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Vacarianos a Cavalo – Três décadas de cavalgadas, memórias e irmandade

A homenagem aos 30 anos do Instituto de Cavalgadas Vacarianos a Cavalo, realizada em sessão solene na Câmara Municipal de Vacaria, foi mais do que um ato oficial. Foi uma noite em que memória, gratidão, família, fé e tradição se encontraram no plenário para celebrar uma trajetória construída sobre o lombo do cavalo e sustentada por laços de amizade.

Confira aqui o registro feito pelo Diário de Vacaria de um dos momentos mais marcantes do grupo

A solenidade, conduzida pelo presidente do Legislativo, vereador Pingo Rezende, teve como autor da proposta o vereador Moacir Bossardi. O momento reuniu autoridades, vereadores, representantes tradicionalistas, familiares, músicos, integrantes do instituto e pessoas ligadas à história das cavalgadas no município.

Desde o início, a sessão foi apresentada como um reconhecimento a um grupo que, ao longo de três décadas, ajudou a preservar valores culturais, históricos e tradicionalistas.

O Instituto de Cavalgadas Vacarianos a Cavalo foi descrito como uma associação de amigos, sem fins lucrativos, criada com a missão de manter viva a tradição gaúcha.

A história do grupo, segundo a leitura feita durante a solenidade, começou em 1º de maio de 1996. Entre os fundadores foram lembrados o então coronel Nelson Fiorelo, Júlio Kuser, Luís Schons, Nego Jorge, Nilson Hoffmann, Samuel Kuser e Felipe Maciel.

Ao longo desses 30 anos, os Vacarianos a Cavalo percorreram os caminhos da Chama Crioula, conduziram símbolos da tradição e participaram de cavalgadas históricas.

Entre elas, foram citados o translado dos restos mortais de José Mendes, de Porto Alegre a Esmeralda, e o translado da Carta de Emancipação de Vacaria, de Santo Antônio da Patrulha até o município, por ocasião dos 150 anos da cidade.

A sede como símbolo de reconhecimento

O vereador Moacir Bossardi abriu os pronunciamentos com uma fala marcada pela emoção e pela proximidade com os integrantes do instituto. Autor da homenagem, ele iniciou agradecendo ao presidente Pingo Rezende e cumprimentando as autoridades presentes, entre elas o prefeito André Rokoski, o patrão Neuri Fortuna e sua esposa Andréa.

Moacir recordou uma reivindicação antiga dos integrantes: a busca por um espaço próprio para a construção da sede do instituto. Segundo ele, durante muitos anos o grupo procurou um local, mas não conseguiu avançar.

“Sabemos que passamos muitos anos sempre procurando um local para construir uma sede para o Instituto da Cavalgada. Passou vários prefeitos. A gente nunca teve êxito”, afirmou.

O vereador contou que muitos já pensavam em desistir. Ainda assim, disse ter insistido na possibilidade de apresentar o pedido ao prefeito André Rokoski.

“Muitos já tinham desistido. Vamos desistir porque eu acho que isso não vai ser possível. Digo, não. Prefeito tá assumindo agora. Temos duas palavras para ele dizer: sim ou não”, relatou.

Segundo Moacir, a resposta do prefeito foi positiva. Ele agradeceu ao chefe do Executivo e também aos secretários citados na fala, destacando que as máquinas foram disponibilizadas para o início dos trabalhos.

Para o vereador, a sede não será apenas um espaço do instituto. Será também um local de uso comunitário, disponível para eventos, ações de saúde, aniversários e encontros, sem cobrança de aluguel.

“Não vai favorecer só o Instituto de Cavalgada, mas favorecer a comunidade de Vacaria. As pessoas que precisarem fazer um evento, ou seja para saúde ou um aniversário, vai ter a chave na mão. E o mais importante, sem custo. O custo é a limpeza de entregar limpa”, disse.

As mulheres como esteio da tradição

Um dos pontos centrais da fala de Moacir foi o reconhecimento às mulheres que acompanham os integrantes do instituto. O vereador afirmou que a força do grupo está diretamente ligada à presença feminina nas famílias e nas atividades.

