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Como enfrentar um mundo imprevisível? Daniel Randon fala na CIC Vacaria e responde sobre tempos de incerteza

Daniel Randon defende agilidade das empresas diante das mudanças na economia mundial durante encontro da CIC Vacaria

Presidente e CEO da Randoncorp participou do Almoçando com o Empresário e apresentou uma reflexão que vale para empresas de todos os tamanhos: o planejamento estratégico precisa acompanhar a velocidade das transformações.

Na hora certa, mais uma vez, a Câmara de Indústria, Comércio, Agricultura e Serviços (CIC) de Vacaria promoveu um encontro que foi além da troca de experiências. A edição desta sexta-feira (6) do Almoçando com o Empresário trouxe uma reflexão especialmente importante para o momento que estamos vivendo.

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O convidado foi Daniel Randon, presidente e CEO da Randoncorp, uma das grandes corporações industriais brasileiras, que carrega em sua história o sobrenome e o legado de seu fundador, o patriarca Raul Randon.

Com a simplicidade e o carisma que marcam a trajetória da família, Daniel apresentou uma mensagem com uma impressionante capacidade de síntese, que serve tanto para grandes corporações quanto para pequenos empresários, produtores rurais e comerciantes de Vacaria.

Se antes o planejamento estratégico era pensado para cinco ou dez anos, agora precisa ser revisto praticamente todos os meses.

Essa talvez seja a frase que melhor traduza a importância da conversa.

O mundo mudou. E a velocidade dessas mudanças exige que as empresas aprendam a mudar também.

Um encontro que trouxe o mundo para a realidade de Vacaria

Durante o evento, uma das perguntas dirigidas a Daniel abordou justamente as dificuldades de administrar uma empresa diante de um cenário internacional cada vez mais imprevisível.

Guerras, tensões geopolíticas, a expansão da indústria chinesa, as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e as oscilações cambiais passaram a influenciar diretamente negócios que, até poucos anos atrás, pareciam relativamente distantes desses acontecimentos.

A reflexão apresentada foi sobre como empresários de Vacaria podem se proteger ou se preparar melhor para essas transformações.

Afinal, quem produz soja, trabalha na indústria, administra um comércio ou presta serviços na região também sente os efeitos das decisões tomadas do outro lado do mundo.

O planejamento de cinco anos agora exige revisões mensais

Daniel Randon recordou a crise enfrentada pelo setor automotivo brasileiro entre 2015 e 2016, quando houve uma forte redução na produção de caminhões e semirreboques.

Desde então, segundo ele, a velocidade das transformações econômicas aumentou consideravelmente.

A pandemia foi um exemplo de como as cadeias produtivas mundiais estão interligadas, especialmente pela dependência de componentes e produtos fabricados na China.

Na avaliação do executivo, o planejamento estratégico continua indispensável, mas precisa ser acompanhado de uma capacidade permanente de revisão.

Antigamente, uma empresa conseguia estabelecer objetivos para cinco ou dez anos e seguir boa parte daquele planejamento sem grandes alterações. Hoje, as mudanças de cenário podem exigir decisões praticamente todos os meses.

A lição do veleiro: mudar as velas sem perder o destino

Uma das explicações mais simples e marcantes apresentadas por Daniel foi a comparação entre a gestão empresarial e a navegação de um veleiro.

O navegador estabelece seu destino e calcula os ventos que encontrará pelo caminho. Entretanto, quando chega ao mar, as condições podem ser completamente diferentes daquelas previstas.

Nesse momento, não basta insistir na direção inicial. É necessário ajustar as velas para continuar avançando.

Nas empresas, a lógica é semelhante. Os objetivos podem permanecer os mesmos, mas os caminhos para alcançá-los precisam ser adaptados às circunstâncias.

Daniel destacou que a capacidade das lideranças de perceber mudanças, reorganizar estratégias e agir rapidamente pode representar uma vantagem competitiva.

E essa é uma mensagem especialmente importante para os empresários da região: não é necessariamente a maior empresa que consegue reagir primeiro, mas aquela que tem condições de se adaptar mais rapidamente.

Concorrência chinesa e tarifaço exigem alternativas

Ao abordar o cenário internacional, o presidente da Randoncorp reconheceu os desafios impostos pelas tarifas comerciais e pela crescente competitividade da indústria chinesa.

Segundo ele, a empresa trabalha com uma visão de longo prazo para suas exportações, inclusive em situações nas quais as margens comerciais são reduzidas.

A estratégia envolve preservar relacionamentos com clientes e buscar alternativas para continuar oferecendo produtos competitivos, mesmo quando as condições de mercado se tornam desfavoráveis.

Em relação à China, Daniel comentou – “A gente vê que infelizmente essa competitividade agressiva acaba dando um processo de desindustrialização no Brasil.”

Ele ressaltou a importância da atuação conjunta de empresas e entidades representativas para buscar condições mais equilibradas de competição.

Ao mesmo tempo, lembrou que as transformações do mercado também podem abrir oportunidades para novos negócios, parcerias e ampliação de produtos e serviços.

O tamanho da empresa também pode ser um desafio

Outro ponto importante da manifestação foi a diferença entre a capacidade de reação de grandes corporações e empresas menores.

Daniel observou que organizações de grande porte frequentemente enfrentam estruturas administrativas complexas e processos que tornam as decisões mais demoradas.

Pequenas e médias empresas, por outro lado, podem ter a vantagem de conseguir reorganizar suas operações com maior rapidez.

A agilidade, portanto, não depende exclusivamente de recursos financeiros ou do tamanho de uma organização.

Depende também da capacidade de seus líderes de identificar mudanças e tomar decisões no momento adequado.

Ajuste fiscal e juros também entraram na conversa

Daniel Randon abordou ainda as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo brasileiro em razão do custo do crédito.

Na avaliação do empresário, o equilíbrio das contas públicas é fundamental para criar condições de redução dos juros e estimular investimentos.

Ele defendeu a importância de um ajuste fiscal consistente, destacando que decisões econômicas têm consequências e que não existem soluções sem custos.

“E a questão que pega no Brasil são dois pontos simples, é só o governo fazer um bom ajuste fiscal, os juros baixam, a gente pode investir mais. Não tem almoço grátis, e ninguém almoça grátis”

A manifestação reforçou a preocupação das empresas brasileiras com a competitividade e as condições necessárias para ampliar a produção e os investimentos.

A importância de encontros que ajudam a cidade a pensar o futuro

Mais do que apresentar os desafios de uma grande corporação, a participação de Daniel Randon permitiu aproximar a experiência de uma empresa com atuação internacional da realidade dos negócios de Vacaria.

E é justamente nesse ponto que a iniciativa da CIC ganha ainda mais valor.

Ao reunir empresários, lideranças e representantes de diferentes setores para ouvir experiências e discutir os desafios econômicos, a entidade proporciona acesso a informações que ajudam a compreender o presente e pensar o futuro na prática.

Diário de Negócios e Valores, Diário de Vacaria, Randon, Rio Grande do Sul


Lucas Barp

Lucas Barp é fundador e diretor do Jornal On-line Diário de Vacaria. Atua na produção e apresentação de conteúdos sobre Vacaria e os Campos de Cima da Serra, com foco em notícias locais, serviços, estradas e histórias da região.

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