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CEAVA, 50 anos: uma história de mãos estendidas e vidas transformadas em Vacaria

Fundada em 13 de agosto de 1976, instituição construiu uma rede de acolhimento que alcança famílias, pessoas idosas, gestantes e pessoas com deficiência

“Nenhuma mão estendida foi em vão, nenhum projeto foi pequeno demais e nenhuma vida impactada foi esquecida.”

A mensagem escolhida pelo CEAVA para celebrar seus 50 anos ajuda a compreender a dimensão de uma história que não pode ser contada apenas por datas, números ou documentos. É uma trajetória construída por pessoas que decidiram dedicar tempo, conhecimento, trabalho e sensibilidade ao cuidado com o próximo.

Fundado em 13 de agosto de 1976, o CEAVA chegou ao cinquentenário nesta quinta-feira, 13 de agosto. A data foi marcada por uma extensa e emocionante homenagem na Câmara Municipal de Vacaria, com pronunciamentos, reencontros, música e depoimentos de pessoas que encontraram na instituição uma oportunidade de recomeçar.

A solenidade reconheceu publicamente um trabalho que acontece todos os dias, dentro da sede da entidade, nos grupos dos bairros, nas oficinas e nos projetos que fortalecem vínculos, estimulam a autonomia e devolvem às pessoas o sentimento de pertencimento.

Uma história que começou pela união

O Conselho de Entidades Assistenciais de Vacaria surgiu da necessidade de criar uma organização que unisse as entidades assistenciais do município e as representasse perante instituições municipais, estaduais e federais.

O que começou com a coragem de um grupo de pioneiros transformou-se em uma referência social para Vacaria.

Ao longo de cinco décadas, o CEAVA acompanhou as mudanças da sociedade e adaptou sua atuação às necessidades encontradas na comunidade. A instituição passou por diferentes etapas, desenvolveu projetos para públicos diversos e ampliou sua presença para além de sua sede.

Em outubro de 2023, por exemplo, teve início uma nova etapa do Projeto Em Família, com previsão de atendimento a aproximadamente 350 pessoas maiores de 18 anos, incluindo adultos, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade. A proposta reúne oficinas, convivência e atividades capazes de desenvolver conhecimentos, habilidades e novas possibilidades de participação social.

O CEAVA está onde as pessoas precisam

O trabalho desenvolvido pela entidade forma uma rede de cuidado que alcança diferentes momentos da vida.

Há ações para gestantes que estão se preparando para a chegada de um filho, pessoas adultas que buscam aprender uma nova atividade, pessoas idosas que precisam preservar seus vínculos sociais e pessoas com deficiência que encontram um ambiente de participação, dignidade e inclusão.

Por meio do Projeto Vivências, desenvolvido em conjunto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, o CEAVA atua com pessoas com deficiência adultas, pessoas idosas e grupos de convivência de diferentes bairros de Vacaria.

A proposta não se limita a ocupar o tempo. As ações procuram fortalecer relações, estimular a autonomia, melhorar a autoestima, desenvolver habilidades e prevenir situações de isolamento e risco social. Conheça os projetos do CEAVA.

Grupo Superar: ser, participar e conviver

Entre as frentes desenvolvidas está o Grupo Superar, destinado a pessoas com deficiência maiores de 15 anos.

Os encontros semanais trabalham a convivência, a dignidade, a autonomia e o exercício dos direitos. São realizadas atividades físicas, lúdicas e artísticas, sempre com o objetivo de garantir a participação e a inclusão.

A proposta está fundamentada em três ações simples, mas profundas: ser, participar e conviver.

Dentro do grupo, a deficiência não é tratada como aquilo que define ou limita uma pessoa, mas como uma das características da condição humana. O trabalho busca garantir respeito, igualdade de oportunidades, participação efetiva e valorização de cada integrante. Saiba mais sobre o Grupo Superar.

Durante a solenidade dos 50 anos, Cida Brando destacou o carinho que observa no atendimento aos participantes com deficiência.

“É um encanto vocês verem o carinho que essa turma tem pelas pessoas com deficiência. Isso me orgulha e me emociona”, relatou.