“Esse grupo só é forte porque tem essas mulheres maravilhosas que vocês têm, acompanhando vocês”, declarou.

Ele afirmou que, sem elas, os cavalarianos não conseguiriam realizar o que fazem. Para Moacir, enquanto os homens saem em busca da Chama Crioula, muitas vezes por longos períodos, são as mulheres que permanecem assumindo compromissos e sustentando a rotina familiar.

“Quando vocês saem em busca da Chama Crioula, quem fica assumindo os compromissos de vocês? Elas”, afirmou.

O vereador descreveu as jornadas dos integrantes, que passam “10, 15, 20 dias em cima de um lombo de um animal”, dormindo em estâncias e enfrentando dificuldades. Mesmo assim, disse, seguem com amor no coração para trazer a chama e acender o tradicionalismo na região e em Vacaria.

A valorização das mulheres voltou a aparecer em outros momentos da solenidade, especialmente na fala do patrão Neuri Fortuna. Ao agradecer à esposa Andréa e às demais mulheres do grupo, ele também afirmou que elas são fundamentais para a grandeza dos eventos e cavalgadas.

“Valorizar quem faz não tem preço”

Moacir também falou sobre sua relação pessoal com os integrantes do instituto. Disse ter orgulho de fazer parte do grupo e afirmou que continuará ajudando enquanto puder.

“Tenho um orgulho muito grande de ser um componente junto com vocês e pode ter certeza que enquanto eu puder ajudar vocês, eu jamais vou desistir de fazer isso. Porque valorizar quem faz não tem preço”, afirmou.

O vereador citou Luiz Chons, conhecido como Alemão, e destacou o carinho que ele demonstra pelas pessoas. Também lembrou o trabalho realizado com idosos da Associação Beneficente Santa Isabel.

Segundo Moacir, ver os idosos participando de momentos de lazer, sendo valorizados e comendo churrasco junto aos integrantes do grupo, é algo difícil de traduzir em palavras.

“A gente vendo o brilho nos olhos daquelas pessoas serem valorizada e ter um momento de lazer comendo um churrasco junto com todos vocês. Isso não tem preço, gente. Isso é uma coisa que a gente não tem nem o que dizer. É só gratidão”, disse.

A Associação Beneficente Santa Isabel também havia enviado correspondência à Câmara parabenizando o instituto. Na mensagem, a entidade agradeceu pelas iniciativas e ações solidárias realizadas em seu favor e afirmou que a trajetória do grupo é marcada pelo compromisso com a preservação da cultura tradicionalista gaúcha e pela dedicação à comunidade.

Memórias pessoais no plenário

Durante o pronunciamento, Moacir fez questão de mencionar nomes que marcaram sua aproximação com o instituto. Lembrou André Poleto, que o convidou diversas vezes para participar dos eventos. Também citou Pedro César Mikil, a quem chamou de Tio César.

Ao falar de Tio César, Moacir recordou a camisa que recebeu quando ele foi patrão da entidade. Disse usar a peça com orgulho.

“Quando você foi patrão dessa entidade, você me deu essa camisa. Uso com muito orgulho. Tenho orgulho disso. Porque quando a gente ganha presente de coração, a gente não esquece quem deu”, afirmou.

O vereador também citou Ademir Gai e destacou que recebeu um título de sócio sem custo. Para ele, o gesto simbolizou acolhimento.

“Me deram um título de sócio sem custo nenhum. Isso não tem preço o que vocês fizeram para mim. Isso aí é só gratidão e agradecimento a todos vocês”, declarou.

Outro nome lembrado foi Júlio Cruz, apontado como um dos fundadores do instituto. Moacir destacou que, mesmo enfrentando problemas de saúde e tendo passado por cirurgia recentemente, Júlio estava presente na homenagem.

“Teve muitos problemas de saúde, nunca se afastou, inclusive há poucos dias estava operado e hoje está aqui junto nesta homenagem”, disse.

