em situação de rua na área central da cidade. Desocupado há anos, o local acumula entulho, sujeira e apresenta estrutura deteriorada, com infiltrações, rachaduras e fiações expostas.
Para os moradores em situação de rua, esses prédios são opções de proteção contra o frio, a chuva e a violência das ruas. No entanto, as condições precárias e a ausência de qualquer manutenção tornam esses espaços inseguros e propensos a incidentes como o registrado.
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Comerciantes e moradores da região cobram solução para imóveis abandonados
O episódio reforça a preocupação de comerciantes e moradores da região central com a quantidade crescente de imóveis abandonados e a falta de fiscalização ou destino adequado para esses espaços. Prédios desocupados, acabam se transformando em pontos de ocupação irregular, descarte de lixo, abrigo improvisado e até foco de atividades ilícitas.
Comerciantes relatam que a degradação desses imóveis contribui diretamente para a sensação de insegurança na região, especialmente durante a noite. Além disso, imóveis abandonados e ocupados de forma precária elevam o risco de incêndios, desabamentos e outros acidentes, afetando também propriedades vizinhas.
Embora incidentes não sejam novidade, eles são frequentemente tratados como casos isolados e não resultam em ações concretas de revitalização ou políticas de ocupação ordenada. Moradores e lojistas afirmam que o poder público tem conhecimento da situação, mas até agora nenhuma medida efetiva foi adotada para enfrentar o problema de forma estruturada.
Outro caso de abandono depois de anos, foi finalmente demolido
No dia 16 de dezembro de 2024, o casarão histórico localizado na BR-116, esquina com a Avenida Moreira Paz, em Vacaria, foi finalmente demolido.
A estrutura, que existia há décadas, estava abandonada há anos e havia se tornado um símbolo de negligência urbana, preocupando moradores e autoridades.
Clique aqui para ler sobre essa demolição realizada
Falta de fiscalização e políticas específicas contribui para a degradação da área central
A ausência de fiscalização constante e de políticas públicas voltadas à destinação de imóveis abandonados é apontada como um dos fatores que agravam o quadro de abandono e ocupação irregular. Casos como o da Rua XV de Novembro, prédios inteiros permanecem fechados por anos, sem manutenção, sem uso e sem perspectiva de reocupação.
A situação é agravada por questões jurídicas envolvendo muitos desses imóveis, como disputas de herança, pendências fiscais ou processos de falência, que dificultam sua destinação. Sem ações diretas, eles acabam se transformando em espaços de risco, tanto para quem ocupa precariamente quanto para quem circula ou trabalha nas proximidades.
População em situação de rua se vê sem alternativas seguras de abrigo
Para as pessoas em situação de rua que dependem desses prédios para dormir, o risco é constante, mas, na ausência de alternativas, eles permanecem nos espaços mesmo diante do perigo. Muitos afirmam que já se acostumaram a conviver com fiações expostas, tetos prestes a cair e a possibilidade de incêndios, enxergando os prédios abandonados como um refúgio menos perigoso do que as calçadas e praças.
O princípio de incêndio deve ser apenas mais um episódio a se somar à longa lista de incidentes envolvendo prédios e casas abandonadas na cidade. Até novas ações mais rigorosas, moradores de rua, comerciantes e quem vive ou trabalha no centro seguirão convivendo diariamente com o abandono e seus reflexos.