Skip to main content
CSG

Mulher é assassinada após assinar divórcio em Muitos Capões; ex-companheiro está foragido

Uliana Teresinha Fagundes, de 59 anos, foi assassinada na própria residência horas após assinar divórcio

A cidade de Muitos Capões, nos Campos de Cima da Serra, registrou na tarde de terça-feira, 20 de janeiro de 2026, o primeiro feminicídio do ano na região. A vítima, Uliana Teresinha Fagundes, de 59 anos, natural de Braga/RS, foi morta a tiros no interior da residência onde morava com o ex-companheiro, também de 59 anos, natural de Vacaria. O crime ocorreu no mesmo dia em que ambos formalizaram o divórcio em cartório, na cidade de Vacaria.

O caso, que mobilizou efetivos da Brigada Militar, Polícia Civil e Instituto-Geral de Perícias, está sendo investigado pela Delegacia de Polícia de Proteção a Grupos Vulneráveis, com foco em delitos contra a mulher. O autor do crime encontra-se foragido e, segundo suspeitas, estaria escondido em área de mata nas proximidades, aproveitando-se do conhecimento da região para evitar a prisão.

Divórcio oficializado na manhã do crime

Segundo informações oficiais, Uliana e o autor do crime haviam se separado de fato quatro dias antes do feminicídio, quando a vítima deixou a residência do casal. No entanto, a separação só foi formalizada na manhã do dia 20, quando ambos compareceram juntos a um cartório na cidade de Vacaria para assinar os papéis do divórcio.

Após a assinatura do documento, os dois retornaram à cidade de Muitos Capões. Em um contexto ainda sob investigação, seguiram para a casa onde haviam residido juntos. Por volta das 17 horas, já no interior da residência localizada na área central do município, Uliana foi atingida por ao menos quatro disparos de arma de fogo.

A dinâmica do crime: minutos de tensão e morte

Conforme o apurado, Uliana entrou sozinha na residência, enquanto o ex-companheiro permaneceu inicialmente do lado de fora. Poucos minutos depois, a sequência de tiros foi ouvida por vizinhos. Os disparos foram efetuados com um revólver, segundo informações preliminares. A vítima foi atingida dentro de casa e morreu no local.

Não houve tempo para que os serviços de saúde pudessem reverter o quadro. A ambulância do município foi acionada, mas apenas pôde constatar o óbito. A Brigada Militar foi a primeira a chegar ao local, dando início ao atendimento da ocorrência e acionando os demais órgãos competentes.

Fuga e buscas pelo suspeito

Após o crime, o autor fugiu imediatamente, embrenhando-se em uma área de mata nas proximidades da residência. A fuga foi facilitada pelo conhecimento que ele tem da região. Até o momento, a arma utilizada no crime não foi localizada, e o suspeito permanece foragido.

Equipes do 10º Batalhão de Polícia Militar, incluindo viaturas da ROCAM (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas), foram mobilizadas para realizar buscas na região. A suspeita principal é que o autor esteja escondido.

Investigação em fase inicial

A investigação está a cargo da Delegacia de Polícia de Proteção a Grupos Vulneráveis, especializada em delitos contra a mulher. O delegado Vitor Fernando Boff, responsável pelo caso, informou que o inquérito já foi instaurado.

O local do crime foi periciado por técnicos do Instituto-Geral de Perícias, com apoio do Departamento de Criminalística de Caxias do Sul. Os trabalhos iniciais incluíram isolamento da área, coleta de vestígios e documentação fotográfica do cenário do crime.

Sem antecedentes criminais, mas com perfil investigado

Conforme as autoridades, o autor do crime não possui antecedentes criminais. No entanto, a brutalidade do ato e o momento em que foi cometido indicam uma ação premeditada ou impulsionada por forte instabilidade emocional. A Polícia Civil trabalha com várias hipóteses e não descarta que o crime tenha sido motivado por inconformismo com o fim do relacionamento.

A ausência de antecedentes não exclui a gravidade do crime, tampouco diminui a responsabilidade penal do autor. A caracterização como feminicídio implica a existência de uma motivação ligada à condição de gênero da vítima, reforçando o enquadramento legal mais severo.

Impacto na comunidade e na região

O crime provocou comoção em Muitos Capões, município de pouco mais de 3 mil habitantes, e repercutiu em toda a Serra Gaúcha. Este é o primeiro feminicídio registrado na região em 2026.

Autoridades reforçam apelos por denúncias e colaboração

A Polícia Civil e a Brigada Militar pedem que qualquer informação sobre o paradeiro do suspeito seja repassada aos canais oficiais de denúncia, de forma anônima e segura. O objetivo é localizar e prender o autor o quanto antes, antes que ele deixe a região ou represente risco a outras pessoas.

O delegado Vitor Boff destacou que todas as linhas investigativas estão sendo consideradas e que a colaboração da comunidade será essencial para o desfecho do caso. A mobilização de efetivos especializados reflete a gravidade do crime e o compromisso das instituições com a responsabilização do autor.

Violência de gênero continua sendo desafio urgente

O assassinato de Uliana Teresinha Fagundes reacende o debate sobre a violência de gênero no Brasil, especialmente em contextos de fim de relacionamento. Dados nacionais apontam que o período pós-separação é um dos mais críticos para a segurança de mulheres que deixam relacionamentos com histórico de conflito ou possessividade.

Apesar dos avanços legislativos e institucionais, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio no Código Penal, os índices de violência contra mulheres permanecem elevados em diversas regiões do país. A impunidade e a dificuldade de acesso a medidas protetivas ainda são barreiras enfrentadas por vítimas que tentam romper ciclos de violência.

Memória e justiça: a luta que segue

A morte de Uliana não é apenas uma estatística, mas um alerta para a urgência de ações concretas na proteção da vida de mulheres. O caso deverá seguir em investigação nos próximos dias, com expectativa de identificação e prisão do autor. Familiares, amigos e membros da comunidade local clamam por justiça nas redes sociais.

A história de Uliana, marcada por um fim violento, junta-se a tantas outras mulheres cujas vidas foram interrompidas por aqueles que deveriam protegê-las. O combate ao feminicídio exige atuação integrada entre sociedade, Estado e instituições de justiça, com foco na prevenção, acolhimento e responsabilização.

Área da Segurança, Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul, Vacaria

Anúncios
Estudio

– O Diário de Vacaria é Nosso! Participe enviando pelo WhatsApp sua notícia –

Seja bem vindo(a) ao Diário de Vacaria - Acompanhe nossas publicações diariamente.