Moacir também agradeceu pela disponibilização da sede campestre de Júlio Cruz, que classificou como “um paraíso com toda estrutura”. Em seguida, afirmou: “O senhor merece o respeito não só de mim, de todas essas pessoas que o acompanham no dia a dia”.

Quem alimenta também sustenta a caminhada

O vereador não deixou de mencionar as pessoas responsáveis pela alimentação nos eventos do instituto. Segundo ele, se não houver quem puxe a frente, nada acontece.

Moacir citou Raul, Adir Cavalo e sua esposa, Jorge e sua esposa, Ernesto, Carlinhos e outros voluntários. Disse que não poderia citar todos os nomes, mas agradeceu em nome daqueles que fazem a diferença na organização dos encontros.

“30 anos não é 30 dias”, afirmou.

Ao olhar para o futuro, Moacir disse acreditar que, mesmo quando alguns já não estiverem mais presentes, sempre haverá alguém para puxar a frente e impedir que o Instituto de Cavalgadas Vacarianos a Cavalo desapareça.

“Tem garante que vai ter sempre gente puxando à frente e não vai deixar esse instituto de cavalgadas Vacarianos a Cavalo morrer”, disse.

No encerramento de sua fala, voltou a agradecer ao prefeito André Rocovoski pela área destinada ao grupo. Segundo ele, o gesto pensou não apenas no instituto, mas em todo o tradicionalismo de Vacaria.

“Vai ter uma sede para receber essas pessoas, tratar melhor os seus animais, porque isso é muito importante”, afirmou.

Moacir encerrou dizendo que seu coração “hoje e sempre” será do Instituto de Cavalgadas Vacarianos a Cavalo. “Que venha mais 30 anos”, completou.

Gratidão e continuidade nas lideranças partidárias

A vereadora Silvana Montanari, líder do União Brasil, destacou que a sessão celebrava “uma história construída com amizade, tradição e amor pela cultura gaúcha”.

Ela lembrou que o Instituto Cavalgadas Vacarianos a Cavalo nasceu em 1º de maio de 1996 da união de amigos que acreditavam na importância de manter vivos os valores campeiros.

“Desde então, são quase três décadas percorrendo os caminhos da Chama Crioula, levando consigo o orgulho de ser gaúcho”, afirmou.

Silvana citou a participação do grupo em diversos momentos históricos da tradição, incluindo a geração da Chama Crioula em várias cidades e cavalgadas marcantes, como o translado da Carta de Emancipação de Vacaria.

Para a vereadora, a história dos Vacarianos a Cavalo representa “mais do que quilômetros”. Ela definiu a caminhada como um legado que resiste ao tempo, mesmo com a partida de muitos companheiros.

A parlamentar também destacou que o grupo segue firme com 54 integrantes, entre veteranos e jovens, garantindo que “esta chama nunca se apague”.

Outro ponto mencionado por Silvana foi a urna lacrada que será aberta em 2050. Segundo ela, o gesto representa a conexão entre o presente e o futuro, entre aqueles que iniciaram a caminhada e aqueles que ainda virão.

“Preservar a tradição é preservar nossa identidade”, disse.

Ao final, Silvana dirigiu-se a Júlio Cruz e lembrou uma frase atribuída a um velho amigo: “Não há no mundo exagero mais belo do que a gratidão”. Segundo ela, é isso que os vacarianos sentem pelo grupo, por tudo que faz pela sociedade, pelos jovens e pela comunidade.

“Vida longa aos Vacarianos a Cavalo e que nunca se apague a chama da nossa tradição”, concluiu.

“Honrar os Vacarianos é honrar a alma de Vacaria”

O vereador Fernando Cechinato, líder do PL, também prestou homenagem ao instituto. Ele iniciou saudando o patrão Neuri, integrantes como Alemão e o Gai, os presentes no plenário e a comunidade que acompanhava pela internet.

Fernando definiu a noite como abençoada e destacou que o grupo tem um histórico de lutas e conquistas voltadas à tradição. Mais do que isso, afirmou, é um grupo de amigos.

