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Desafio Diário: Nutricionista Camila Longhi explica por que alimentação vai além da dieta e do peso

Camila reforça que comer bem não precisa ser caro, complicado ou radical — o segredo está na organização, escuta e equilíbrio emocional

O segundo episódio do Desafio Diário, projeto do Diário de Vacaria que propõe uma transformação real na saúde e nos hábitos cotidianos, trouxe à tona um dos temas mais centrais quando se fala em qualidade de vida: a alimentação.

A convidada da vez é Camila Longhi, nutricionista reconhecida em Vacaria e eleita pelo mérito logista da CDL como a profissional mais lembrada da cidade. Ela conversa com Lucas Barp, que é o protagonista do desafio e também apresentador do podcast.

A pauta do episódio gira em torno da alimentação prática, dos erros mais comuns ao tentar “comer melhor”, da relação entre comida e emoção, além de dicas reais para quem quer mudar a rotina, mas não sabe por onde começar.

Mais que dieta, é escuta ativa e construção de rotina

Logo no início da conversa, Camila faz questão de desconstruir a imagem tradicional do trabalho da nutricionista, limitada apenas a uma “folha de dieta”. “A gente escuta muito. Tem paciente que brinca que deveria me pagar duas consultas, uma como nutri e outra como psicóloga”, comenta Camila, ressaltando que o atendimento precisa partir da realidade de cada pessoa.

“Só posso ajudar se eu escutar a tua rotina. Meu trabalho não é só emagrecimento, é olhar para o teu histórico familiar, cardiovascular, teu dia a dia. A nutrição é muito mais ampla.”

Essa abordagem faz parte do que o Desafio Diário quer reforçar: mudar hábitos não é seguir uma fórmula pronta, mas criar um plano adaptado à vida real, com todos os seus imprevistos, cansaços e limites.

Pequenas mudanças, grandes efeitos

Durante o bate-papo, Lucas compartilha seu próprio cenário — uma rotina corrida, sono irregular e alimentação desorganizada — e pergunta se mudanças na alimentação podem gerar resultados rápidos.

Camila é direta:

“Com pequenas mudanças já dá para perceber mais disposição. Não é só sobre o peso. Dormir melhor, ter mais energia no dia, isso tudo vem com uma alimentação mais equilibrada.”

Ela aponta que muitas vezes as pessoas buscam milagres alimentares com base em modismos — e acabam se frustrando ou piorando sua saúde.

A alimentação mudou (e não foi pra melhor)

Um dos temas mais fortes abordados foi a diferença entre os alimentos de antigamente e os atuais. Camila comenta sobre a industrialização excessiva e os perigos dos alimentos com prazos de validade muito longos.

“Quanto maior a validade, pior para a saúde. O pão da avó durava pouco. O pão de mercado dura semanas. Isso já diz tudo.”

O exemplo de Lucas também ajuda a ilustrar essa diferença: “Hoje a gente vai no mercado e compra tudo pronto. Mas é tudo diferente daquele preparo que envolvia a família, como era no tempo do pão caseiro da avó.”

Organização: a chave para comer melhor

Quando Lucas pergunta por onde começar uma alimentação mais saudável, Camila responde com uma palavra: organização.

“Não precisa ser algo complexo. Cozinhar uma carne, deixar frutas cortadas, ter uma salada lavada para a semana… isso já faz diferença enorme. O erro comum é deixar para decidir o que comer quando já se está cansado.”

Segundo ela, é nesse momento de exaustão, sem nada pronto, que o corpo pede comida rápida — e a pizza, o lanche ou o salgadinho viram a saída fácil.

Trocas ruins disfarçadas de saudáveis

Outro ponto discutido foi a ilusão das trocas “inteligentes”. Lucas revela que substituiu um lanche por pipoca de micro-ondas — achando que era uma troca mais saudável (grande engano)

Camila explica:

“A pipoca de micro-ondas é processada, cheia de aditivos. A tradicional feita na panela, com pouco óleo, é bem melhor. Mas mesmo ela não substitui uma refeição de verdade, com proteína e fibras.”

