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Nova reitoria da UCS assume sob pressão por futuro do ensino superior em Vacaria

Posse de Asdrubal Falavigna e Terciane Ângela Luchese ocorre em meio à busca por soluções para a formação superior no município

A posse da nova reitoria da Universidade de Caxias do Sul, marcada para este domingo, 3 de maio, ganha um significado ainda maior para Vacaria e para os Campos de Cima da Serra.

Mais do que uma cerimônia acadêmica, a mudança no comando da UCS ocorre em meio a um debate regional sobre o futuro do ensino superior, a permanência dos jovens no município e o papel das instituições públicas e comunitárias na formação profissional.

Às 18h, no UCS Teatro, em Caxias do Sul, assumem oficialmente os professores Asdrubal Falavigna, como reitor, e Terciane Ângela Luchese, como vice-reitora, para a gestão 2026-2030. O evento será reservado a convidados e seguirá o protocolo acadêmico da instituição.

Falavigna recebe o cargo de Gelson Leonardo Rech, que comandou a Universidade entre 2022 e 2026. Na gestão anterior, o novo reitor atuou como vice, o que pode indicar continuidade administrativa, mas também abre expectativa sobre possíveis mudanças de rota, especialmente em unidades fora da sede, como Vacaria.

Vacaria acompanha a posse em meio a incertezas sobre a UCS

A atenção da comunidade vacariense se volta à nova reitoria porque a UCS vive um processo de reposicionamento no município.

A instituição, que atua há mais de três décadas em Vacaria, passou a reavaliar sua presença nos Campos de Cima da Serra diante da mudança no cenário do ensino superior regional.

Uma das medidas que mais repercutiu foi o cancelamento do vestibular presencial de inverno para o campus de Vacaria.

Conforme a então gestão da Universidade, a decisão fez parte de uma análise de reestruturação e não alterou os cursos já oferecidos nem a rotina dos estudantes matriculados.

Mesmo assim, a suspensão de novas entradas presenciais acendeu um alerta na comunidade. A UCS já teve presença mais ampla no município e, segundo o contexto apresentado pela Prefeitura de Vacaria, chegou a atender 1,5 mil alunos.

Os números divulgados em 2025 apontavam para 616 estudantes vinculados ao campus, sendo 220 na graduação, 21 na especialização, 75 em mestrados e 300 em atividades de extensão.

O dado mais relevante é que Vacaria concentra, fora da sede em Caxias do Sul, o maior número de mestrandos e doutorandos entre os núcleos da Universidade.

Isso demonstra que, embora a graduação presencial esteja em reavaliação, ainda há uma presença acadêmica importante no município.

Prefeitura busca no IFRS uma alternativa para ampliar cursos

O assunto ganhou novo peso em abril, quando a Prefeitura de Vacaria protocolou um pedido oficial de audiência pública junto ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, o IFRS.

O objetivo foi discutir a ampliação e a diversificação dos cursos oferecidos no campus local.

O ofício foi assinado pelo prefeito André Luiz Rokoski e encaminhado ao reitor Júlio Xandro Heck. A solicitação aponta a necessidade de ampliar o acesso ao ensino público de qualidade e de frear a evasão de talentos do município.

Segundo a Prefeitura, diariamente 273 estudantes deixam Vacaria para cursar graduações em Santa Catarina. O transporte desses alunos representa um custo anual de aproximadamente R$ 500 mil aos cofres públicos.

Esse número ajuda a dimensionar a urgência do tema. A saída diária de estudantes mostra que há demanda local por formação superior, mas também evidencia que parte dessa procura não encontra resposta suficiente dentro do próprio município.

Ao buscar o IFRS como alternativa, a administração municipal sinaliza que pretende encontrar uma solução estrutural local para o acesso ao ensino superior.

Ao mesmo tempo, a medida aumenta a pressão sobre todas as instituições que atuam ou já atuaram de forma mais ampla em Vacaria, incluindo UCS e Uergs.

Fechamento gradual da UCS é citado como preocupação

No pedido enviado ao IFRS, a Prefeitura menciona inclusive como fator de preocupação o fechamento gradual das atividades da UCS em Vacaria.

A avaliação ocorre em um contexto no qual a Universidade afirma estar repensando o seu papel na região, especialmente diante da presença de outras instituições que oferecem cursos similares.

A Uergs também aparece no cenário, mas com atuação considerada limitada em razão da falta de investimentos.

A instituição oferece graduação em Agronomia no município e tem previsão de lançamento de uma especialização na área de Agronomia, Meio Ambiente e Sustentabilidade.

O IFRS, por sua vez, passa a ser visto pela Prefeitura como uma possibilidade concreta de ampliar a oferta de cursos técnicos, tecnológicos e superiores.