“Um grupo de pessoas do bem, receptivos, sinceros, acolhedores em todos os locais e eventos que participam e principalmente quando são os anfitriões”, disse.

Ele destacou o ambiente acolhedor, tradicional e familiar construído pelos integrantes. Também afirmou que os cavalarianos carregam “no casco do cavalo a história viva da nossa terra”.

O vereador lembrou o evento de 2000, em Santo Antônio da Patrulha, e a liderança do grupo na manutenção da Chama Crioula em cada Semana Farroupilha.

“São muitos atos e muitas histórias”, afirmou.

Fernando também falou do cavalo como parceiro silencioso, símbolo de nobreza e lealdade. Para ele, os integrantes promovem a identidade do povo gaúcho, representam resistência e fortalecem a união comunitária.

No encerramento, deixou uma das frases mais marcantes da solenidade: “Honrar os Vacarianos a Cavalo é honrar a própria alma de Vacaria”.

A chama que não ficou no passado

O vereador Douglas Cenci, líder do governo, fez uma fala voltada à origem do grupo e à responsabilidade de manter viva a tradição. Ele iniciou cumprimentando autoridades e representantes presentes, além dos cavaleiros do Quinto Distrito.

Douglas lembrou o momento de maio de 1996, quando Júlio, Luiz, Nego Jorge, Nilson, Samuel, Felipe e outros se reuniram. Segundo ele, talvez naquele instante não soubessem o tamanho do compromisso que estavam assumindo.

“Anos depois essa resposta está nos caminhos que vocês percorreram”, afirmou.

Para Douglas, os fundadores talvez não imaginassem o quanto aquela chama se espalharia. Ela percorreu inúmeras cidades, atravessou centenas de quilômetros e chegou aos 30 anos ainda mais acesa.

“Muitos companheiros partiram nesse caminho, mas partiram sabendo que a cavalgada continuaria. E essa certeza é o maior legado que deixaram”, declarou.

O vereador afirmou que os Vacarianos a Cavalo não são apenas um grupo de cavalgadas. Para ele, são guardiões da identidade de um povo.

“Cada trilha percorrida, cada Chama Crioula conduzida, cada translado histórico que vocês fizeram, tudo isso diz ao mundo que Vacaria não esquece de onde veio”, disse.

Douglas também destacou a presença de 54 integrantes entre veteranos, crianças e adolescentes. Segundo ele, isso prova que o exemplo foi recebido pelas novas gerações.

A urna criada nos 150 anos de Vacaria e prevista para ser aberta em 2050 foi novamente citada. Para o vereador, ela carrega mensagens e imagens, mas principalmente a certeza de que alguém manterá a chama acesa até lá.

“Tradição não é feita para se deixar no museu, tradição é feita para ser cultivada”, afirmou.

Douglas também fez uma defesa direta do apoio do poder público. “A gente não pode deixar morrer essa chama que é acesa por muitos desses senhores aqui por falta de apoio. É dever do poder público manter essa chama acesa”, disse.

O prefeito e a cultura nas escolas

O prefeito André Luiz Rocoski fez um pronunciamento no qual associou a homenagem à preservação da cultura gaúcha e ao papel do poder público. Ele saudou autoridades, vereadores, lideranças tradicionalistas, secretários e integrantes do instituto.

André afirmou ter carinho, admiração e respeito profundo pelo trabalho realizado pelos Vacarianos a Cavalo dentro da sociedade vacariana.

“Vocês fazem dentro da nossa sociedade algo tão importante, dando exemplo de civismo, exemplo de respeito, exemplo para que nós possamos preservar a nossa cultura e a nossa tradição gaúcha”, disse.

O prefeito destacou que os integrantes dedicam tempo precioso para proporcionar momentos de valorização da cultura junto à comunidade.

Ele também mencionou uma iniciativa recente da administração municipal: a introdução da cultura e da tradição gaúcha no turno integral de uma escola municipal.

