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E agora? Polícia prende, presídios lotam, Justiça intervém e as vagas ainda não estão prontas

Mais uma vez as penitenciárias lotadas mostram o resultado de uma polícia que prende, mas de um sistema que por muito tempo ficou sem receber os investimentos necessários. O Rio Grande do Sul hoje avança como nunca no sistema penitenciário, porém a realidade complicada não espera as obras ficarem prontas.

Diante disso surge uma pergunta inevitável: como enfrentar o problema até lá? Enquanto cada instituição faz a sua parte, a situação acaba ficando visível, escancarada diante da sociedade.

Foi nesse contexto que a Justiça voltou a analisar a realidade do sistema prisional da Serra Gaúcha. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Regional de Execuções Criminais de Caxias do Sul e envolve unidades prisionais de Caxias do Sul, Vacaria, Canela e São Francisco de Paula.

A análise ocorre dentro de um processo que acompanha a situação das casas prisionais da 7ª Delegacia Penitenciária Regional. O objetivo central é evitar que a superlotação avance ainda mais enquanto soluções estruturais não ficam prontas.

Entre as unidades alcançadas pela decisão está o Presídio Estadual de Vacaria, que passa a operar sob limites populacionais definidos judicialmente.

O processo teve origem em um pedido da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo do Rio Grande do Sul, que solicitou autorização para ampliar o número de presos na Penitenciária Estadual de Caxias do Sul (PECS).

O governo argumentou que o sistema prisional da Serra Gaúcha enfrenta forte pressão por novas vagas e que a ampliação temporária poderia ajudar a equilibrar a situação até a conclusão de novas estruturas.

O Ministério Público manifestou-se contrário ao pedido, alertando que aumentar a população carcerária em unidades já superlotadas poderia agravar ainda mais os problemas estruturais.

Diante dessas manifestações, a magistrada decidiu reavaliar a situação das penitenciárias da região.

Durante a análise do processo foram consideradas inspeções realizadas dentro das unidades prisionais. Os relatórios apontaram uma série de problemas estruturais e operacionais.

Entre os pontos citados na decisão regional estão falta de abastecimento regular de água, superlotação nas celas, falta de colchões para todos os presos, problemas na rede elétrica e dificuldade de manter condições adequadas de higiene.

Em algumas inspeções, presos relataram períodos prolongados sem acesso suficiente à água, inclusive para uso em sanitários.

Além disso, a estrutura das unidades foi projetada originalmente para um número muito menor de detentos do que o atualmente registrado.

Na Penitenciária Estadual de Caxias do Sul, por exemplo, a capacidade de engenharia da unidade é de 548 vagas, enquanto inspeções registraram mais de 1.200 presos, resultando em uma taxa de ocupação superior a 220%.

Segundo a decisão judicial, esse cenário compromete tanto as condições de vida dos detentos quanto a segurança dos servidores que trabalham na unidade.

A superlotação acaba produzindo um efeito em cadeia. Aumenta o risco sanitário, sobrecarrega sistemas hidráulicos e elétricos, dificulta a limpeza das celas e eleva a tensão dentro das unidades.

Também foi constatado que, em algumas situações, presos precisam compartilhar colchões ou dormir diretamente no chão das celas.

A decisão lembra que o Estado, ao manter pessoas sob custódia, assume a responsabilidade de garantir sua integridade física e moral, conforme prevê a Lei de Execução Penal.

Após analisar os dados e relatórios, a magistrada decidiu indeferir o pedido do governo estadual para ampliar o número de presos nas unidades da região.

Na avaliação da juíza, permitir a entrada de mais detentos nas condições atuais agravaria ainda mais um sistema já pressionado pela superlotação. Por esse motivo, a Justiça manteve a interdição das unidades e optou por estabelecer limites populacionais.

A decisão também fixa limites máximos de presos para cada presídio da região, como forma de impedir que a superlotação avance.

No caso do Presídio Estadual de Vacaria, ficou definido um teto provisório de 252 presos homens e 25 presas mulheres. Após o período emergencial, o limite retorna ao teto regular de 192 presos homens e 20 presas mulheres.

Durante a visita realizada pela magistrada ao Presídio Estadual de Vacaria, lideranças da região também estiveram presentes acompanhando a situação da unidade.

Na ocasião foi externada uma preocupação recorrente entre autoridades locais: a necessidade de mobilizar efetivos policiais para escolta e movimentação de presos entre unidades prisionais.

Esse tipo de operação muitas vezes exige que policiais deixem momentaneamente o trabalho nas ruas para atuar na logística do sistema prisional, o que acaba gerando reflexos diretos na segurança pública das cidades da região.

Após a decisão judicial, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo e a Polícia Penal informaram que receberam a determinação e que ela será cumprida.

A fala do Governo do Rio Grande do Sul

O governo estadual destacou que a Serra Gaúcha está contemplada em um conjunto de investimentos que buscam ampliar o número de vagas no sistema penitenciário. Entre as obras citadas está a construção de uma nova penitenciária em Caxias do Sul, que deverá gerar 1.650 novas vagas, com investimento superior a R$ 260 milhões.

Outras obras em andamento incluem penitenciárias em Rio Grande, São Borja e Passo Fundo, além de reformas em unidades prisionais em diferentes regiões do Estado.

De acordo com o governo, desde 2019 até o final da atual gestão, em 2026, os investimentos no sistema prisional do Rio Grande do Sul devem ultrapassar R$ 1,4 bilhão, com a criação ou requalificação de mais de 12 mil vagas para pessoas privadas de liberdade.

A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo destacou que a superlotação é uma realidade enfrentada em todo o país e que o Estado segue ampliando a estrutura penitenciária para responder ao aumento da demanda por vagas.

Enquanto as obras avançam e as novas unidades não ficam prontas, a realidade continua exigindo decisões difíceis. A Justiça busca controlar a lotação das unidades, o governo amplia investimentos, as forças de segurança seguem prendendo e a sociedade acompanha de perto um problema que, mais uma vez, aparece de forma clara diante de todos.

“A superlotação dos presídios infelizmente é uma realidade de todo o país. Aqui no RS, estamos enfrentando com coragem e determinação. Por isso estamos construindo um novo presídio em Caxias do Sul, com mais de 1.650 vagas.

Importante destacar que, quem está cometendo crime no RS, está sendo preso pelas forças da segurança, que desempenham um papel fundamental e valoroso. Por isso vamos continuar avançando na construção de novos presídios, como em Caxias, Passo Fundo, São Borja e Alegrete.”

Jorge Pozzobom – Secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo

Brigada Militar, Campos de Cima da Serra, Penitenciária, Polícia Civil, sistema prisional, Vacaria

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