Esse movimento torna a posse da nova reitoria da UCS ainda mais importante.

A nova gestão assume no momento em que o município busca alternativas para uma lacuna educacional que pode se ampliar caso a Universidade reduza sua presença presencial na graduação.

Frente parlamentar reforça pressão por soluções

A preocupação com a evasão de estudantes também chegou ao Legislativo de Vacaria. A Câmara aprovou a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Educação Técnica, Tecnológica e Superior, proposta pelo vereador Mauro Schuler.

A iniciativa busca aproximar as instituições de ensino que atuam no município e construir alternativas para ampliar oportunidades de formação. Além da UCS, o debate envolve IFRS e Uergs.

A frente parlamentar parte da compreensão de que os 15 municípios dos Campos de Cima da Serra, com cerca de 110 mil habitantes, precisam de uma rede de ensino capaz de atender às demandas locais.

A formação de mão de obra qualificada é vista como essencial para evitar a saída de jovens e fortalecer o desenvolvimento regional.

Nesse cenário, a posse da nova reitoria da UCS ocorre em um ambiente de cobrança institucional. A comunidade espera clareza sobre o futuro do campus e sobre o papel que a Universidade pretende exercer em Vacaria.

Novo comando da UCS terá de dialogar com a realidade regional

Além da posse de Asdrubal Falavigna e Terciane Ângela Luchese, este domingo também marca a renovação no comando da Fundação Universidade de Caxias do Sul.

Às 15h30min, serão empossados Ubiratã Rezler, como presidente, e Dom José Gislon, como vice-presidente da FUCS, para a gestão de maio de 2026 a maio de 2029.

A Fundação é a mantenedora da UCS e tem papel decisivo nas definições administrativas e estratégicas da instituição. Por isso, a renovação simultânea da reitoria e da FUCS amplia a expectativa sobre os próximos passos da Universidade.

Para Vacaria, o momento pode representar uma oportunidade de reconstrução de diálogo. A nova gestão terá de avaliar se o reposicionamento da UCS será apenas uma redução da oferta presencial ou se poderá se transformar em uma nova estratégia de presença regional.

A Prefeitura, ao buscar a ampliação de cursos no IFRS, mostra que o município não pretende aguardar passivamente. Há uma demanda concreta por formação superior, comprovada pelo deslocamento diário de centenas de estudantes para Santa Catarina e pelo custo anual do transporte público oferecido a esses alunos.

A UCS, por sua vez, carrega uma história de mais de 30 anos em Vacaria e ainda mantém estrutura, estudantes, pós-graduação, extensão e serviços tecnológicos. A posse deste domingo, portanto, não define sozinha o futuro da instituição no município, mas pode abrir uma etapa decisiva.

Para os Campos de Cima da Serra, o desafio é maior do que a permanência de uma universidade.

Trata-se de garantir que os jovens tenham acesso à formação de qualidade sem precisar deixar a região, que o setor produtivo encontre mão de obra qualificada e que o conhecimento continue sendo instrumento de desenvolvimento local.

A nova reitoria assume com essa realidade posta. Em Vacaria, a esperança é que o novo ciclo da UCS seja marcado por escuta, planejamento e compromisso regional.

Laboratório de Sementes pode indicar novo caminho para a UCS

Embora a graduação presencial esteja em reavaliação, a UCS tem apontado outros caminhos para manter relevância em Vacaria. Um dos principais é a ampliação do Laboratório de Sementes e Fitopatologia, o LASFI.

O espaço, que tinha 125 metros quadrados, passou a contar com 250 metros quadrados. A capacidade de atendimento deve ser triplicada.

Atualmente, o laboratório realiza cerca de nove mil análises por ano e atende mais de 200 clientes, entre produtores rurais, sementeiros, cooperativas e empresas do setor agrícola de diferentes estados.

O LASFI atua na avaliação da qualidade e sanidade de sementes e no diagnóstico de doenças de plantas causadas por fungos. Esse serviço tem relação direta com a realidade econômica dos Campos de Cima da Serra, região fortemente ligada à agropecuária e à produção agrícola.

A ampliação inclui uma Sala de Germinação, já em operação, e uma nova Sala de Sanidade, prevista para o segundo semestre. A estrutura também atende a novas exigências do Ministério da Agricultura, órgão fiscalizador do laboratório.

Nesse sentido, a UCS pode encontrar em Vacaria um reposicionamento voltado à pesquisa aplicada, aos serviços tecnológicos, à pós-graduação, à extensão e ao apoio ao setor produtivo.

O desafio será fazer com que esse caminho não signifique afastamento da comunidade estudantil, mas uma nova forma de presença regional.

Foto: Bruno Zulian/UCS

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