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Mesmo lotado, Presídio de Vacaria aposta em trabalho para abrir caminhos de reinserção social

Mesmo com o Presídio Estadual de Vacaria em situação de lotação e interditado para o recebimento de novos presos, iniciativas internas seguem buscando alternativas para que as pessoas privadas de liberdade encontrem caminhos possíveis de reinserção social.

Entre essas ações está o espaço multiuso da unidade, onde atividades de carpintaria e artesanato vêm sendo ampliadas com foco em ocupação produtiva, geração de renda, remição de pena e apoio à comunidade.

A iniciativa é desenvolvida pela Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) e pela Polícia Penal, por meio da 7ª Delegacia Regional da Polícia Penal (7ª DRPP). No local, apenados participam da produção de peças artesanais e de abrigos destinados a animais domésticos, que são encaminhados a entidades de proteção animal e a famílias em situação de vulnerabilidade social.

Casinhas beneficiam ONGs e famílias em vulnerabilidade

De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Penal, mais de 20 casinhas para animais já foram produzidas e entregues a instituições de Vacaria. Entre as entidades contempladas estão a Associação Anjinhos de Rua, a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Amigo do Bicho e a Associação Vacariense de Auxílio aos Necessitados, conhecida como Villa Divina Providência.

As doações têm como objetivo auxiliar organizações que atuam no resgate, acolhimento e cuidado de animais, além de atender famílias que possuem animais domésticos, mas enfrentam dificuldades para garantir estruturas adequadas de abrigo.

A ação une a proposta de ressocialização dos apenados a uma frente de ajuda humanitária e comunitária.

Segundo a administração do estabelecimento prisional, o trabalho no espaço multiuso ocorre de forma colaborativa. Os próprios apenados compartilham conhecimentos e experiências entre si, sempre sob supervisão do efetivo da Polícia Penal. Essa troca permite que habilidades sejam desenvolvidas ou aperfeiçoadas durante o cumprimento da pena.

Além da produção de peças em madeira e artesanato, os custodiados também realizam atividades externas dentro da unidade prisional. Entre elas estão serviços de limpeza, jardinagem e cultivo de hortaliças, ações que ajudam na manutenção do espaço e ampliam as possibilidades de trabalho e disciplina no cotidiano carcerário.

Artesanato fortalece vínculos familiares e comunitários

No segmento de trabalhos manuais, uma das produções recentes foi uma casinha de boneca acompanhada de cadeirinhas, doada à Villa Divina Providência. A instituição acolhe crianças em situação de vulnerabilidade, e a entrega buscou contribuir com o ambiente de acolhimento oferecido pela entidade.

Outros artigos confeccionados no presídio são destinados aos familiares dos apenados em dias de visitação. Conforme a organização interna da casa prisional, essas peças podem ajudar no fortalecimento dos vínculos familiares, aspecto considerado importante no processo de ressocialização.

Desde 2025, os materiais produzidos no estabelecimento também passaram a ser expostos em tradicionais feiras de artesanato promovidas pela Prefeitura de Vacaria, com apoio da Associação de Artesãos de Vacaria.

A participação nesses espaços amplia a visibilidade do trabalho desenvolvido e aproxima a comunidade das ações realizadas dentro do sistema prisional.

A iniciativa integra o Programa Mãos que Reconstroem, voltado à ressocialização de pessoas privadas de liberdade por meio do trabalho e da qualificação profissional. O programa foi expandido em 2025 e, segundo os dados divulgados, beneficia mais de 16 mil apenados em diferentes frentes produtivas no Estado.

Entre as áreas contempladas pelo programa estão atividades artesanais, carpintaria e também o setor calçadista.

A proposta é oferecer ocupação laboral, promover geração de renda e possibilitar a remição de pena, conforme previsto na legislação, ao mesmo tempo em que estimula o desenvolvimento de competências profissionais.

Trabalho é visto como ferramenta de ressocialização

Para a diretora do Presídio Estadual de Vacaria, Cristina Batalha, o trabalho tem papel fundamental no processo de ressocialização. Ela avalia que as atividades promovem responsabilidade, aprendizado e fortalecimento dos vínculos sociais.

“As atividades permitem que os apenados contribuam diretamente com a comunidade, por meio da produção de itens que auxiliam instituições e famílias em situação de vulnerabilidade, ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades profissionais e valores voltados à convivência em sociedade”, destacou a diretora.

A fala reforça a ideia de que a permanência no sistema prisional não precisa estar limitada ao cumprimento passivo da pena.

Ainda que a unidade enfrente restrições estruturais, como a lotação e a interdição para novos ingressos, projetos de trabalho podem representar uma alternativa concreta para reduzir a ociosidade e ampliar perspectivas de retorno à sociedade.

Espaço foi adaptado para carpintaria e artesanato

O espaço físico utilizado para a produção já existia no Presídio Estadual de Vacaria, mas foi posteriormente adaptado por meio de reforma. Atualmente, o local conta com aproximadamente 15 metros quadrados e foi estruturado para receber atividades de carpintaria e artesanato.

Com o passar do tempo, o ambiente recebeu equipamentos específicos para a execução das tarefas. Entre os itens incorporados estão esmerilhadeira, lixadeira manual e serras dos tipos esquadrejadeira, mármore e tico-tico. Os equipamentos foram adquiridos por meio de projetos, doações e parcerias.

A obtenção de matérias-primas também ocorre com apoio da comunidade. Integrantes da sociedade realizam doações voluntárias de materiais, conforme a disponibilidade, contribuindo para a continuidade das atividades no sistema prisional.

A ação demonstra que, mesmo em meio aos desafios enfrentados pelo sistema carcerário, iniciativas de trabalho e qualificação podem gerar impactos positivos dentro e fora dos muros da prisão.

Para os apenados, representam aprendizado, rotina produtiva e possibilidade de remição de pena. Para a comunidade, resultam em produtos que atendem entidades, famílias vulneráveis e causas sociais.

*Com informações de Andréia Moreno da Ascom da Polícia Penal

Campos de Cima da Serra, Presídio, Segurança Pública, Vacaria

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