Dez grupos e muitas razões para continuar convivendo

O CEAVA também mantém uma ampla atuação com pessoas idosas. São dez grupos de convivência distribuídos ao longo da semana: Renascer, Novas Conquistas, Arco-Íris, Reviver, Girassol, Amigos para Sempre, Beija-Flor, Raio de Luz, Vida Ativa e Alegria de Viver.

Os próprios nomes ajudam a revelar o significado dos encontros.

São espaços para movimentar o corpo, conversar, criar amizades, compartilhar experiências e manter uma vida social ativa. Além das atividades físicas, podem ser desenvolvidas ações lúdicas, recreativas, artísticas e de lazer.

Para muitas pessoas, esses encontros representam a oportunidade de sair de casa, reencontrar amigos e perceber que ainda há muito a aprender, ensinar e viver.

A convivência contribui para reduzir o isolamento social, fortalecer a autoestima e promover mais autonomia e qualidade de vida. Os encontros também ampliam o trabalho do CEAVA para diferentes bairros do município. Conheça os grupos de convivência.

Acolher antes mesmo do nascimento

O cuidado também alcança o início da vida. O projeto Bem-vindo à Vida acompanha gestantes em um período marcado por expectativas, dúvidas e transformações.

As participantes recebem orientações e compartilham experiências sobre gestação, maternidade, cuidados com o bebê e organização familiar.

Em uma das edições, o encerramento contou com palestras, troca de experiências, ensaio fotográfico e um chá de bebê coletivo. Mais do que entregar informações, o projeto procura fazer com que cada gestante se sinta acolhida e acompanhada durante a preparação para a chegada do filho. Conheça o Bem-vindo à Vida.

Assim, o CEAVA constrói uma linha de cuidado que começa antes do nascimento e continua nas diferentes fases da vida.

Oficinas que ensinam, aproximam e revelam talentos

As oficinas ocupam um espaço central nessa atuação. O CEAVA oferece gratuitamente atividades de informática, práticas no celular, música, coral, canto, estética pessoal, culinária, confeitaria, corte e costura, confecção de bonecas, tricô, crochê, artesanato, pintura em tela, ginástica e outras práticas.

Em algumas oficinas, o objetivo é a inclusão digital. Em outras, o participante aprende uma habilidade que pode melhorar a organização da vida, contribuir para a geração de renda ou abrir portas no mercado de trabalho.

A informática ajuda quem precisa aprender a utilizar ferramentas tecnológicas. As práticas no celular aproximam pessoas idosas de recursos que passaram a fazer parte do cotidiano. A estética pessoal, a culinária, a costura e o artesanato desenvolvem capacidades que podem se transformar em autonomia e renda.

A música, a pintura e as atividades artísticas estimulam a expressão, a criatividade e a socialização. Já as atividades físicas ajudam a preservar o movimento, a independência e a disposição.

Mas existe algo que atravessa todas as oficinas: a convivência.

É durante uma aula que uma amizade começa. É ao redor de uma mesa que alguém volta a conversar. É diante de uma máquina de costura, de um computador, de uma receita ou de um instrumento musical que uma pessoa descobre que ainda é capaz de aprender algo novo.

Uma segunda família para Cida

Essa dimensão apareceu com força durante a homenagem realizada na Câmara.

Cida Brando, de 59 anos, contou que enfrentou um câncer de mama e, posteriormente, passou por um período de depressão. Mesmo depois de vencer a doença, ela precisou lidar com consequências emocionais profundas.

Foi nesse período que conheceu pessoas ligadas ao CEAVA e recebeu o convite para participar das oficinas.

“Eu considero o CEAVA a minha segunda família. Eu amo estar no CEAVA”, declarou, emocionada.

Cida passou a frequentar atividades durante praticamente toda a semana. Em seu depoimento, agradeceu aos professores que perceberam suas necessidades e respeitaram seu tempo.

Ela lembrou do professor de informática que aumentou as letras dos materiais ao perceber sua dificuldade de visão, mesmo sem que ela precisasse pedir. Recordou também a paciência encontrada nas oficinas de culinária, confeitaria, artesanato, tricô, crochê, costura e confecção de bonecas.

Antes, Cida não sabia sequer colocar a linha na agulha. Hoje, já desenvolve suas próprias costuras e bonecas.

Mais importante do que aquilo que aprendeu com as mãos foi o que recuperou por dentro.

