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Outubro Rosa Pet: Combate ao Câncer de Mama em animais e a história da Belinha no Diário Pet

Em outubro, o mundo volta os olhos para a campanha do Outubro Rosa, com foco na prevenção do câncer de mama nas mulheres. Mas há alguns anos, uma nova pauta tem ganhado espaço nas clínicas veterinárias e deve ganhar mais atenção nos lares brasileiros: o Outubro Rosa Pet, voltado à conscientização sobre o câncer de mama em cadelas e gatas.

Outubro Rosa Pet: combate ao câncer de mama em animais e a história da Belinha no Diário Pet

No mais recente podcast do Diário Pet, esse tema foi abordado com sensibilidade e profundidade. Com a médica veterinária Dienifer Sutil e a historiadora Fernanda Vieira, tutora da cadelinha Belinha, que enfrentou um diagnóstico de câncer de mama.

A história tocante da Belinha e os esclarecimentos técnicos de Dienifer revelam que precisamos expandir o conhecimento sobre uma doença silenciosa, comum e, muitas vezes, fatal nos animais de estimação.

A importância de falar sobre câncer de mama em pets

“Pouca gente sabe, mas as cadelas e gatas também podem desenvolver câncer de mama, especialmente se não forem castradas”, explica Dienifer. Esse tipo de tumor está diretamente relacionado à estimulação hormonal da glândula mamária, causada pelos ciclos de cio.

Assim como nos humanos, a prevenção é o caminho mais seguro, e ela começa com a castração precoce, idealmente antes do terceiro cio.

Dienifer destaca que 50% dos tumores mamários em cadelas são malignos, e esse número sobe para 90% em gatas. A castração, realizada no tempo certo, pode reduzir as chances da doença surgir.

Mas ainda há muitos tutores que desconhecem essa informação ou optam por práticas perigosas como o uso de anticoncepcionais hormonais em pets, que aumentam significativamente os riscos.

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A história de Belinha

A cadelinha Belinha foi encontrada pela historiadora Fernanda em frente a uma escola, debilitada, com sarna e uma cordinha no pescoço. “Ela não latia, não reagia. Parecia surda, muda”, relembra Fernanda, emocionada. Poucos dias antes, ela havia perdido um gato muito querido e, ao ver a cena, não hesitou. Levou a cachorrinha direto ao veterinário e decidiu adotá-la.

Belinha passou por desafios logo no início: foi atropelada, teve a pata esmagada e precisou de seis meses de cuidados com tala e curativos. Mesmo com esse histórico difícil, tornou-se uma companheira inseparável de Fernanda, inclusive em visitas de pesquisa a cemitérios e outros locais históricos.

Hoje, 13 anos depois, a relação das duas é um exemplo do amor incondicional entre humanos e animais. “Ela é a minha companheira. Sempre foi muito educada, assustada sim, mas muito querida”, conta a tutora.

O diagnóstico precoce e a importância do olhar atento

No final de 2024, Fernanda notou algo diferente: um pequeno caroço no abdômen de Belinha, próximo à mama. Ela percebeu que a cachorrinha começou a lamber o local com frequência e, em poucos dias, uma ferida se formou.

A veterinária que atendeu inicialmente alertou para a gravidade da situação. “Eu me apavorei. Não sabia que cães podiam ter câncer de mama”, diz Fernanda. Essa revelação, tão comum entre tutores, reforça a importância de iniciativas como o Outubro Rosa Pet.

O tumor de Belinha foi classificado como carcinoma complexo de glândula mamária grau 1, um tipo maligno, mas pouco agressivo. Graças ao diagnóstico precoce, não houve necessidade de quimioterapia, apenas a cirurgia de remoção da cadeia mamária comprometida.

Dienifer explica que tumores mamários com menos de 1 cm têm menos de 7% de chance de serem agressivos. “É por isso que detectar cedo faz toda a diferença. Tumor de mama não é série da Netflix, não é para acompanhar. Apareceu, tem que operar”, alerta.

Castração: prevenção que ainda divide opiniões

Apesar dos benefícios comprovados, a castração ainda gera dúvidas e resistência entre tutores. “Eu achei que, por ela nunca ter cruzado, não precisava castrar. Foi o meu erro”, reconhece Fernanda.

Dienifer reforça que a castração antes do terceiro cio é um método eficaz de prevenção. Após essa fase, o procedimento perde eficácia nesse sentido, mas pode continuar sendo indicado por outros motivos de saúde, como infecções uterinas ou suporte a tratamentos oncológicos.

O perigo dos anticoncepcionais para pets

Um ponto polêmico abordado no podcast foi o uso de anticoncepcionais em cadelas e gatas. Dienifer foi enfática: “Na minha opinião, esses produtos deveriam ser abolidos. Ainda são vendidos com muita facilidade, e aplicados sem critério, o que gera riscos gravíssimos.”

Segundo a veterinária, essas injeções são verdadeiras “bombas hormonais”, com altas doses de progesterona que estimulam exageradamente a glândula mamária, aumentando significativamente as chances de tumores. “Mesmo aplicando na época correta, os riscos são grandes. Imagina quando é feito sem orientação?”, questiona.

Acompanhamento e cuidados após a cirurgia

Após a primeira cirurgia, Belinha segue sendo monitorada. Ela ainda possui um tumor pequeno na outra cadeia mamária, que será removido em nova operação. Dienifer explica que, por ser uma cirurgia dolorosa, a retirada das duas cadeias não é feita simultaneamente.

O acompanhamento deve ser contínuo, com visitas ao veterinário a cada três meses e exames de imagem para verificar possíveis metástases. A doença pode voltar, mesmo quando tudo parece estar bem. Por isso, a vigilância constante é essencial.

Idosos também merecem tratamento

Um dos momentos mais emocionantes do episódio foi o relato de Fernanda sobre comentários que recebeu. “Me disseram para não gastar com uma cadela idosa, para deixar o destino agir ou até fazer eutanásia”, conta. Mas ela não hesitou. “Enquanto eu tiver condições, eu vou dar o melhor para ela.”

Assista aqui nosso recente podcast falando sobre geriatria em cães e gatos.

A decisão foi incrível. Belinha se recupera bem e continua sendo motivo de alegria. “A responsabilidade de ter um animal é para a vida toda. Não é porque envelheceu que vamos abandonar”, afirma Fernanda com convicção.

A relação entre Fernanda e Belinha vai além do vínculo entre humano e animal. É uma prova de que amor verdadeiro exige compromisso, dedicação e empatia. “Ela era invisível para todo mundo. Eu não posso mudar o mundo, mas mudei o mundo dela”, declara Fernanda, emocionada.

Dienifer complementa com um exemplo recente: uma cadelinha de 15 anos, com doença renal e câncer mamário avançado, passou por cirurgia e quimioterapia. “Ela está ótima. A idade não impede o tratamento. O que salva vidas é o diagnóstico precoce e o compromisso do tutor.”

Uma campanha de conscientização que precisa crescer

A iniciativa do Outubro Rosa Pet é essencial para ampliar o debate sobre a saúde dos animais. “Muita gente ainda não sabe que cães e gatos podem ter câncer de mama. Precisamos falar sobre isso com mais frequência e responsabilidade”, reforça Dienifer.

Informação pode salvar as vidas dos pets. A prevenção começa em casa, com o toque atento do tutor, e se concretiza com o apoio veterinário especializado. A história de Belinha é um exemplo inspirador de que vale a pena lutar pela vida dos nossos companheiros de quatro patas, mesmo quando muitos dizem que não.

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