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CSG

Gabriel Souza reforça defesa da securitização e irrigação na abertura da Expodireto

A abertura oficial da Expodireto Cotrijal 2026, realizada nesta segunda-feira (9) em Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul, teve como destaque o discurso do vice-governador Gabriel Souza, que representou o governo estadual no evento. Diante de lideranças do setor agropecuário, autoridades políticas e produtores rurais, ele defendeu medidas estruturais para enfrentar os impactos das sucessivas estiagens que têm afetado a produção agrícola gaúcha.

Entre as principais pautas apresentadas, o vice-governador destacou a necessidade de avançar na securitização das dívidas dos produtores rurais e ampliar investimentos em irrigação. Segundo ele, essas iniciativas são fundamentais para garantir a recuperação econômica do setor e fortalecer a resiliência da agricultura diante das mudanças climáticas.

A feira, considerada uma das maiores exposições do agronegócio da América Latina, reúne anualmente milhares de produtores, empresas e especialistas do setor. O evento também se tornou um espaço estratégico para discussões sobre políticas públicas voltadas ao campo.

Agronegócio como motor da economia gaúcha

Durante seu pronunciamento, Gabriel Souza ressaltou a relevância do agronegócio para a economia do Rio Grande do Sul e também para o desempenho econômico nacional. Ele destacou que a força produtiva do Estado exerce influência direta no abastecimento e nas exportações brasileiras.

De acordo com o vice-governador, quando a economia gaúcha enfrenta dificuldades, os efeitos são percebidos em diferentes setores do país. Por isso, ele defendeu que políticas específicas sejam implementadas para atender às particularidades da produção agrícola regional.

Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul tem enfrentado períodos consecutivos de estiagem, resultando em perdas significativas de safra e aumento do endividamento dos produtores. O cenário se agravou com a elevação das taxas de juros, que encareceu o crédito rural e dificultou o acesso a novos financiamentos.

Segundo Gabriel, esse conjunto de fatores exige respostas rápidas e coordenadas entre governos estaduais, federal e o Congresso Nacional. Para ele, garantir condições financeiras adequadas aos agricultores é essencial para manter a produtividade do campo.

“Quando o Rio Grande do Sul vai mal, o Brasil também sente. O produtor gaúcho tem enfrentado uma recorrência de eventos meteorológicos que exige um tratamento específico para a nossa realidade”, afirmou durante o discurso.

Securitização das dívidas ganha destaque no debate

Um dos principais pontos abordados pelo vice-governador foi a proposta de securitização das dívidas dos produtores rurais. A medida busca reorganizar os débitos acumulados por agricultores que sofreram perdas causadas por eventos climáticos extremos.

A securitização permite transformar dívidas em títulos financeiros de longo prazo, criando condições mais favoráveis de pagamento e reduzindo a pressão imediata sobre os produtores. O objetivo é garantir que os agricultores possam continuar investindo nas próximas safras sem comprometer a sustentabilidade financeira das propriedades.

Gabriel Souza destacou que o governo do Rio Grande do Sul tem atuado junto ao Congresso Nacional para acelerar a tramitação da proposta. A iniciativa é vista como uma alternativa para enfrentar o atual quadro de endividamento no campo.

Segundo ele, o governador Eduardo Leite deverá participar de reuniões em Brasília ao longo da semana para discutir o tema com lideranças políticas e representantes do setor produtivo. Entre os encontros previstos está uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A pauta principal do encontro será o Projeto de Lei 5.122/2023, que prevê mecanismos para prolongar as dívidas agrícolas por meio da securitização. O projeto também estabelece a criação de uma linha especial de financiamento destinada a produtores afetados por eventos meteorológicos.

Caso aprovado, o projeto permitirá o uso de recursos provenientes do Fundo Social do Pré-Sal para garantir o financiamento das operações. A medida busca ampliar o acesso ao crédito e possibilitar a reorganização financeira dos agricultores.