“Muitas pessoas se tornaram meus grandes amigos e minhas grandes amigas. São coisas que levarei para a vida toda”, afirmou.

Luísa entrou para experimentar e encontrou um novo caminho

Luísa também compartilhou sua história. Após perder um irmão, enfrentou uma depressão profunda. A rotina passou a ser marcada pelo isolamento e pela dificuldade de realizar as atividades mais simples.

Uma familiar insistiu para que ela conhecesse o CEAVA. No início, Luísa acreditava que não gostaria. Em determinado dia, depois de receber atendimento no Centro de Atenção Psicossocial, decidiu caminhar até a instituição.

Chegou cansada e foi recebida com água, atenção e carinho. Inscreveu-se na oficina de cozinha criativa, mas fez um acordo consigo mesma: participaria da primeira aula e, se não gostasse, não voltaria.

Naquele primeiro encontro, ouviu o professor falar sobre a importância de preparar um prato, criar uma receita e reunir a família ao redor da mesa.

Luísa voltou.

Depois da culinária, vieram a ginástica e outras atividades. O lugar que ela imaginava frequentar somente uma vez passou a fazer parte de sua vida.

“O acolhimento que o CEAVA me deu mudou a minha vida”, declarou.

Ao final do depoimento, resumiu o que sente pela instituição em uma palavra: gratidão.

Os relatos de Cida e Luísa mostraram aquilo que nenhum relatório consegue medir completamente: o abraço recebido em um dia difícil, a amizade iniciada em uma oficina, a autoestima recuperada e a esperança que reaparece.

“Há meio século, abriu os braços para a comunidade”

A presidente do CEAVA, Margarida Schio, lembrou durante a solenidade que a instituição nasceu para unir forças e que o trabalho iniciado por poucos pioneiros se tornou um dos pilares sociais de Vacaria.

“Há meio século, esta instituição não abriu apenas as portas. Ela abriu os braços para a nossa comunidade”, declarou.

Margarida prestou uma homenagem especial à fundadora Maria José Guazelli Costa, conhecida como dona Zeca, e às mulheres que estiveram à frente da entidade, entre elas Laurena Damiani e Beatriz Chemelo.

“Essas mulheres transformaram a compaixão em ação, coragem e um legado de 50 anos”, afirmou.

A presidente também fez questão de reconhecer a atual diretoria, funcionários, professores, colaboradores, voluntários, participantes, empresas, Poder Público e todas as pessoas que ajudam a manter as atividades.

“Uma instituição é feita de paredes e história, mas ela só ganha vida por meio de cada um de vocês”, ressaltou.

Uma noite para reconhecer quem construiu essa história

A homenagem promovida pela Câmara Municipal, proposta pela vereadora Silvana Montanari, reuniu diferentes gerações da história do CEAVA.

Foram pronunciamentos extensos, carregados de recordações, agradecimentos e emoção. Dirigentes, participantes, professores e pessoas que passaram pela entidade foram convidados a se reconhecer como parte de uma construção coletiva.

Silvana destacou que celebrar 50 anos significa olhar para o passado com orgulho, reconhecer os desafios enfrentados e agradecer a todos que deixaram sua contribuição.

“Cinquenta anos representam muito mais do que o passar do tempo. Representam vidas transformadas, mãos estendidas, sonhos realizados e uma história que continuará inspirando gerações”, declarou.

A vereadora Deise Montanari observou que meio século de atuação não pode ser medido somente por documentos, paredes, fotografias ou estatísticas.

“Cinquenta anos se medem pelas vidas que passaram por aquela porta”, afirmou.

Deise lembrou que algumas das maiores transformações produzidas pelo CEAVA não aparecem nos relatórios: uma criança que descobriu um talento, uma mãe que encontrou uma oportunidade, uma pessoa idosa que percebeu que ainda havia muitos capítulos para viver e alguém que, em um momento difícil, ouviu que era importante e capaz.

O vereador Carlos Zibetti ressaltou que o CEAVA não é feito apenas de projetos e recursos, mas de pessoas que acreditam na possibilidade de construir um futuro diferente.

Durante sua manifestação, pediu que participantes, professores, funcionários, dirigentes e todos os integrantes da entidade ficassem em pé. O reconhecimento foi respondido com uma prolongada salva de palmas.