Segundo André, o sonho era levar as crianças para a Semana Farroupilha trajadas como peão e prenda. “A gente está dando esse primeiro passo que é colocar a cultura e a tradição dentro das nossas escolas municipais”, afirmou.

O prefeito disse que a história dele com os Vacarianos a Cavalo começou ainda quando era vereador. Na época, relatou, buscava-se um espaço para colocar uma placa alusiva à emancipação de Vacaria, lembrando que foram os integrantes do instituto que buscaram a Carta de Emancipação.

“Parece algo simples, mas é algo muito significativo, que tem uma história por trás, é história da nossa cidade”, afirmou.

Para André, é necessário resgatar, mostrar e valorizar essa memória. Ele disse que a história de 30 anos foi escrita pelas mãos de muitos dos presentes e continuará sendo escrita porque a tradição está sendo passada adiante.

“Basta ter vontade”

Ao falar sobre a área destinada ao grupo, o prefeito disse que, como chefe do Executivo, teve a possibilidade de fazer mais do que antes. Ele afirmou que a entrega da área aos Vacarianos a Cavalo não foi difícil. – “Era algo que eu não considerei difícil de fazer, porque basta ter vontade para fazer as coisas, basta querer”, declarou.

André acrescentou que, embora tenha sido simples do ponto de vista administrativo, a decisão exigiu sensibilidade.

“Para isso a gente tem que ter sensibilidade. Sensibilidade de entender o que é uma história, o que é uma cultura”, disse.

O prefeito lembrou que Vacaria é a cidade que ostenta o maior rodeio do mundo e afirmou que o município precisa construir junto com suas entidades.

Na mesma fala, anunciou que os Cavaleiros do Quinto Distrito também terão uma área própria. Segundo ele, o compromisso foi assumido pelo mesmo sentimento de valorização da cultura local.

“Isso não é difícil de fazer. Isto é porque nós temos um sentimento, nós temos um coração que quer que a nossa cidade seja uma cidade onde todos tenham possibilidades, oportunidades”, afirmou.

André disse ainda que o dever de quem está no poder público é dar condições para que pessoas voluntárias, como os integrantes dos grupos de cavalgada, mantenham viva a chama da tradição.

Ao final, deixou uma orientação para que se converse com os institutos de cavalgadas para realizar uma cavalgada municipal no aniversário de Vacaria.

“Para nós comemorarmos a nossa cidade e para dizer o quão vocês são importantes”, disse.

Música para homenagear a caminhada

A homenagem também teve um momento musical. Foram chamados os músicos Dudu Peroni, Fábio Bueno, Thiago Bueno, Pablo Long, Thiago Rossoni e Leonardo Boeira.

Após a apresentação, Dudu Peroni quebrou o protocolo para agradecer o convite. Ele explicou que Paulo Machado havia organizado os músicos, mas precisou se ausentar por um compromisso urgente em Curitibanos.

Dudu contou que veio de Caxias a Vacaria cantando a música durante a viagem. “Eu vim cantando essa música a viagem inteira, esses 200 km de Caxias a Vacaria”, disse.

Ele afirmou que não poderia deixar de homenagear os Vacarianos a Cavalo. O presidente Pingo Rezende agradeceu aos músicos e disse que eles engrandeceram a homenagem.

“A homenagem já é grandiosa aos Vacarianos e vocês deixaram muito linda e grande”, afirmou Pingo.

Em seguida, o vereador Moacir Bossardi entregou a placa ao patrão do Instituto de Cavalgadas Vacarianos a Cavalo, Neuri Fortuna.

A emoção do patrão Neuri Fortuna

O pronunciamento de Neuri Fortuna foi um dos momentos mais emocionantes da solenidade. O patrão iniciou dizendo que o grupo estava bastante emocionado e que não esperava “uma festa tão linda”.

Ele agradeceu aos músicos pela homenagem, aos vereadores pelo momento e, em especial, a Moacir Boçarde, a quem chamou de alguém que tem feito muito pelo grupo.

