Skip to main content
CSG

O que há por trás do forte crescimento nos últimos 38 anos da Cooperativa Sicredi Altos da Serra?

A Sicredi Altos da Serra RS/SC completou 38 anos neste domingo, 27 de setembro, em um momento que recoloca o campo diante de decisões difíceis. Custos, juros e riscos da atividade exigem cuidado de quem precisa preparar a próxima safra. Para uma cooperativa que nasceu da organização de produtores rurais, o aniversário traz uma oportunidade de continuar demonstrando o olhar para o crescimento e para a necessidade humana que esteve em sua origem: encontrar caminhos para seguir produzindo.

A instituição chega à data com mais de 160 mil associados, 43 agências físicas e mais de 540 colaboradores, segundo informações divulgadas pela cooperativa. Sua trajetória começou em Tapejara e Sananduva, em 1988, e posteriormente alcançou outros municípios, entre eles Vacaria, além de cidades catarinenses.

Esses números dimensionam uma transformação que levou quase quatro décadas. Mas há uma pergunta que o aniversário permite fazer: o que sustenta uma relação capaz de atravessar tanto tempo, mudanças econômicas e diferentes gerações?

Parte da resposta está na própria formação da cooperativa. Antes de haver a estrutura atual, produtores identificaram uma dificuldade comum e decidiram se organizar. A atividade financeira surgiu ligada às necessidades de pessoas que tinham no campo seu trabalho e sua renda.

A necessidade veio antes do crescimento

Em 1988, foram fundadas a Creditap, em Tapejara, e a Credisana, em Sananduva, com o objetivo de fomentar o crédito rural. As duas adotaram a marca Sicredi em 1992 e se uniram em 1999, dando origem à Sicredi Altos da Serra.

A ampliação do público atendido ocorreu em 2003, com a aprovação da livre admissão de associados. A cooperativa passou a atender também empresas e pessoas físicas. Em 2008, começou a expansão para Santa Catarina, com a inauguração de uma unidade em Campos Novos.

Essa sequência explica como a instituição ganhou escala. A união das cooperativas, a abertura a novos públicos e a chegada a outras cidades ampliaram as possibilidades de atuação.

Também mudaram as necessidades apresentadas no atendimento. Ao financiamento da produção rural somaram-se demandas de negócios urbanos, trabalhadores e famílias. Uma mesma estrutura passou a acompanhar projetos com prazos, riscos e objetivos diferentes.

Vacaria entrou nessa caminhada depois de sua fundação. A relação construída na cidade pertence a uma etapa de expansão da cooperativa e ajuda a mostrar como uma iniciativa surgida em outras comunidades passou a estabelecer vínculos também nos Campos de Cima da Serra.

Quando produzir exige mais do que uma boa colheita

O vínculo com o agro permanece central para compreender a história da Sicredi Altos da Serra. E, em um ano difícil para o setor, ganha relevância uma questão conhecida pelos produtores: colher bem é apenas uma parte do resultado.

É preciso considerar quanto foi gasto, quanto será recebido e quando o dinheiro entrará. Entre o investimento na lavoura e a comercialização, existem compromissos a cumprir. Uma mudança de preço ou uma perda de produtividade pode alterar o planejamento feito meses antes.

Em 2026, o Ministério da Agricultura registrou retração nos investimentos da safra 2025/2026 e relacionou a cautela do setor às taxas de juros. O levantamento tem abrangência nacional, mas ajuda a contextualizar o ambiente em que produtores avaliam novas operações e investimentos.

Na própria Sicredi Altos da Serra, gestão, custos e rentabilidade estiveram entre os temas discutidos com o público rural neste ano. Em julho, o lançamento do Plano Safra 2026/2027 incluiu uma conversa sobre gestão e competitividade no agro. A cooperativa também divulgou orientações sobre planejamento e riscos climáticos.

A presença desses assuntos na agenda mostra o tamanho da preocupação. Para quem produz, contratar crédito envolve calcular se a atividade conseguirá pagar a operação e preservar condições para o ciclo seguinte.

Quando a margem diminui, decisões que pareciam distantes se aproximam: adiar uma compra, rever um investimento, negociar compromissos ou mudar o momento da venda. Cada escolha repercute na propriedade e na vida de quem depende dela.

É nas decisões difíceis que o relacionamento ganha peso

Nesse cenário, a qualidade da relação com uma instituição financeira passa por questões muito concretas. As condições precisam estar claras. Os prazos precisam ser compreendidos. A realidade de quem procura atendimento precisa entrar na conversa.