O vereador Fernando Cechinato destacou a capacidade do CEAVA de alcançar diferentes gerações e desenvolver criatividade, conhecimento, saúde, bem-estar, autonomia e participação social.

Ao longo da noite, também foram reconhecidos o trabalho da presidente Margarida Schio, da vice-presidente Jurema Pontal, da coordenadora-geral Maristela, da equipe técnica, dos professores e de todas as pessoas responsáveis pelo funcionamento diário da instituição.

A música produzida dentro do próprio CEAVA

A celebração também contou com uma apresentação dos alunos da oficina de violão. Eles interpretaram “Querência Amada” diante do plenário.

A música não foi apenas uma atração dentro da programação. Foi a apresentação concreta de um dos resultados do trabalho realizado pela entidade: pessoas reunidas, aprendendo, desenvolvendo talentos e tendo a oportunidade de compartilhar aquilo que construíram juntas.

Na sequência, Silvana Montanari entregou à presidente Margarida Schio uma placa comemorativa pelos 50 anos. Representantes da instituição retribuíram o reconhecimento com a entrega de flores à vereadora.

Uma história que depende da participação da comunidade

O trabalho do CEAVA é gratuito, mas sua continuidade depende de uma rede de apoio formada por Poder Público, empresas, profissionais, voluntários e doadores.

A comunidade pode colaborar por meio de doações únicas ou recorrentes, alimentos, materiais, destinação de parte do Imposto de Renda e indicação do CEAVA como entidade beneficiada no Programa Nota Fiscal Gaúcha.

Cada contribuição ajuda a manter oficinas, adquirir materiais pedagógicos, ampliar os atendimentos e garantir a presença de profissionais nas atividades. Veja como ajudar o CEAVA.

Aos 50 anos, a palavra escolhida pela instituição para definir sua caminhada é gratidão.

Gratidão a quem iniciou. A quem assumiu responsabilidades. A quem ensinou. A quem trabalhou de forma voluntária. A quem contribuiu financeiramente. A quem abriu uma porta. A quem percebeu uma necessidade. E também a cada participante que confiou ao CEAVA uma parte de sua história.

“Durante cinco décadas, fomos testemunhas da força da nossa comunidade e do poder de mudança que surge quando nos unimos por uma causa maior”, registra a mensagem do cinquentenário.

Gaiteiro peregrino também foi homenageado

Antes da abertura da solenidade dos 50 anos do CEAVA, a Câmara Municipal realizou um ato de entrega da Medalha dos Pinhais ao gaiteiro e educador André Silvano de Oliveira Bianchini.

O paranaense de 25 anos caminhou durante 81 dias e percorreu mais de 800 quilômetros entre Maringá, no Paraná, e Vacaria. A jornada foi motivada pela fé, pelo amor à cultura gaúcha e pelo sonho de conhecer a Capital Gaúcha dos Rodeios.

“Escolhi Vacaria porque é a Porteira do Rio Grande. Não tinha como entrar no Rio Grande do Sul e não pisar em Vacaria”, afirmou.

André agradeceu o acolhimento da comunidade, tocou uma música para o público e permaneceu no plenário para acompanhar a celebração do cinquentenário.

A homenagem ao gaiteiro abriu uma noite dedicada ao reconhecimento. Mas a história central daquela quinta-feira havia começado 50 anos antes, quando um grupo de pessoas decidiu unir esforços para cuidar de quem precisava.

Flash do Diário

  • O CEAVA, fundado em 13 de agosto de 1976, celebra 50 anos de atuação, promovendo acolhimento e transformação de vidas em Vacaria.
  • A entidade se destaca por seu compromisso com gestantes, pessoas idosas e com deficiência, oferecendo oficinas e projetos de inclusão social.
  • Durante a comemoração, histórias de superação e gratidão foram compartilhadas, refletindo o impacto positivo nas comunidades atendidas.
  • A presidente Margarida Schio ressaltou a importância do CEAVA como pilar social e agradeceu a todos que contribuíram ao longo dos anos.
  • O CEAVA continua a contar com o apoio da comunidade para garantir a continuidade de seus serviços e ações transformadoras.

CEAVA, Vacaria

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