Neuri dirigiu-se ao presidente, aos membros da mesa, autoridades, amigos e familiares dos Vacarianos a Cavalo. Disse que estavam na “casa do povo” para receber uma homenagem a um grupo que é retrato da identidade vacariana.

“Estamos hoje nessa casa do povo para receber esta homenagem ao nosso grupo que é próprio retrato da nossa identidade, Vacarianos a Cavalo”, afirmou.

Ele lembrou os pioneiros Júlio Kuser, Coronel Fiorelo, Luís Schons, Nilson Hoffmann e outros amigos que tiveram coragem de fundar o grupo.

Neuri disse que exerce pela terceira vez a função de patrão e que se sentia contente, nervoso, ansioso e sem muitas palavras para agradecer.

“Para mim me sinto muito contente, bastante nervoso, bastante ansioso e sem muitas palavras para agradecer essa linda homenagem”, declarou.

Famílias, mulheres e crianças no centro da tradição

O patrão destacou que o grupo cresceu com a participação das famílias. Segundo ele, mulheres e crianças fazem parte do dia a dia do instituto com carinho e respeito.

Ele retomou a valorização das mulheres, também feita por Moacir. Neuri afirmou que as cavalgadas são grandiosas graças ao apoio feminino.

“Essas mulheres que são o esteio da família e que sempre estão junto conosco, nos apoiando”, disse.

Em especial, agradeceu à esposa Andreia. Segundo ele, ela “corre nos quatro ventos” em qualquer evento, tenta fazer o melhor e mobiliza as demais mulheres.

Neuri também afirmou que cada mulher colabora um pouco para que os eventos e festas sejam sempre grandiosos.

Ao falar das cavalgadas, definiu o ato de cruzar o Rio Grande do Sul no lombo do cavalo como uma demonstração de fé e amor às raízes.

“Cruzar o Rio Grande do Sul no lombo do cavalo, levando o nome da nossa terra querida Vacaria, terra onde amamos e vivemos e amamos de coração, é um ato de fé, de amor às nossas raízes”, afirmou.

Para ele, levar o nome de Vacaria para além das divisas mostra a têmpera do homem serrano e a fidalguia do povo.

O futuro aprendido na estrada

Neuri afirmou que o que mais emociona na trajetória do instituto é perceber que o tempo não apagou a chama. Pelo contrário, disse, ela se fortaleceu.

O patrão olhou para o plenário e citou crianças que representam a renovação da tradição. Entre elas, mencionou Pedro Henrique, seu filho, Valentina, os irmãos Artur e Germano, Antônio, Bentinho e Helena, além de tantas outras crianças que participam do dia a dia e das cavalgadas.

“Esses pequenos são o futuro dessa tradição”, afirmou.

Em seguida, destacou que as crianças aprendem na estrada aquilo que não se aprende nos livros.

“Eles aprendem na estrada o que não se ensina em livros. O valor da palavra empenhada, o respeito à natureza e a importância da cultura e da tradição de nosso pago”, disse.

Tomado pela emoção, Neuri precisou interromper a leitura. Pediu desculpas e tentou continuar. Pouco depois, pediu que a patroa terminasse de ler a mensagem.

Os que cavalgam em estâncias celestes

A fala lida pela patroa retomou a memória dos companheiros que começaram a caminhada e já partiram.

A mensagem afirmou que muitos hoje “cavalgam em estâncias celestes”, citando Clodoveu Vieira Pinto, o Binho, e tantos outros.

Mas, segundo o texto, os ensinamentos desses companheiros seguem presentes no jeito de encilhar, na roda de mate, no braseiro, no churrasco, na hora da canha e na solidariedade.

A mensagem destacou que essa solidariedade é conhecida por quem vive a estrada “na pata do cavalo”.

“30 anos de cavalgadas não são apenas 30 anos de viagens, são 30 anos de amizades que se tornam irmandades”, afirmou.

Ao final, veio o agradecimento especial às famílias, “que nunca nos deixam só”. Neuri retomou a palavra para agradecer novamente pela parceria.

Campos de Cima da Serra, Cultura, Rio Grande do Sul, Vacaria

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