Duas propriedades podem trabalhar com a mesma cultura e enfrentar situações financeiras diferentes. O mesmo ocorre com empresas de um mesmo ramo. Conhecer essas diferenças é parte do trabalho necessário para que orientação e planejamento façam sentido.

É aqui que o aspecto humano da história ganha espaço. Por trás de uma operação existe alguém assumindo uma responsabilidade, muitas vezes ligada ao sustento da família ou à continuidade de um negócio.

Uma cooperativa de crédito também precisa avaliar riscos, cumprir regras e preservar sua capacidade financeira. A proximidade com o associado se torna relevante justamente dentro dessa responsabilidade: ouvir, explicar e compreender são partes de uma relação que precisa funcionar ao longo do tempo.

No modelo do Sicredi, os associados participam da organização na condição de donos do negócio. A participação nas decisões é uma característica que ajuda a distinguir essa relação e a compreender a ideia de pertencimento presente no cooperativismo.

Essa estrutura não explica sozinha todo o crescimento da Sicredi Altos da Serra. Mas oferece uma chave para olhar seus 38 anos: a instituição ampliou sua atuação reunindo pessoas em torno de uma organização da qual elas também fazem parte.

Em Vacaria, a relação também se constrói nos encontros

A presença de uma instituição em uma cidade se revela no atendimento diário e nos espaços em que ela encontra a comunidade. Em Vacaria, um desses lugares é o Rodeio Crioulo Internacional.

Na edição realizada entre janeiro e fevereiro de 2026, a Casa Sicredi recebeu associados, visitantes, representantes de entidades, artistas e empreendedores. O espaço contou com atividades de convivência, orientação a microempreendedores e esclarecimentos sobre projetos para o Fundo Social.

Segundo a cooperativa, sua participação no rodeio ultrapassa 20 anos. É uma relação construída dentro de um evento que reúne tradições, trabalho e diferentes gerações de famílias.

O significado dessa presença está na continuidade. Ao acompanhar eventos e iniciativas de uma cidade, uma instituição passa a encontrar as pessoas em outros momentos de suas vidas, além daqueles em que precisam resolver uma questão financeira.

O Fundo Social apresenta outra dimensão desse contato. Em 2025, a Sicredi Altos da Serra destinou mais de R$ 707 mil a 61 projetos em sua área de atuação. As iniciativas contemplaram educação, cultura, saúde, esporte, inclusão social e desenvolvimento sustentável. Os valores abrangem o conjunto das comunidades atendidas, e não apenas Vacaria.

Nesse caso, o relacionamento envolve entidades que conhecem demandas locais e se organizam para atendê-las. O recurso financeiro se conecta ao trabalho de pessoas que elaboram propostas, executam atividades e acompanham seus resultados.

O aniversário coloca a origem diante do presente

Ao longo de 38 anos, a Sicredi Altos da Serra ampliou sua estrutura, diversificou o atendimento e chegou a novos municípios. Em 2022, inaugurou uma nova sede administrativa. Em 2023, abriu o Centro Histórico-Cultural, durante as comemorações dos 35 anos.

São marcos de uma organização que mudou de tamanho e de alcance. A necessidade que motivou sua criação, entretanto, continua reconhecível: pessoas precisam de condições para trabalhar, realizar seus projetos e enfrentar períodos de incerteza.

Por isso, o aniversário de 2026 tem uma ligação particular com o momento do agro. A dificuldade de hoje dá atualidade à decisão tomada pelos produtores de Tapejara e Sananduva em 1988. Organizar-se foi a maneira que encontraram de buscar uma resposta para um problema compartilhado.

A pergunta sobre o crescimento da cooperativa encontra nessa trajetória uma resposta que reúne estrutura, serviços e participação. Sua expansão abriu portas em outras cidades; as relações construídas deram continuidade à presença nesses lugares.

O próximo capítulo será vivido no cotidiano de quem chegar a uma agência com uma decisão importante pela frente. Para o produtor, a história de 38 anos encontra seu teste mais atual na conversa sobre a próxima safra. É nesse encontro entre a experiência da instituição e a vida de uma pessoa que a cooperação precisa continuar fazendo sentido.

Sicredi, Sicredi Altos da Serra, Tapejara, Vacaria

Anúncios
Estudio

– O Diário de Vacaria é Nosso! Participe enviando pelo WhatsApp sua notícia –

Seja bem vindo(a) ao Diário de Vacaria - Acompanhe nossas publicações diariamente.