Proposta prevê uso de recursos do pré-sal

O Projeto de Lei 5.122/2023 estabelece que parte dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal seja destinada a uma linha especial de crédito para produtores rurais impactados por perdas climáticas.

A proposta pretende criar um mecanismo financeiro que permita alongar prazos de pagamento e reduzir a pressão sobre os produtores endividados. Dessa forma, os agricultores teriam maior capacidade de planejamento para as próximas safras.

Para o governo gaúcho, a aprovação da medida pode representar um passo importante para recuperar a capacidade produtiva do campo. O vice-governador destacou que a iniciativa não busca apenas resolver problemas financeiros imediatos, mas também garantir estabilidade ao setor agrícola.

Ele afirmou que a securitização pode contribuir para preservar empregos, fortalecer cadeias produtivas e manter o ritmo de crescimento das exportações agropecuárias.

Investimentos em irrigação e adaptação climática

Outro tema central do discurso foi a necessidade de ampliar investimentos em irrigação e infraestrutura hídrica no campo. Gabriel Souza ressaltou que a agricultura gaúcha precisa se preparar para enfrentar eventos climáticos cada vez mais frequentes.

Segundo ele, projetos de reservação de água, manejo adequado do solo e expansão da irrigação são medidas estratégicas para reduzir os impactos das estiagens.

O vice-governador destacou que o governo estadual tem defendido a ampliação de investimentos estruturantes nessas áreas. A proposta inclui a utilização de recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).

A iniciativa prevê a prorrogação do fundo, permitindo que valores que seriam destinados ao pagamento da dívida com a União permaneçam no Estado. Esses recursos poderiam ser direcionados a projetos voltados à modernização da agricultura.

Entre as prioridades estão obras de infraestrutura hídrica, estímulo à irrigação e programas de conservação do solo. A expectativa é aumentar a segurança produtiva das propriedades rurais e reduzir riscos de perdas de safra.

Presença de autoridades reforça importância do evento

A cerimônia de abertura contou com a participação de diversas autoridades do governo estadual e representantes do setor produtivo.

Entre os presentes estavam o secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella; o secretário de Turismo, Ronaldo Santini; o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum; e o chefe da Casa Civil, Artur Lemos.

Também participaram o secretário de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt; a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann; o secretário de Trabalho e Desenvolvimento Profissional, Gilmar Sossella; e o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim.

A cerimônia ainda contou com a presença da secretária de Relações Institucionais, Paula Mascarenhas, e do secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Fabrício Peruchin.

A participação de diferentes áreas do governo estadual reforçou a importância estratégica do agronegócio para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.

Expectativas do setor para os próximos meses

Produtores e representantes de entidades do agronegócio acompanham com atenção as discussões sobre securitização e financiamento agrícola. Para muitos agricultores, a medida pode representar um alívio importante após anos de perdas provocadas por estiagens.

Especialistas do setor destacam que a sustentabilidade financeira das propriedades rurais é essencial para garantir a continuidade da produção. Sem acesso ao crédito ou condições adequadas de pagamento, muitos produtores enfrentam dificuldades para manter suas atividades.

Ao mesmo tempo, cresce o consenso sobre a necessidade de investir em tecnologias que reduzam a dependência climática da agricultura. Sistemas de irrigação, reservatórios e práticas de manejo sustentável são vistos como ferramentas fundamentais para aumentar a resiliência do campo.

A expectativa é que as discussões iniciadas durante a Expodireto Cotrijal contribuam para avançar na construção de políticas públicas capazes de fortalecer o agronegócio gaúcho.

Com desafios climáticos cada vez mais frequentes e um cenário econômico ainda instável, produtores, governos e instituições financeiras buscam soluções conjuntas para garantir a continuidade da produção agrícola no Estado.

A feira, ao reunir diferentes atores do setor, consolida-se mais uma vez como um espaço estratégico para o debate de temas que impactam diretamente o futuro da agricultura brasileira.

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