Comer bem é caro? Nem sempre.

Um dos principais obstáculos apontados por muitas pessoas é o custo. Segundo Camila, isso precisa ser relativizado.

“Se comparar sardinha, ovo e atum com pizza, nem sempre o saudável sai mais caro. Às vezes o problema não é o valor, mas o tempo e a disposição de preparar. Aí a pessoa paga mais pela praticidade.”

Ela defende uma alimentação possível, adaptada à realidade financeira e à rotina de cada um, evitando extremos e modismos.

Plano alimentar: cada pessoa é única

Na construção do plano alimentar, Camila explica que não há padrão fixo. Tudo é pensado individualmente.

“Cada um tem suas necessidades calóricas e horários. O importante é manter o equilíbrio entre proteína, fibra e carboidrato. Isso é para todos, mas a forma de aplicar é diferente.”

O conceito de crononutrição também aparece na conversa: quanto mais tarde se come, pior é o impacto para o metabolismo, podendo aumentar riscos de doenças como diabetes, hipertensão e até câncer.

Comer não é só fisiológico, é emocional

Um dos trechos de destaque do episódio trata da relação emocional com a comida. Camila fala sobre as “beliscadinhas” fora de hora, comuns quando se está ansioso, entediado ou até feliz.

“O doce, por exemplo, ativa uma dopamina rápida. Mas ela dura pouco. Aí a pessoa precisa de mais e mais para sentir aquele bem-estar.”

Ela propõe substituir essa busca por prazer por outras fontes: ler um livro, conversar com alguém querido, fazer uma caminhada. “Se eu buscar bem-estar em outras coisas além da comida, a sensação boa dura mais”, diz.

Jejum intermitente funciona? Depende.

Ao abordar o jejum intermitente, Camila reconhece que a estratégia pode ser válida — mas não para todo mundo e, principalmente, não como ponto de partida.

“Ele gera estresse no corpo, aumenta o cortisol, dá mais fome e ansiedade. Pode funcionar depois de um tempo de adaptação, mas começar por aí costuma dar errado.”

Alimentação no verão e nas férias: equilíbrio é a palavra

Muitos se perguntam como manter a alimentação saudável durante o verão ou em viagens. Camila responde de forma descomplicada:

“O que engorda não é o sorvete ou a pizza. É o exagero. Dá para comer com equilíbrio. Escolhe uma refeição para ‘sair da linha’, mas equilibra o restante do dia.”

Ela também lembra que o ano inteiro traz situações sociais — festas, eventos, comemorações — e que o importante é aprender a lidar com isso com consciência, e não com culpa.

Fazer junto ajuda mais do que fazer sozinho

Lucas levanta a importância de um ambiente favorável, e Camila reforça: quando a família participa, tudo fica mais fácil.

“Uma criança com dieta precisa dos pais junto. O mesmo vale para adultos. Quando um começa, o hábito vai entrando em casa e mudando o entorno.”

Ela compartilha que costuma promover grupos de desafio ao longo do ano justamente por isso: “A troca entre pessoas com o mesmo objetivo motiva muito.”

Para quem já tentou de tudo: tente de novo, de outro jeito

No fim do episódio, a nutricionista deixa uma mensagem para quem sente que já fracassou várias vezes.

“Cada dia é uma nova chance. Talvez você só não tenha encontrado o caminho certo ainda. Mas ele existe. E começa com um passo.”

Ela finaliza com um conselho direto:

“Faça diferente do que você sempre fez. Mas um passo por vez. Não se cobre para mudar tudo de uma vez só.”

Alimentação saudável não é sobre rigidez. É sobre estratégia, consciência e acolhimento.

E o Desafio Diário segue justamente nessa direção.

Emagrecimento, saúde, Saúde e Bem Estar, Vacaria, Vida saudável

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